
Davi Perini Vermelho,o Didê,presidente do Instituto Rio Metrópole,ao ser preso — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
GERADO EM: 10/07/2026 - 04:30
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Ao determinar a prisão da cúpula de um órgão estadual acusada de desviar R$ 86 milhões em contratos,o juiz titular da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa,Marcello Rubioli,adotou tom incisivo para descrever mais um ataque aos cofres públicos: “O Estado do Rio de Janeiro chegou ao fundo do poço e descobriu que ainda havia uma caixa de gordura”. Criado para formular políticas de integração em setores essenciais,como saneamento e mobilidade,o Instituto Rio Metrópole (IRM) foi capturado por uma organização criminosa e transformado em uma máquina de desvio de recursos do estado,segundo o Ministério Público do Rio. Entre os seis presos está o presidente da autarquia,Davi Perini Vermelho,o Didê.
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Amanda Íthala Santos,entre os presos — Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
A direção do instituto foi dizimada pela operação ontem do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do MPRJ. A investigação chegou até mesmo à “Mulher da Mala”,como foi chamada Caroline Soares Barros,fiscal de contratos do IRM. Também foram presos Marcelo Lopes da Silva — atual procurador-geral da autarquia,ex-procurador-geral do Estado e ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico — e Amanda Íthala Santos da Paschoa,outra fiscal de contratos do instituto.
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Ainda na lista de denunciados presos está Maurício Silva Knoploch dos Santos,diretor de Planejamento e Projetos do Rio Metrópole e integrante da Comissão Técnica de Licitação,apontado como articulador do direcionamento das licitações. Ele é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) — que não é alvo da operação. Para o Ministério Público,no entanto,o vínculo familiar entre pai e filho “viola expressamente” o decreto que proíbe o nepotismo na administração pública estadual. Maurício também é sogro de Amanda Íthala,de acordo com a denúncia.

Caroline Soares Barros é escoltada por um policial — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
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Outro preso é Franquis Dias Nepomuceno,delegado da Polícia Civil e diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do instituto. Foram denunciadas 11 pessoas por organização criminosa,corrupção passiva e fraude em licitação e contratações,além de lavagem de dinheiro.
O Ministério Público afirma que os seis presos ocuparam cargos estratégicos no IRM para fraudar licitações,dar aparência de legalidade aos contratos,impedir a fiscalização e garantir o fluxo de recursos desviados,convertendo a autarquia em um “instrumento de enriquecimento privado”. Em entrevista coletiva,o procurador-geral de Justiça do Rio,Antônio José Campos Moreira,destacou que o esquema é um retrato dos “antros de corrupção” criados dentro das estruturas do governo.

Franquis Dias Nepomuceno: delegado da Polícia Civil e diretor do Institudo Rio Metrópoles — Foto: Fabiano Rocha
— Isso talvez explique a situação de dificuldade financeira pela qual o nosso estado passa há décadas: inúmeras estruturas do estado,órgãos que deveriam prestar serviços ao cidadão,foram cooptados por delinquentes e marginais — afirmou.
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Os recursos públicos teriam sido desviados de contratos firmados entre julho de 2022 e maio de 2026. Segundo o Ministério Público,valores pagos a duas empresas — Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. — eram posteriormente transferidos para a conta do Brazilian Institute of Organics (Instituto BIO),presidido por Caroline Soares Barros,que foi presa. Depois,o dinheiro era repassado para a conta pessoal de Carolina,que fazia saques em espécie: foram 13,entre maio de 2025 e janeiro de 2026,que somaram R$ 3,02 milhões. Por isso,foi chamada pelo MPRJ de “Mulher da Mala”.

Marcelo Lopes da Silva,procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM — Foto: Reprodução
— A gente teve contratos fraudulentos que foram celebrados com o Rio Metrópole,com fraude tanto na licitação quanto na fiscalização de sua execução. Posteriormente,houve a celebração de contratos fictícios entre essas empresas e o Instituto BIO — explicou Roberta Jorio,promotora de Justiça.
Nas redes sociais,o Instituto Bio é apresentado como uma escola de bioculinária que atua na formação de biochefs.
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Maurício Knoploch,diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) — Foto: Agência O Globo
— Não faz sentido,e a perplexidade é de todos,que um instituto de desenvolvimento metropolitano tenha contrato com uma ONG desse tipo,os objetos não casam — explicou Delcio Alonso,coordenador do Gaesf/MPRJ.
A presidência do IRM tem mandato fixo de quatro anos,e o atual iria até dezembro deste ano. O governo do estado informou que,ao constatar “indícios de irregularidades nos contratos” do órgão,acionou o Ministério Público.
A Engeconsult afirmou que “desconhece o teor das investigações” e negou qualquer irregularidade. O GLOBO não encontrou as defesas dos outros citados.