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As urnas em números

Jul 30, 2026 IDOPRESS

Lula,Flávio Bolsonaro,Romeu Zema,Ronaldo Caiado e Renan Santos — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil,Edilson Dantas / Agência O Globo,Reprodução/TV Globo,Divulgação e Genial/Divulgação

Não é apenas em Minas Gerais,o segundo maior colégio eleitoral do país,que se decide a eleição presidencial,mas também em São Paulo,o maior. Em Minas,há uma divisão regional comparável à do Brasil,por isso o vencedor lá geralmente ganha no país. É como se o estado fosse uma amostra do país. Mesmo que vencer em São Paulo não signifique vencer no país,uma vitória expressiva no maior colégio eleitoral pode garantir a eleição. Em 2018,Jair Bolsonaro saiu de São Paulo com 8,1 milhões de votos à frente de Fernando Haddad,garantindo uma vitória ampla sobre o PT. Em 2022,quando perdeu para Lula,a diferença a favor de Bolsonaro caiu para 2,7 milhões,redução de 5,4 milhões de votos.

A situação hoje é bastante diferente. Flávio Bolsonaro está à frente por cerca de 1,5 milhão de votos em São Paulo,como mostra a nova pesquisa Genial/Quaest. Para Minas Gerais,a sondagem apontou: Lula 30% e Flávio 29%. Nesse levantamento,Lula supera Flávio por 1 ponto percentual no primeiro turno. Embora haja empate técnico,esse resultado representa uma mudança importante em relação a 2018,quando Bolsonaro venceu o PT por cerca de 2,27 milhões de votos de diferença. Em 2022 Lula já havia vencido o primeiro turno em Minas por 564 mil votos,consolidando o estado como um dos principais campos de disputa da eleição. A vitória apertada em Minas refletia uma eleição disputada voto a voto — em 2022 Lula venceu no Brasil todo por apenas 1,8 ponto percentual,uma diferença mínima de 2.139.645 votos,a menor margem de vitória numa eleição presidencial desde a redemocratização.

O PT hoje vive uma dicotomia. Enquanto “desmelhora” no Nordeste,onde sempre reinou,“despiora” no Sudeste. Essa é a maneira delicada como os petistas veem o quadro político atual. Mesmo que continue favorito na Região Nordeste,Lula hoje enfrenta uma oposição forte em vários estados,como o Ceará,onde Ciro Gomes está na frente; a Bahia,onde uma disputa acirrada com ACM Neto põe em risco a hegemonia petista no estado que o partido já governou por vários mandatos seguidos depois da era carlista; e Pernambuco,onde o PSD da governadora Raquel Lyra pode vencer,fortalecendo a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado. Esse,aliás,é um detalhe interessante dentro da corrida eleitoral. O PSD em São Paulo estimula o voto em Tarcísio de Freitas para governador,mas com Caiado para presidente,o que pode atrapalhar muito Flávio.

O empate técnico entre Lula e Flávio em Minas define o que será a disputa eleitoral; é a velha história de que Minas reflete o Brasil. Então,até o final haverá disputa acirrada entre os dois. Tudo indica que chegarão embolados no segundo turno,em empate técnico com ligeira diferença numérica a favor de Lula,mas nada que garanta sua vitória.

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Por mais erros que tenha cometido,Flávio ainda atrai os votos antipetistas,além dos bolsonaristas. Os antipetistas não escolhem o candidato,escolhem aquele capaz de derrotar Lula. Não precisa ser bolsonarista para querer derrotar Lula — e o antipetismo parece ser mais forte que o próprio bolsonarismo. O problema é definir se vale a pena derrotar Lula com Flávio,ou se existe mesmo essa possibilidade. As pesquisas sugerem que o antipetismo se juntará todo no segundo turno. Dos outros dois candidatos,os ex-governadores Zema e Caiado,Zema está naturalmente melhor em Minas,mas com participação pequena. Deveria ter uma vantagem grande no estado que governou por oito anos,capaz de colocá-lo na disputa do segundo turno. Mas não está acontecendo. Foi aprovado como governador,mas não consegue convencer os mineiros de que é a melhor solução em nível nacional. Caiado surge aqui e ali como a alternativa segura a Flávio na direita. A propaganda eleitoral mostrará se essa tendência persiste.