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Operação disfarçada: como chiclete mascado ajudou a condenar estuprador por dois assassinatos após mais de 40 anos nos EUA?

Jun 1, 2026 IDOPRESS

Susan Vesey (esq.) e Judy Weaver (dir.): como chiclete mascado ajudou a condenar estuprador por dois homicídios após mais de 40 anos nos EUA? — Foto: Reprodução

RESUMO

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GERADO EM: 31/05/2026 - 13:56

DNA de chiclete leva à condenação de duplo homicídio nos EUA após 40 anos

Uma operação disfarçada nos EUA usou uma degustação falsa de chicletes para obter DNA de Mitchell Gaff,levando à sua condenação por dois homicídios ocorridos em 1980 e 1984 em Washington. A investigação foi impulsionada pelo avanço da genética forense e resultou em confissão e condenação de Gaff,que poderá enfrentar prisão perpétua. A operação destacou a evolução da tecnologia de DNA na resolução de crimes arquivados.

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Uma operação policial disfarçada envolvendo degustação de chicletes ajudou a solucionar dois homicídios arquivados havia décadas e levou à condenação de Mitchell Gaff,de 68 anos,estuprador condenado que confessou os assassinatos de Susan Vesey,em 1980,e Judy Weaver,em 1984,no estado de Washington,nos Estados Unidos. A confissão ocorreu em 16 de abril e resultou em condenação que pode variar entre 50 anos de prisão e prisão perpétua,segundo comunicado da polícia de Everett.

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O avanço decisivo da investigação ocorreu em janeiro de 2024,quando a investigadora Susan Logothetti e dois colegas bateram à porta da casa de Gaff,em Everett,usando camisetas e panfletos de uma suposta empresa de chicletes.

Gaff os recebeu vestindo calça de pijama e aceitou participar de uma degustação. Durante a visita,cuspiu o chiclete em um pequeno prato entregue pelos falsos promotores. Sem saber,acabava de entregar DNA aos investigadores. O episódio ficou conhecido nos autos como "truque do chiclete".

— Lembro de vê-lo cuspir o primeiro pedaço de chiclete no pratinho e de ver a saliva,e foi muito difícil para mim conter a empolgação — afirmou Logothetti.

Casos eram investigados separadamente

Os assassinatos de Susan Vesey e Judy Weaver foram investigados por décadas como crimes sem relação entre si. Segundo a rede CNN,houve suspeitos nos dois casos,mas nenhuma acusação foi formalizada.

A morte de Judy Weaver,mãe de 42 anos,ganhou novo rumo com o avanço da genética forense e a reabertura da investigação em 2020. Nos anos 1980,a análise de DNA ainda não era ferramenta consolidada. No caso de Weaver,porém,autoridades preservaram amostras vaginais poucas horas após a morte,permitindo que o material fosse reavaliado décadas depois.

A cientista forense Mary Knowlton retirou da análise o DNA da vítima e do namorado para concentrar o exame em um perfil desconhecido. O material foi inserido no Sistema Combinado de Índice de DNA,conhecido pela sigla Codis. Em novembro de 2023 surgiu a correspondência: Mitchell Gaff.

Ele já estava registrado no banco genético por ter estuprado violentamente duas irmãs adolescentes em Everett menos de três meses após a morte de Judy Weaver.

— Não esperava que isso levasse a algum lugar,porque nos anos 1980 não se tomavam tantas precauções em relação ao DNA — afirmou Knowlton: — Achei que seria perfil de algum paramédico ou algo assim. Mas bateu perfeitamente,e isso foi extremamente emocionante.

DNA do chiclete confirmou ligação aos homicídios

Apesar da correspondência no banco genético,os investigadores ainda precisavam de uma segunda amostra. Segundo Logothetti,a polícia costuma obter confirmação por meio de bitucas de cigarro ou restos de bebida. O problema era que Gaff quase não saía de casa. Um agente então sugeriu a encenação da degustação.

— O que achei meio maluco na época — disse a investigadora: — Nunca tinha participado de algo tão elaborado.

A estratégia funcionou. O DNA recolhido do chiclete coincidiu com vestígios encontrados em amostras vaginais,nas cordas usadas no pescoço e nos pulsos de Judy Weaver,além de roupas cortadas da vítima.

Meses depois,um novo telefonema ampliou o caso. Ken Vesey,marido de Susan Vesey,informou à polícia que o irmão dele — antigo suspeito — havia morrido. Ao ouvir a descrição do crime,Logothetti percebeu "semelhanças impressionantes".

— A única coisa em que eu conseguia pensar era em Judy Weaver — afirmou.

Uma nova análise em objetos da cena revelou DNA de Gaff em um cordão branco retirado do corpo de Susan Vesey.

Gaff confessou crimes e admitiu tentativa de encobrir assassinato

Em declaração de culpa,Gaff afirmou que entrou na casa de Susan Vesey após encontrar a porta destrancada e "tentando abrir portas aleatórias". Segundo a investigação,ele amarrou,espancou,estuprou e estrangulou a vítima.

Quatro anos depois,atacou Judy Weaver no quarto dela e ateou fogo ao local numa tentativa de destruir provas.

"Antes de sair,enrolei cordas no pescoço dela e coloquei fogo em um canto da colcha,numa tentativa de encobrir meu crime e com a intenção de matá-la",declarou: "Judy Weaver morreu por causa das minhas ações".

Gaff afirmou não conhecer nenhuma das vítimas antes dos ataques. Sua advogada,Heather Wolfenbarger,recusou comentar.

Tecnologia de DNA reabriu crimes arquivados

Segundo peritos,o caso ilustra a transformação da genética forense. Lisa Collins,perita da Polícia Estadual de Washington que assumiu o caso em 2003,destacou o papel do software STRmix,que permite "fazer mais com menos" ao identificar perfis a partir de quantidades menores de DNA.

Para o promotor Craig Matheson,"é relevante o quanto os cientistas forenses e a tecnologia de DNA se tornaram sofisticados".

— O que conseguem fazer agora,em comparação com 20 anos atrás,é extremamente significativo — diz.

A investigação também trouxe algum alívio a vítimas e familiares que conviveram com suspeitas e incertezas por décadas. Segundo Logothetti,os casos permaneceram sem solução por anos porque "só precisavam que a ciência avançasse". Ela e Ken Vesey conversavam semanalmente sobre o caso até a morte dele,no ano passado.

— Estou feliz porque as famílias finalmente sabem a verdade,porque isso é como um câncer que se espalha pela família — afirmou a investigadora: — Mitchell Gaff fez mais vítimas do que apenas essas mulheres. As famílias também são vítimas.