
Foto tirada em 23 de março de 2026 mostra um participante masculino tendo a circunferência da cintura medida em um centro comunitário local em Wuxi,na província de Jiangsu,no leste da China. — Foto: JADE GAO / AFP
GERADO EM: 15/04/2026 - 16:44
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Shu Fangqiang sobe na balança em um centro comunitário de Wuxi,no leste da China. Ele está entre as centenas de pessoas que se inscreveram no programa de emagrecimento “Perca gordura,ganhe carne bovina”.
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Com índice de massa corporal (IMC) de 30,Shu é considerado obeso segundo os critérios nacionais e da Organização Mundial da Saúde (OMS).
— Com carne bovina ou não,eu queria perder peso pela minha saúde. Essa oportunidade chegou na hora certa,então me inscrevi — conta.
A regra é simples: a cada meio quilo perdido,o participante recebe o equivalente em carne bovina sem osso,ou um quilo e meio de carne com osso.
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A iniciativa faz parte de uma série de ações apoiadas por autoridades chinesas para conter o avanço do sobrepeso e da obesidade. O excesso de peso,com suas consequências — como doenças crônicas e aumento dos gastos com saúde —,tornou-se uma preocupação crescente no país.

Na cidade de Wuxi,no leste chinês,um centro comunitário lançou,em março,uma campanha de perda de peso com o objetivo de combater o excesso de peso e incentivar um estilo de vida saudável — Foto: JADE GAO / AFP
Mais de um terço dos adultos chineses (37,5%) apresentava sobrepeso em 2022,e 8,3% eram obesos,segundo a OMS. A China ainda está distante dos Estados Unidos (72,4% dos adultos com sobrepeso e 42% obesos),mas o crescimento acelerado do problema já acende alertas.
O número de pessoas consideradas obesas triplicou entre 2004 e 2018,de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Se a tendência continuar,a proporção de adultos com sobrepeso ou obesidade pode chegar a 70,5% até 2030,estima a Comissão Nacional de Saúde.
Durante a semana da campanha,realizada em março,há constantemente voluntários sendo atendidos nos espaços destinados a homens e mulheres. Eles são pesados,medidos e têm a circunferência abdominal registrada. Profissionais de saúde anotam os dados manualmente em formulários entregues aos participantes,com carimbos de incentivo à continuidade do processo. Ações semelhantes se espalham pelo país e são amplamente divulgadas nas redes sociais.


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Dayanne Bezerra faz uso do Ozempic — Foto: Reprodução Instagram


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Jojo Todynho já relatou usar Ozempic — Foto: Reprodução Instagram
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Luiza Possi revelou uso Ozempic — Foto: Reprodução Instagram

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Oprah Winfrey assumiu usar Ozempic — Foto: Getty Images
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Sharon Osbourne apostou em Ozempic para perder peso — Foto: Getty Images

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Rebel Wilson adotou Ozempic para emagrecer — Foto: Getty Images
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Karoline Lima revelou que usou Ozempic após críticas sobre seu corpo — Foto: Reprodução Instagram
Celebridades admitiram uso do remédio,que é destinado ao tratamento de diabetes
A rede de supermercados Yonghui,por exemplo,incentiva clientes a registrarem sua perda de peso ao longo de dez dias em balanças instaladas nas lojas. A cada quilo e meio eliminado,é possível trocar por meio quilo de carne bovina,lagostins ou kiwis.
Com 1,4 bilhão de habitantes,a China concentra o maior número de adultos com sobrepeso do mundo: 402 milhões de pessoas,segundo estudo publicado na revista médica The Lancet em 2025.
Em 1982,apenas 7% dos chineses estavam acima do peso,de acordo com o livro Fat China: How Expanding Waistlines Are Changing A Nation (“China obesa: como o aumento da circunferência da cintura está transformando uma nação”).
No centro comunitário de Wuxi,os participantes são convidados a integrar grupos na plataforma de mensagens WeChat. Ao longo de meses,eles trocam dicas e apoio para emagrecer. Em janeiro de 2027,os voluntários serão pesados novamente. Quem tiver perdido mais peso poderá escolher cortes mais nobres de carne,como rabo bovino. O total distribuído é limitado a 10 quilos por participante. Zheng Haihua,de 44 anos,diz que aderiu ao programa para se obrigar a “se movimentar mais e comer menos”.
— O mais difícil para mim é controlar o apetite,porque quando vejo comida gostosa,é difícil resistir — afirma,entre risos.
A médica Wu Changyan aponta que a rotina moderna contribui para o problema.
— A pressão do dia a dia e o conforto da vida moderna nos levam a comer mais e em excesso — explica.
Já Li Sheyu,professor clínico do Hospital da China Ocidental da Universidade de Sichuan,avalia que iniciativas como essa não mudam estruturalmente o cenário.
— São uma variação de incentivos tradicionais para cuidar do peso,mas ajudam a disseminar entre o público a importância do emagrecimento — conclui.