
Marcello Lopes é fundador e CEO da agência Cálix Propaganda — Foto: Divulgação
GERADO EM: 20/05/2026 - 22:05
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Com o avanço da crise envolvendo o caso Master e o aumento da pressão sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ),aliados do senador passaram a defender uma reformulação na comunicação da pré-campanha em um movimento que culminou na saída de Marcello Lopes,conhecido como “Marcellão”,amigo pessoal do presidenciável e alvo de críticas reservadas nos bastidores da pré-campanha. Ele acabou sendo substituído pelo publicitário Eduardo Fischer.
O anúncio oficial veio na noite de quarta-feira,embora já circulasse antes a intenção de uma ala do grupo responsável por alçar o senador ao Palácio do Planalto de trocar a equipe de comunicação da pré-campanha por insatisfações que se agravaram com o que descreveram como uma falta de habilidade na condução da maior crise enfrentada pelo presidenciável até agora.
Em nota,o marqueteiro afirmou que esteve reunido com Flávio,em São Paulo,na quarta-feira,momento em que comunicou que não poderia mais colaborar na pré-campanha à presidência da República.
“O publicitário,que é amigo pessoal do parlamentar,decidiu,neste momento,focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar”,afirmou no comunicado.
As viagens aos Estados Unidos também foram outro foco de desgaste de Marcellão. Ele estava no país quando passaram a ser divulgados áudios de Flávio enviados a Daniel Vorcaro,que culminaram em uma crise de imagem do senador.
Continuar Lendo
Apesar da insatisfação com o jeito com que o marqueteiro lidou com a repercussão negativa na imagem de Flávio do caso Master,uma ala do entorno do senador já demonstrava incômodo com a atuação de Marcellão meses antes das revelações envolvendo Vorcaro.
Reservadamente,aliados avaliavam que a estrutura de comunicação da campanha acabou sendo dependente do círculo pessoal de confiança de Flávio e queria uma “profissionalização” da área.
O desgaste ganhou força definitiva após o caso Master atingir diretamente a pré-campanha de Flávio. A avaliação interna passou a ser de que a crise expôs dificuldades da equipe em reagir rapidamente ao noticiário e em construir uma estratégia unificada de comunicação.
Nos bastidores,integrantes da pré-campanha afirmam que o senador acabou sendo levado “a reboque” do noticiário,demorando para responder a temas que,na avaliação de aliados,deveriam ter sido tratados antes mesmo de ele aceitar entrar oficialmente na corrida presidencial.
A leitura interna é que Flávio transmitiu insegurança política ao mudar versões sobre o alcance de sua relação com Vorcaro e sobre o financiamento do filme “Dark Horse”,produção sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foi nesse contexto que cresceu dentro da campanha a defesa pela contratação de nomes mais experientes do mercado publicitário e de comunicação política. Chamado para substituir Marcellão,o publicitário Eduardo Fischer passou a ser visto por integrantes da campanha como alguém capaz de ajudar Flávio a recuperar iniciativa política após dias sendo pressionado pelo noticiário.
Fischer é considerado um dos pioneiros da comunicação integrada no Brasil e esteve por trás de campanhas publicitárias de grande repercussão nacional,como “Brahma número 1”,“Experimenta Nova Schin”,“Baby Telesp Celular” e a retomada do personagem “Baixinho da Kaiser”,segundo perfil divulgado pela Academia Brasileira de Marketing.
O empresário também teve sociedade com o apresentador Roberto Justus no mercado publicitário,parceria que ajudou a consolidar seu nome entre os principais executivos da comunicação brasileira. Ainda segundo a entidade,Fischer acumula mais de 700 prêmios da publicidade brasileira e internacional e já foi eleito cinco vezes “Publicitário do Ano” no Brasil.