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Praça Onze Maravilha: entenda ponto a ponto como será o projeto de transformação do entorno do Sambódromo e outras áreas

Jul 11, 2026 IDOPRESS

Praça Onze Maravilha prevê reurbanização do entorno do Sambódromo e derrubada de viaduto — Foto: Márcia Foletto/13-04-2026

RESUMO

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GERADO EM: 09/07/2026 - 22:09

Projeto Praça Onze Maravilha: Transformação Urbana no Rio de Janeiro

O projeto Praça Onze Maravilha,no Rio de Janeiro,visa transformar o entorno do Sambódromo,incluindo a demolição do Elevado 31 de Março e requalificação da Marquês de Sapucaí. O plano busca revitalizar a área,aumentar a atratividade turística e expandir moradias e comércios. Serão criados novos equipamentos culturais e realizados convênios para expandir o metrô. Moradores preocupam-se com possíveis desapropriações,apesar das garantias contrárias. Investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão serão aplicados.

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A Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha tem como principais objetivos requalificar a paisagem urbana; ampliar a atratividade turística da região,incentivar a ocupação de áreas subutilizadas; ampliar a oferta de moradia,comércio e serviços; preservar a população residente; e fortalecer a política habitacional na área no entorno do Sambódromo. Uma das intervenções urbanísticas mais relevantes será a demolição do Elevado 31 de Março,com a implantação,para substituí-lo,de uma nova avenida,com uma nova configuração viária na região. Pelo sancionado até agora,a via que substituirá o elevado poderá ter suas novas faixas na superfície ou no subsolo. Não há definição,portanto,sobre a construção de um mergulhão na região. Estudos futuros apontarão a melhor solução. Outro ponto crucial é a requalificação do próprio Sambódromo,com a integração da passarela da Marquês de Sapucaí com o entorno.

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Confira outros pontos incluídos na lei que autoriza a implantação do projeto Praça Onze Maravilha,sancionada ontem pelo prefeito eduardo Cavalieri:

Entre os novos equipamentos culturais e turísticos,destaca-se a implantação da Biblioteca dos Saberes (projeto que será assinado pelo arquiteto burquinês Francis Kéré). É prevista a celebração de convênio com o governo do Estado para auxiliar no desenvolvimento de projeto da extensão da linha 2 do metrô para atender a Praça da Apoteose e o bairro do Catumbi,com a construção do trecho Estácio-Carioca,e duas novas estações (Catumbi e Praça da Cruz Vermelha).O mais antigo conjunto habitacional federal do Rio,a Vila Operária Salvador de Sá,deve ser preservado e requalificado. Entre as novas regras urbanísticas,a região é dividida em setores com parâmetros específicos de ocupação.É exigido que todas as novas edificações tenham fachadas ativas (que permitem a interação entre o espaço privado com área pública) nas testadas voltadas para a rua ou calçada. É estimulado o retrofit de imóveis para uso residencial e incentiva a produção de moradia estudantil. Assim como acontece com o Reviver Centro,o Praça Onze Maravilha concederá uma espécie de bônus urbanístico (“operações interligadas”,no jargão técnico) para empresários que investem na região aplicarem em empreendimentos em outras áreas,nas zonas Sul e Norte da cidade.Os bairros que integram essa operação interligada são Rio Comprido,Copacabana,Leme,Ipanema,Lagoa,Botafogo,Flamengo,Catete,Glória,Tijuca e Praça da Bandeira,além de todos os bairros da Zona Norte que integram a Área de Planejamento 3 (AP 3) do Rio,exceto a Ilha do Governador. A medida permite o aumento de gabarito em áreas receptoras mediante contrapartida financeira.São estabelecidas regras específicas para cada região receptora. O potencial construtivo a ser aplicado por operação interligada é menor para os bairros da Zona Sul do que para os da Zona Norte.A transformação urbanística prevista deverá observar as visadas do bairro de Santa Teresa,devido a sua relevância paisagística e urbana para a cidade.Os projetos previstos para a execução do Praça Onze Maravilha poderão ser implementados diretamente pelo poder público ou por particulares contratados pela administração pública municipal.Uma das diretrizes é a priorização do uso de imóveis públicos ociosos como mecanismo de impulsionamento da transformação urbana,incluindo a implementação de habitações de interesse social.Sessenta e um imóveis da prefeitura,localizados em sua maioria no Centro,no Estácio e na Cidade Nova,podem ir a leilão para financiar as despesas do projeto.Na lista de imóveis disponíveis,o considerado mais valioso é o da Cidade do Samba,na Rua Rivadávia Corrêa 60,que reúne os barracões das 12 escolas do Grupo Especial do carnaval carioca. É estabelecida,no entanto,a continuidade das atividades das escolas de samba,impedindo que os trabalhos realizados nos barracões sejam interrompidos durante o processo de modernização ou eventual transferência de local.Caso o imóvel do Centro de Artes Calouste Gulbenkian,na Cidade Nova,seja visado pelo mercado,o espaço será transferido para outro local na mesma região,garantindo a continuidade das atividades do centro municipal.  É criado um Comitê de Acompanhamento das obras,com participação de prefeitura,Câmara Municipal,moradores,sociedade civil e representantes de atividades econômicas locais.

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O projeto abrange uma área de 458 mil metros quadrados e prevê investimentos estimados em R$ 1,7 bilhão por meio de uma parceria público-privada. Segundo a prefeitura,o projeto não prevê desapropriações e pretende atrair investimentos privados para a região. A proposta recebeu 180 emendas durante a tramitação na Câmara de Vereadores,das quais 60 foram incorporadas ao texto sancionado.

O prefeito Eduardo Cavaliere — Foto: Jéssica Marques/Agência O Globo

— Os poucos moradores que vivem na Praça Onze,muitos deles vivem em condições degradantes,alguns em condições sub-humanas. Essa realidade ficou invisibilizada durante muito tempo. A gente está pisando numa terra sagrada do Brasil,num lugar único da nossa história — afirmou Cavalieri ao defender o projeto.

Moradores se preocupam

Apesar das garantias dadas pela prefeitura de que não haverá desapropriações,moradores demonstraram preocupação com os impactos das intervenções.

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Morador da Praça Onze há 65 anos,Renato Pinto de Amorim afirmou que a principal apreensão da população é a situação de 324 imóveis classificados como alienados,que poderão ser vendidos ou leiloados.

— A maior preocupação dos moradores é o fantasma da desapropriação. São famílias que vivem aqui há décadas e não têm condição financeira de comprar outro imóvel. A prefeitura fala em revitalizar a Vila Operária,mas também deveria pensar na recuperação dessas casas. O medo é perder o lugar onde sempre viveram — disse.