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Copom começa hoje reunião que vai definir taxa básica de juros: veja o que esperar da decisão do BC

Aug 4, 2026 IDOPRESS

Gabriel Galípolo,presidente do Banco Central — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O Comitê de Política Monetária (Copom) — formado por diretores do Banco Central (BC) e liderado pelo presidente da instituição,Gabriel Galípolo — inicia hoje a reunião de dois dias que vai definir a taxa básica de juros (Selic) do Brasil.

Atualmente,a taxa está em 14,25% ao ano. A decisão será anunciada na quarta-feira.

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Os agentes financeiros aguardam um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic no Copom desta semana diante da melhora na inflação,o que levaria a Selic para 14%,em linha com a precificação do mercado.

O BC também deve manter as opções em aberto para as próximas reuniões,sem sinalizações concretas,dada a elevação das expectativas de inflação e a incerteza gerada pela guerra no Oriente Médio,segundo analistas.

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Também existe a expectativa de que o comunicado seja ajustado para retirar trechos considerados confusos da reunião anterior.

Economistas e gestores avaliam que o alívio na inflação favorece a extensão do processo chamado pelo Banco Central de “calibração” da taxa básica. A leitura do IPCA-15 de julho veio abaixo do esperado e apresentou desaceleração dos núcleos — medidas que excluem itens voláteis como alimentos e energia.

Diretores do BC que formam o Copom,com Gabriel Galípolo (segundo à esquerda) na presidência — Foto: Divulgação / Banco Central

O indicador também apontou a dissipação do choque do petróleo,provocado pelo conflito no Irã,e a perda do vigor do impulso fiscal,com bom comportamento dos preços de serviços e bens industriais.

Do lado da atividade,os números têm surpreendido para baixo. Os dados de vendas no varejo,volume de serviços e produção industrial de maio ficaram todos aquém das expectativas do mercado.

A tendência na comunicação é de que o Copom reconheça a melhora na inflação e a moderação na atividade no curto prazo. No entanto,deve seguir sem sinalizar próximos passos mantendo a cautela com as expectativas de inflação,que seguem acima da meta na Focus,e manter o balanço de riscos assimétrico dado o nível de incerteza.

'Preocupação adicional'

Gabriel Galípolo,presidente da autoridade monetária,disse em evento na semana retrasada que há “uma preocupação adicional” sobre as expectativas,o que recomenda permanecer com juros restritivos por um período mais longo.

Casas como JPMorgan,Banco Inter e Meraki Capital avaliam extensão do ciclo pelo menos até setembro — aposta que passou a ser majoritária na curva de juros futuros.

Sobre projeções,o Itaú Unibanco espera que o BC siga prevendo inflação em torno de 3,2% no horizonte relevante,que passa a ser o primeiro trimestre de 2028.

Mudança na comunicação

Na reunião passada,o comunicado do BC foi criticado por apresentar trechos considerados confusos pelo mercado — como a referência de maneira antecipada à rolagem do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028,período em que as projeções de inflação estariam mais baixas,aspecto lido como dovish (menos contracionista). Além disso,incluiu uma referência a trajetórias alternativas de juros — parte que o comitê pode descartar da comunicação.

— É bastante provável que o Banco Central retire o trecho,que ficou o mais confuso no comunicado anterior — disse Daniela Lima,economista para Brasil da Kinea.

Andrea Damico,economista-chefe da Buysidebrazi,segue a mesma linha:

— Acredito que aquele trecho que gerou bastante confusão deve cair,imagino que eles vão ser mais objetivos. Questões mais complexas e que demandam uma explicação maior,eles devem deixar para ata.

Relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú Unibanco,Diogo Guillen,avalia que o Copom deve manter a porta aberta,sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito.

“Acreditamos que o Banco Central deve preservar a opcionalidade,sem se comprometer com próximos passos,com a comunicação do comitê buscando simplificação em relação aos comunicados recentes”,diz o relatório.

O Itaú Unibanco avalia que a comunicação do BC deve enfatizar serenidade e cautela diante do cenário de incerteza,desancoragem e riscos elevados,indicando manutenção de restrição monetária adequada para convergência da inflação à meta.

Daniela Lima,economista para o Brasil da Kinea Investimentos,avalia que BC irá seguir na estratégia de deixar as comunicações mais em aberto,“sem se amarrar à próxima reunião”:

— Vimos surpresas baixistas na inflação de curto prazo,e o comunicado deve reconhecer isso ao tratar das incertezas. A questão principal é que o Copom deve manter o tom de calibração,e o mercado deve seguir na dúvida sobre se haverá ou não um próximo corte.