Contate-nos
Notícias de destino

Fed define hoje os juros nos EUA: entenda por que o ‘misterioso’ Kevin Warsh deixou o mercado sem direção

Jul 29, 2026 IDOPRESS

Kevin Warsh,indicado para comandar o Federal Reserve (Fed),o banco central americano,passa por sabatina no Senado,em Washington — Foto: Mandel NGAN / AFP

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 28/07/2026 - 23:58

Indefinição do Fed sob Kevin Warsh impacta mercado global e Brasil

O Federal Reserve (Fed) dos EUA se reúne para definir a taxa de juros,com expectativa de manutenção entre 3,5% e 3,75%. Sob a liderança de Kevin Warsh,há incerteza sobre os próximos passos devido à sua política de comunicação restrita. Essa indefinição afeta o mercado global,influenciando o valor do dólar e investimentos,com impactos diretos no Brasil,especialmente no câmbio e em operações de carry trade.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

O Federal Reserve (Fed,o banco central dos Estados Unidos) se reúne hoje para decidir o novo patamar da taxa básica de juros da maior economia do mundo. A grande expectativa entre os investidores é pela manutenção da atual taxa,no intervalo entre 3,75%.

Mais do que isso — como por exemplo se haverá algum sinal sobre o que o Fed fará em setembro — ninguém sabe e nem é capaz de especular.

Entenda o que muda: EUA anunciam sobretaxa de 12,5% para produtos brasileiros por trabalho forçadoVeja como: Com taxa de até 12,5% por trabalho forçado,Trump tenta reconstruir muro tarifário global

Grandes casas de investimentos admitem que não têm certeza sobre como o novo presidente do Fed,Kevin Warsh deve conduzir a segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Fomc,na sigla em inglês) do Fed sob o seu comando.

Isso porque,desde que assumiu o cargo por indicação do presidente dos EUA,Donald Trump,Warsh tem defendido a ideia de não sinalizar ao mercado futuros passos do Fed,que influencia a economia e os mercados de todo o mundo. Optou pelo mistério.

Continuar Lendo

De acordo com a plataforma FedWatch,que calcula as chances do movimento através de contratos negociados no mercado,a manutenção do atual patamar de juros na reunião de hoje é esperada por 70% dos operadores ouvidos pela última sondagem. Os outros 30% até estimavam uma alta no juro em 0,25 ponto percentual.

“Esperamos que Warsh mantenha sua estratégia de deliberadamente não fornecer qualquer orientação sobre a trajetória futura dos juros nem explicar como o Fed reagiria a diferentes cenários”,disse o banco americano Citi em relatório.

No Brasil,Andressa Durão,economista do ASA,tem uma leitura semelhante. Ela faz um paralelo com a reunião anterior do Fomc,que classifica como “surpreendente” no que se refere à liderança de Warsh:

— Por mais que ele queira passar uma mensagem mais hawkish (dura,combativa à inflação),ele não quer passar a mensagem. Se ele não quer passar mensagem,não virá nada de novo do que ele fez,como na última reunião. A novidade seria ainda menos sinais para frente,como uma coletiva ainda menor ou de uma forma diferente — disse a economista ao GLOBO.

Por conta desse silêncio,diz o relatório do Citi,“os mercados refletem a incerteza sobre como os acontecimentos recentes afetarão a função de reação do Fed”. A falta de orientação futura tende a manter os juros mais sensíveis aos movimentos do petróleo “até que os dados econômicos apontem de maneira mais clara para uma direção”.

Mudança de estilo

A estreia de Warsh no comando do Fed,em junho,já mostrou uma diferença na comparação com seu antecessor,Jerome Powell. Além de um comunicado enxuto e sua abstenção em demonstrar suas previsões para onde estará o juro americano no futuro,no documento chamado de dot plot,o novo comandante do banco central americano determinou a instauração de grupos de trabalho para revisar mecanismos financeiros e a comunicação da autoridade monetária.

O chamado "forward guidance",sinalização dos próximos passos da trajetória dos juros dados pelo Fed nas reuniões,é um dos alvos declarados de Warsh. Houve,segundo ele,uma “boa discussão em família” sobre essas mudanças.

Futuro? Guerra do Irã dirá

Com a diminuição das sinalizações futuras do Fed,as atenções também estarão voltadas à dissidência dos diretores na decisão de hoje. Para o Citi,dois votos pelo aumento de juros são esperadas. Mais que isso,diz o banco americano “enviariam um sinal ainda mais hawkish (duro,combativo à inflação)”. Andressa concorda.

O Fomc não está pronto “para apertar o gatilho”,dizem os analistas da consultoria inglesa Capital Economics. Apesar das idas e vindas entre Estados Unidos e Irã após o anúncio de cessar-fogo em meados de junho e a recente escalada do barril do petróleo,que voltou a pressionar o custo dos combustíveis,a casa vê os dados recentes de inflação,considerados “mais benignos”,como um fator de adiamento para decidir o rumo do juro americano:

“Os dados benignos de inflação de junho deram ao Federal Reserve mais tempo para avaliar como a inflação evoluirá nos próximos meses”,diz a consultoria,que não descarta um aperto monetário em setembro “se as pressões inflacionárias permanecerem persistentes”.

Durante participação em evento da XP na semana passada,a ex-presidente do Fed Janet Yellen afirmou acreditar que o Fed deve subir o juro por lá até o início do ano que vem.

Como isso afeta o Brasil?

A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e,consequentemente,impacta moedas e investimentos em todo mundo.

Quando a taxa americana está alta,parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos,já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes,drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países,o preço da moeda aumenta.

Por outro lado,com um ciclo de queda do juro por lá,o capital global começa a buscar aplicações que possam render mais. E países emergentes,como o Brasil,se tornam mais atraentes para o destino deste capital. Este,por exemplo,foi um dos fatores do ingresso firme dos estrangeiros entre a segunda metade do ano passado e os dois primeiros meses deste ano.

Além disso,diante da manutenção do juro por lá e com a Taxa Selic (taxa básica de juros brasileira,atualmente em 14,25% ao ano) ainda em patamar restritivo por aqui (a decisão do BC só acontece na semana que vem),este diferencial de juros extenso favorece uma operação conhecida como carry trade: o investidor toma dinheiro emprestado num país onde os juros são baixos e aplica em outro no qual a taxa é elevada,caso brasileiro.