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Sucessão de Gleisi na articulação política segue indefinida e sob pressão de garantir aprovação de Messias no STF

Apr 3, 2026 IDOPRESS
A ministra Gleisi Hoffmann,da Secretaria de Relações Institucionais,e o presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

A ministra Gleisi Hoffmann,da Secretaria de Relações Institucionais,e o presidente Lula — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

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GERADO EM: 02/04/2026 - 18:41

Indefinição na SRI e resistência no Senado marcam cenário político

A sucessão de Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) permanece indefinida,enquanto a aprovação de Jorge Messias para o STF enfrenta resistência no Senado. O presidente Lula busca um sucessor com trânsito no Congresso,mas enfrenta desafios devido às eleições. Até que um novo ministro seja escolhido,Marcelo Costa assumirá interinamente. O cargo é crucial para a articulação política e o controle das emendas parlamentares.

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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que ainda não está definido quem irá suceder a ministra Gleisi Hoffmann no comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI),às vésperas do fim do prazo para a desincompatibilização de autoridades que vão disputar as eleições neste ano. Gleisi buscará uma vaga ao Senado pelo Paraná e precisa deixar o posto impreterivelmente até este sábado.

De acordo com cinco integrantes do governo,o presidente tem insistido que o próximo ministro tenha relação e trânsito no Congresso e,preferencialmente,seja parlamentar ou ex-parlamentar. Nas palavras de um ministro,Lula quer um político que entenda a dinâmica do Congresso e tenha traquejo político para circular entre os congressistas. A principal preocupação é que o novo ocupante da pasta tenha habilidade para ajudar a costurar a aprovação do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

O nome de Messias desagradou a cúpula do Senado,sobretudo o presidente da Casa,Davi Alcolumbre (União Brasil-AP),já que os senadores torciam pela indicação de Rodrigo Pacheco. Desde o anúncio de Lula,em novembro,a relação com Alcolumbre estremeceu. Nesta semana,o presidente deu prosseguimento ao rito regimental e enviou o nome do chefe da Advocacia-Geral da União para o Congresso,mas governistas reconhecem que ainda não há votos necessários para garantir a aprovação de Messias na sabatina.

Um auxiliar de Lula reforça ainda que é preciso que o novo ministro da SRI tenha relação próxima com o presidente e seja um nome de confiança do chefe do Executivo,já que o cargo exige despachos quase diários com o petista. Além disso,diz que é preciso buscar um político que tenha autoridade também junto aos parlamentares. Outro ministro reconhece que não é uma equação fácil escolher o novo chefe da SRI,justamente porque além do perfil pretendido por Lula,diversos parlamentares que seriam bons nomes não deixarão de concorrer à eleição para assumir o cargo.

Inicialmente,Lula deu aval ao nome de Olavo Noleto,secretário do Conselhão,mas houve um recuo diante da avaliação de que era preciso um nome com maior trânsito no Parlamento. Desde então,foram ventilados nomes como o senador Otto Alencar (PSD-BA),o deputado José Guimarães (PT-CE) e o ministro do Desenvolvimento Social,Wellington Dias.

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O primeiro preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado,principal colegiado da Casa. Apesar da proximidade com Lula,aliados do presidente dizem que seria ruim tirar um aliado de um posto estratégico,ainda mais num momento de ruídos entre a cúpula do Senado e o Planalto. Guimarães,por sua vez,está determinado a concorrer ao Senado e,portanto,não poderia assumir a pasta. Já Wellington Dias tem afirmado a interlocutores que o presidente nunca tratou dessa possibilidade com ele e que já foi convocado por Lula para ajudar na coordenação da campanha do petista à reeleição.

Não está descartado ainda que algum outro ministro que hoje ocupe cargo na Esplanada e não concorrerá às eleições seja realocado para cuidar da SRI. Nesse cenário é lembrado o nome de Waldez Góes,ministro do Desenvolvimento Regional,que é próximo de Alcolumbre e desistiu de concorrer a uma vaga ao Senado. Um interlocutor frequente de Lula,no entanto,diz que essa é uma possibilidade remota.

Diante do impasse,integrantes do Planalto afirmam que o número 2 de Gleisi na SRI,o diplomata Marcelo Costa,deve assumir o cargo de forma interina até que seja escolhido o novo ministro. Aliados do presidente dizem que ele não deve demorar na sua escolha,justamente porque há pressa para que temas de interesse do Planalto avancem no Congresso ainda neste semestre --já que por causa das eleições o Parlamento tradicionalmente fica esvaziado a partir de agosto. Dois governistas que acompanham as conversas dizem que o presidente deverá buscar aliados nos próximos dias para tratar do tema.

O cargo da SRI é estratégico porque a pasta é responsável pela articulação do Executivo no Congresso Nacional e tem sob o seu guarda-chuva o controle das emendas parlamentares. Quando Lula assumiu,ela foi ocupada por Alexandre Padilha,que deixou a pasta para assumir o Ministério da Saúde em março de 2025.

Naquele momento,integrantes da cúpula da Câmara e do Senado defendiam que Lula indicasse um parlamentar do Centrão para o cargo no Palácio,diante da avaliação que isso melhoraria a relação do Executivo com o Congresso Nacional,marcada até ali por altos e baixos. Além disso,cardeais do Centrão criticavam o que classificavam como uma presença exagerada do PT no Palácio --já que os quatro ministérios palacianos eram de representantes do partido de Lula. Naquele momento foram lembrados parlamentares como Aguinaldo Ribeiro (PP-PB),Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) e Silvio Costa Filho (deputado federal licenciado pelo Republicanos e então ministro de Portos e Aeroportos). Lula contrariou esse apelo e indicou Gleisi ao posto.

Um ministro afirma,sob reserva,que defendeu ao próprio presidente que ele escolhesse agora um nome de fora do PT,numa sinalização ao Congresso e à ideia de que trata-se de um governo de frente ampla,com representação de diferentes partidos. Ele diz que esse gesto também seria positivo às vésperas da eleição e num momento em que aliados do presidente costuram alianças com partidos do cenro. Um interlocutor frequente de Lula diz que esse debate não está à mesa neste momento e que pesará mais na decisão do presidente o fato de o próximo ministro ter relação de confiança com ele e trânsito entre parlamentares,independentemente de qual partido ele seja ligado.

Além da aprovação de Messias no Senado,o governo também quer ver aprovada propostas como a PEC da Segurança Pública,a regulamentação do trabalho de entregadores por aplicativo e a proposta do fim da jornada de trabalho 6x1,além de querer evitar qualquer ruído maior com o Congresso Nacional em ano eleitoral.