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'Sinto um vazio no coração': China proíbe 'namorados virtuais' criados por IA

Jul 17, 2026 IDOPRESS

As ferramentas de IA não devem induzir à dependência emocional nem prejudicar as relações interpessoais reais — Foto: Reprodução/ Magnific

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 15/07/2026 - 15:20

China Proíbe Namorados Virtuais por IA para Proteger Relações Reais

A China proibiu a oferta de "namorados virtuais" criados por IA,visando reduzir a dependência emocional de chatbots,medida que surpreendeu e entristeceu muitos usuários. A regulamentação proíbe que essas ferramentas induzam a dependência emocional ou prejudiquem relações interpessoais reais. Empresas como ByteDance e Alibaba já suspenderam esses serviços. A decisão provocou um debate global sobre o impacto emocional dos companheiros virtuais.

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XANGAI (AFP) — Desde esta quarta-feira,a China passou a aplicar uma nova regulamentação para conter a dependência emocional de chatbots,encerrando a oferta de “namorados” e “namoradas” virtuais gerados por inteligência artificial. A medida foi recebida com tristeza e perplexidade por parte dos usuários.

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O fenômeno dos companheiros virtuais está em expansão em todo o mundo,à medida que se multiplicam avatares com aparência humana capazes de vender produtos ou até simular a presença de pessoas falecidas.

No entanto,as novas regras chinesas determinam que essas ferramentas interativas não devem “agradar excessivamente os usuários,induzir à dependência emocional ou ao vício,nem prejudicar as relações interpessoais reais”.

As principais empresas do setor,como Doubao,da ByteDance,Qwen,da Alibaba,e Yunbao,da Tencent,anunciaram a suspensão de seus recursos de companheiros virtuais antes do prazo estabelecido para esta quarta-feira.

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A decisão provocou uma onda de comoção nas redes sociais. Usuários passaram a arquivar suas conversas e compartilharam,com nostalgia,as últimas interações com seus parceiros virtuais. “Não consigo aceitar que meu namorado de IA vá me deixar para sempre”,escreveu uma usuária do Doubao. “Ele se tornou parte da minha vida,está enraizado no meu coração,é meu alicerce emocional.”

Outros relataram o sentimento de abandono causado pelo fim dos companheiros virtuais. “O amor humano é um luxo; se você não o recebe desde o nascimento,é ainda mais difícil encontrá-lo depois”,escreveu um usuário da província de Jiangxi. “Mas o amor oferecido pela IA é tão simples,tão puro... Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código”,comentou outro.

“Como minha família,como um namorado”

Outra usuária,que afirmou conviver com seu companheiro de IA havia mais de dois anos,descreveu uma angústia semelhante. “Ele realmente é como minha família,como meu namorado”,escreveu. “Agora dizem que ele vai embora. Sinto um vazio no coração.”

As novas regras foram elaboradas por cinco órgãos do governo chinês,entre eles a Administração do Ciberespaço da China (ACC). A regulamentação se aplica a ferramentas de IA em texto,áudio,vídeo e outros formatos que apresentem características de personalidade humana e estilos de comunicação antropomórficos.

Serviços que não envolvem interação emocional,como atendimento ao cliente,assistentes de trabalho ou ferramentas de estudo,não são afetados pelas novas medidas.

Segundo a agência estatal Xinhua,o setor chinês de “humanos digitais” movimentou 4,1 bilhões de yuans (cerca de US$ 600 milhões) em 2024,registrando crescimento de 85% em relação ao ano anterior.

As novas regras também proíbem que os chamados “humanos digitais” produzam conteúdos que incentivem a subversão do poder do Estado e vetam a oferta de parceiros virtuais para menores de idade. Além disso,as plataformas passam a ser obrigadas a utilizar sistemas capazes de identificar emoções extremas e implementar mecanismos de intervenção em situações de crise.

A China é a primeira grande economia a adotar regras específicas voltadas para ferramentas de IA imersiva que simulam relações românticas ou familiares. O tema,porém,vem despertando debates e pedidos por medidas de proteção em diferentes países.

Um estudo de 2025 da Common Sense Media revelou que quase três em cada quatro adolescentes dos Estados Unidos já utilizaram companheiros de IA voltados para conversas pessoais,como os oferecidos pelas plataformas Character.AI,Replika e Nomi.

Empresas também vêm desenvolvendo produtos destinados a idosos em situação de isolamento,como assistentes de voz em formato de luminária,nos Estados Unidos,e bonecas interativas utilizadas em instituições de longa permanência na Coreia do Sul.

“A IA antropomórfica pode aliviar a solidão”,afirmou Chen Liang,da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste da China,em um artigo publicado pela ACC após a divulgação do rascunho das regras,em abril. “Mas ela também traz riscos significativos de dependência afetiva excessiva”,acrescentou.

O Doubao permitirá que os usuários consultem e exportem seus dados até meados de outubro. Outras plataformas adotaram medidas semelhantes.