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Lula foca em segurança e economia com Trump e busca virar página de crise interna com ida aos EUA

May 6, 2026 IDOPRESS
Trump e Lula se reúnem na Malásia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP RESUMOSem tempo? Ferramenta de IA resume para você

Trump e Lula se reúnem na Malásia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 05/05/2026 - 22:45

Lula se encontra com Trump nos EUA para fortalecer laços e debater segurança

O presidente Lula busca fortalecer laços com os EUA e resolver crises internas ao se encontrar com Donald Trump em Washington. Entre os objetivos,está evitar que facções criminosas brasileiras sejam classificadas como terroristas pelos americanos. Lula pretende discutir cooperação no combate ao narcotráfico e questões econômicas,além de mostrar força política em meio a desafios domésticos.

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Pressionado internamente pela crise do governo com o Congresso,o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá amanhã uma reunião na Casa Branca,em Washington,onde será recebido por Donald Trump e tentará demonstrar prestígio internacional. Além de atuar para esvaziar o discurso de bolsonaristas,alinhados ao presidente americano,Lula deve usar a conversa para que a sua pauta econômica e de segurança pública seja alavancada no Brasil em ano eleitoral,com possível assinatura de acordo de cooperação no combate ao narcotráfico. A partir do entendimento,a intenção é também aplicar uma espécie de vacina e impedir que os Estados Unidos enquadrem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas,como defendido por ala da direita.

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Diante das dificuldades na retomada da relação bilateral,essa é uma das principais preocupações do Palácio do Planalto. Lula considera a classificação,cogitada publicamente pelos americanos,como uma possível ameaça à soberania nacional e um incentivo a intervenções militares estrangeiras.

Para desarmar o discurso americano,Lula deve argumentar que o Brasil tem todo o interesse em combater o crime organizado em parceria com os EUA,e que não seria necessário o enquadramento de grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) ou Comando Vermelho (CV) como terroristas.

Como informou a colunista Míriam Leitão,do GLOBO,e afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista ontem à GloboNews,o acordo de atuação conjunta é uma das apostas do governo para intensificar o combate à lavagem de dinheiro e a criminosos.

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Agenda bilateral

Na comitiva de Lula estarão os ministros Dario Durigan (Fazenda),Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública),Mauro Vieira (Relações Exteriores),Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e o diretor-geral da Polícia Federal,Andrei Rodrigues.

Entre os temas que devem ser discutidos entre os dois presidentes também estão a guerra promovida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã — ofensiva que é alvo de críticas persistentes de Lula — e o tarifaço sobre exportações brasileiras.

Em fevereiro,a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% de Trump que atingia produtos brasileiros. Mas,dias depois da decisão,o americano fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais.

A apuração americana,feita nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA,cita desde o Pix — que seria uma ameaça a bandeiras de cartões de crédito americanas — até a venda de produtos falsificados em comércio popular,além do suposto cerceamento a redes sociais americanas,descontrole de desmatamento ilegal,falta de combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol.

Os dois presidentes discutirão ainda a exploração de minerais críticos. Em fevereiro,o governo dos Estados Unidos convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento,à mineração e ao refino de minerais críticos.

A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio,grafita,cobre,níquel e terras raras,além da criação de mecanismos de preço mínimo,com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.

A situação política da Venezuela e o seu impacto na América do Sul será outro assunto. Lula é um crítico de primeira hora da intervenção militar americana que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro,em 3 de janeiro. A vice de Maduro,Delcy Rodríguez,assumiu a presidência interina com o apoio dos Estados Unidos.

Trunfo político

No encontro,integrantes do governo acreditam que,inevitavelmente,o nome do empresário Ricardo Magro,dono da Refit e que mora em Miami,deve ser levado à mesa pelo brasileiro,já que a atuação dele foi discutida entre os dois líderes no ano passado. Magro é considerado o maior devedor do país e foi alvo da PF no fim de novembro numa operação contra esquema de sonegação fiscal.

Magro é acusado de dar calote de R$ 26 bilhões nos cofres públicos ao sonegar impostos. Ele e a empresa negam as irregularidades.

O dono da Refinaria de Manguinhos,no Rio,virou um exemplo concreto para dar visibilidade à gestão petista no combate ao crime organizado. Na avaliação de aliados,uma eventual prisão de Magro seria um trunfo político importante,num momento em que Lula enfrenta crise com o Congresso e aparece numericamente atrás de seu possível rival nas eleições,Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Depois de o Senado rejeitar na semana passada pela primeira vez em 132 anos um indicado pelo presidente para o Supremo Tribunal Federal,a oposição passou a propagar que o governo acabou e que Lula será até o fim do ano “um pato manco”. O termo costuma ser usado para se referir a presidentes em fim de mandato com baixo capital político.

Com a agenda,Lula quer mostrar que ainda tem força política,apesar do revés interno. Há expectativa também que o encontro tire o foco da turbulência política enquanto Lula ainda avalia como irá reagir depois da constatação de que o presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União-AP),atuou contra o indicado pelo presidente.

Lula ainda tentará,com a reunião,desarmar os planos de Flávio de se vender na campanha como aliado do presidente americano. Em discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC),no Texas,em março,Flávio pediu que os Estados Unidos e o mundo “observem as eleições do Brasil com enorme atenção” e “monitorem a liberdade de expressão” e “apliquem pressão diplomática” para que as “instituições funcionem corretamente”.

Flávio chega aos EUA

Do lado do campo bolsonarista,há divergências sobre o impacto da visita. Enquanto uma ala avalia que o encontro pode gerar desgaste para Eduardo Bolsonaro,outra não crê que haverá impacto decisivo para os aliados. Flávio desembarcou nos Estados Unidos ontem para visitar o irmão. A viagem já estava programada antes do encontro entre Lula e Trump. Entre os aliados mais cautelosos,a preocupação é com o tom que o americano adotará após o encontro.

A avaliação é que qualquer gesto de deferência ou fala elogiosa a Lula pode atingir diretamente Eduardo,que vive nos Estados Unidos desde o ano passado e construiu parte de seu capital político recente na interlocução com o entorno trumpista.

Nesta ala,há o diagnóstico de que Eduardo já sofreu desgaste durante a crise do tarifaço. À época,aliados da direita demonstraram desconforto com os efeitos econômicos e diplomáticos das medidas anunciadas por Trump e,reservadamente,atribuíram ao ex-deputado parte da responsabilidade pelo ambiente que levou às sanções e tarifas. Quando houve recuos e exceções por parte do governo americano,a avaliação entre esses interlocutores foi de que Eduardo perdeu força no debate interno da direita.