
São Paulo (SP),Canditados durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND. Foto: Maria Isabel Pimenta — Foto: Maria Isabel Oliveira
Se na frente das câmeras o primeiro debate presidencial desta eleição foi marcado por púlpitos vazios,longe dos holofotes o encontro teve protesto de militantes,ameaça de desistência,live na entrada e fraldas com os nomes dos candidatos ausentes. Na plateia,o presidente nacional do PSD,Gilberto Kassab,foi flagrado diversas vezes cochilando. O confronto foi realizado na noite de domingo (23) nos estúdios do grupo Bandeirantes,no Morumbi,na Zona Sul de São Paulo.
Saiba como foi: Debate tem críticas às ausências de Lula e Flávio,foco em segurança e divergências sobre 6 x 1Tensão nos bastidores: Desdobramentos dos casos Master e Lulinha ampliam divergências entre Mendonça e Gonet
Esvaziado,o debate foi realizado apenas com Ronaldo Caiado (PSD),Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) — esse último chegou a fazer uma live na porta da emissora afirmando que desistiria deste "teatro",mas voltou atrás. Os outros convidados — o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) — já haviam sinalizado durante a semana que não participariam. O postulante Romeu Zema (Novo) cancelou sua presença horas antes do confronto.
Como era esperado pelo público,pelos adversários e organizadores,a ausência generalizada foi o principal assunto nos bastidores do debate. Quem assistiu ao programa pela TV ou pelas redes sociais talvez não tenha imaginado os espaços desocupados na plateia,sempre alocada atrás das câmeras. Sem os principais personagens,seus assessores e apoiadores também não apareceram e deixaram partes das arquibancadas do estúdio vazias. Para cobrir os "buracos",a produção escalou profissionais que não tinham credencial para o local.
Como ocorre em todos os eventos do tipo,os anfitriões combinam com as campanhas o horário de chegada de cada um dos postulantes,para que eles possam entrar com destaque,sendo entrevistados primeiro pelos repórteres da emissora para,depois,falar algumas palavras aos jornalistas de outros veículos de comunicação.

São Paulo (SP),Renan Santos (Missão) durante o 1° Debate entre candidatos a Presidência da República as dependências da TV BAND — Foto: Maria Isabel Oliveira
O primeiro a chegar foi o candidato Renan. Como forma de criticar a ausência de Lula e Flávio,além de produzir materiais e cortes para as redes sociais,o presidenciável do Missão levou duas fraldas com os nomes dos dois postulantes.
— (Lula e Flávio Bolsonaro são) Dois canalhas que ficam botando seus seguidores para brigar em rede social,mas quando é para vir aqui apresentar proposta,não tem coragem. (...) Vou explicar o fracasso que são as duas supostas lideranças. Lula e Flávio Bolsonaro,que não querem que apareçam demais (lideranças). Vou apresentar as fraldas deles aqui — disse Renan.
As filmagens de Renan foram feitas pelo ex-deputado estadual Arthur do Val,conhecido como Mamãe Falei. Inelegivel até 2030,após perder o mandato por quebra de decoro — ele gravou áudios falando que as "ucranianas eram fáceis por serem pobres" —,Mamãe Falei continua ativo nas redes.
Na sequência,Caiado chegou à Band,no momento em que ocorria uma manifestação próximo à emissora de militantes do partido União Popular (UP). Eles pediam a participação no encontro de Samara Martins,candidata do partido à Presidência da República. Como a legenda não tem representantes no Congresso Nacional,não preenche os critérios da legislação eleitoral para participação obrigatória nos debates televisivos.
Sem acesso ao confronto,os partidários ficaram atrás de grades na Rua Carlos Cyrilo Júnior. Apesar da gritaria que vinha da rua — os jornalistas não puderam sair,sob ameaça de que não teriam autorização para voltar —,Caiado conseguiu falar com os jornalistas e criticou as ausências de Lula e Flávio.
— Essas pessoas que não têm nada a mostrar para o país,a não ser escândalos,e por isso eles se negam a estar presentes,vão querer governar o país. De um lado tem o 'Dark horse',do outro tem o 'Dark lobby' (...). Eles não têm coragem de vir ao debate. Isso mostra que a sociedade brasileira vai avaliar melhor. Essas pessoas terão independência moral para governar o país? Como é que vão governar o país? Agora,eu tenho coragem para mudar — disse.
Faltando 45 minutos para o início do debate,começaram a surgir informações de que Cury não iria participar. Ele chegou a entrar pelo estacionamento,mas deixou a emissora e ficou na porta,fazendo uma live. Nesse momento,os jornalista e fotógrafos tentaram acompanhá-lo,mas foram impedidos de sair. Após um princípio de confusão,os profissionais foram liberados para sair e se aproximaram de Cury. Um repórter questionou se ele havia decidido de última hora não participar do debate:
— Decidi de última hora,quando vi que eles não viriam. Enquanto isso,o Lula está fazendo uma entrevista no mesmo horário do debate. Isso é um teatro,isso não é democracia — afirmou Cury para,depois de cinco minutos,mudar de ideia e entrar novamente na emissora. Quando voltou a ser cercado pelos jornalistas,Cury se aproximou do diretor Fernando Mitre e aceitou participar.
Durante o debate,candidato a vice de Caiado,foi flagrado diversas vezes cochilando. Ele permaneceu na arquibancada por mais de 1h30. Nos intervalos,ele era chamado por correligionários e jornalistas,mas durante o debate voltava a cochilar.

Presidente nacional do PSD,candidato a vice de Ronaldo Caiado,foi flagrado diversas vezes cochilando durante o debate — Foto: Sérgio Quintella
Ausentes do debate,Lula e Flávio passaram a noite de domingo em Brasília,sem agenda pública. Gravada pela manhã no Alvorada,a entrevista do presidente à TV Record foi exibida no mesmo horário do debate. Já Flávio gravou vídeo,publicado em suas redes,sobre sua ausência. Nesta segunda-feira,o senador cumpre compromissos de campanha em São Paulo,enquanto o presidente da República viaja a Sorocaba,no interior paulista.