
Equipes da Marinha dos EUA trabalham com golfinhos treinados durante um exercício para detectar explosivos subaquáticos remanescentes da guerra perto de Montenegro — Foto: Embaixada dos EUA em Montenegro
GERADO EM: 06/05/2026 - 18:01
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos,Pete Hegseth,afirmou na terça-feira que o Irã não possui “golfinhos kamikazes” para uso militar,em meio ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz. Ao ser questionado sobre o tema,ele disse: “Posso confirmar que eles não têm”,e acrescentou que não “confirmaria nem negaria se temos golfinhos kamikazes”.
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A declaração ocorreu em um contexto de preocupação com a segurança da via marítima,após relatos de que o Irã poderia instalar minas na região. Segundo a CNN,uma fonte familiarizada com as operações militares americanas no estreito afirmou que os EUA não estavam utilizando golfinhos nas ações atuais.
Apesar disso,a Marinha dos EUA mantém há décadas um programa voltado ao treinamento de mamíferos marinhos. O chamado Programa de Mamíferos Marinhos integra o setor de Inteligência,Vigilância e Reconhecimento (ISR) do Centro de Guerra de Informação Naval do Pacífico e tem como foco a detecção de objetos subaquáticos,especialmente minas. O programa existe desde 1959 e treina principalmente golfinhos-nariz-de-garrafa e leões-marinhos da Califórnia.
— Usamos mamíferos marinhos para ajudar a detectar objetos debaixo d’água e para proteger portos,detectando intrusos. Portanto,não é ‘O Dia do Golfinho’ — disse Scott Savitz,que já atuou no extinto comando de guerra de minas da Marinha dos Estados Unidos,em entrevista à CNN.
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Estagiários no Programa de Mamíferos Marinhos da Marinha (MMP),cuidam de golfinhos da Marinha no Centro de Guerra de Informação Naval (NIWC) do Pacífico — Foto: Eckelbecker/Marinha dos EUA
De acordo com informações do próprio programa,os golfinhos não são usados como armas. Eles são treinados para localizar minas submarinas e marcar suas posições,permitindo que mergulhadores façam a desativação. Segundo a página oficial do programa,“os golfinhos possuem o sonar mais sofisticado conhecido pela ciência” e drones subaquáticos “não são páreo para esses animais”.
O site também informa que “tanto os golfinhos quanto os leões-marinhos possuem excelente visão em baixa luminosidade e audição direcional subaquática,o que lhes permite detectar e rastrear alvos subaquáticos,mesmo em águas escuras ou turvas”,e que “os golfinhos são treinados para procurar e marcar a localização de minas submarinas que possam ameaçar a segurança daqueles a bordo de navios militares ou civis”.
Durante as missões,segundo dados oficiais,os golfinhos atuam com dois a três tratadores em pequenas embarcações e sinalizam quando encontram objetos. Eles também utilizam “bóias marcadoras” para indicar a localização exata das minas,facilitando o trabalho de mergulhadores.
Especialistas apontam que esse tipo de recurso não costuma ser empregado em situações de combate ativo. — As hostilidades basicamente cessaram. Você não vai tentar entrar na água lutando com golfinhos — afirmou Savitz à CNN,ao citar operações realizadas em 2003 no porto iraquiano de Umm Qasr,após a atuação de forças da coalizão.
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Savitz também destacou que,segundo o modelo do programa,os animais não são forçados a permanecer nas operações. — Eles optam por voltar porque gostam dos peixes grátis; gostam da brincadeira de encontrar objetos no fundo do mar,de encontrar a pessoa que tenta nadar perto dos píeres; gostam da proteção contra predadores. Sempre há questionamentos sobre o bem-estar animal,mas esses animais escolhem ativamente permanecer no programa quando poderiam simplesmente voltar para a natureza — disse.
Outros países também já recorreram ao uso de mamíferos marinhos. Segundo a BBC,o Irã adquiriu golfinhos treinados pela antiga União Soviética no ano 2000,embora esses animais provavelmente já não estejam em condições de uso e não haja indícios de um programa ativo.
Ainda assim,o Wall Street Journal informou que autoridades iranianas teriam considerado o uso de golfinhos para transportar minas como alternativa no estreito. Segundo o jornal,analistas avaliam que o bloqueio imposto pelos EUA — que interrompeu embarques de petróleo iraniano e afetou o comércio com a China — pode ter levado o país a buscar novas estratégias. Para alguns setores políticos iranianos,de acordo com a publicação,o bloqueio é visto como um ato de guerra que exige resposta militar.
Segundo a CNN,o aumento das tensões inclui relatos,desde março,de que o Irã teria iniciado a instalação de minas no Estreito de Ormuz. Em abril,Hegseth afirmou que a ação violaria um acordo provisório de cessar-fogo e que as forças americanas “lidariam com isso”.