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Com maior gasto por aluno, estado do Rio está em penúltimo lugar na educação

Jun 1, 2026 IDOPRESS

Na Escola Estadual Visconde de Cairu,no Méier,o índice de reprovação chegou a 40% entre estudantes do primeiro ano do Ensino Médio,em 2025 — Foto: Gabriel de Paiva

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GERADO EM: 31/05/2026 - 23:54

Investimento alto,mas Rio de Janeiro é penúltimo no Ideb: gestão falha e corrupção são apontadas como causas principais

Apesar do investimento anual de R$ 19,5 mil por aluno,o estado do Rio de Janeiro ocupa o penúltimo lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Especialistas apontam falhas na gestão e falta de prioridade política como causas principais. Apesar de recursos suficientes para reverter a situação,o estado enfrenta problemas de corrupção e má alocação de recursos,como mostram denúncias recentes.

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As contas fluminenses para a educação estão no azul. A qualidade segue no vermelho. O estado lidera os gastos com ensino público no Brasil,mas é o penúltimo no indicador que mede a qualidade da aprendizagem no país,o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os números das movimentações financeiras vêm do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos na Educação (Siope) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),e a comparação é resultado de um levantamento do Movimento EducAçãoRio. Em território fluminense,gasta-se R$ 19.580 por aluno ao ano. O valor é 83% mais alto que o de Goiás,que ocupa o topo da tabela do Ideb com o melhor ensino e,segundo o que é declarado ao mesmo sistema,gasta R$ 10.704.

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— O estado tem um papel muito importante,tanto na entrega de educação pública quanto na indução,ou seja,na qualificação dos municípios para entregar qualidade. O Ideb é publicado a cada dois anos. Nosso último indicador mostra que o estado está em penúltimo lugar. Apesar de a gente ter o segundo maior PIB do Brasil,quando se fala de educação a relação se inverte — diz Carla Jucá,diretora-executiva do Movimento EducAçãoRio,que contou com a parceria da Falconi Consultoria no levantamento.

Cada unidade federativa declara quanto destina para a pasta. O levantamento revela ainda que as despesas correntes,informadas pelo estado do Rio,avançaram em mais de 110% em cinco anos.

— Esse investimento não chegou na valorização dos professores e nem na sala de aula — frisa a diretora.

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No mês passado,um diretor denunciou à Polícia Federal que o deputado estadual Thiago Rangel (que está preso) o pressionava para que R$ 200 mil fossem desviados de uma escola do Noroeste do Rio para financiar a campanha de sua filha em 2024. Outro escândalo foi a confirmação,pelo governador interino,Ricardo Couto,que funcionários fantasmas recebiam como servidores. Enquanto isso,professores do estado dizem amargar anos a fio sem aumento significativo no salário-base.

— Nossos grandes desafios são tanto a luta por uma educação de qualidade quanto para a valorização dos profissionais da educação — afirma Pedro Mara,professor de Sociologia do Colégio Estadual Jornalista Tim Lopes,no Complexo do Alemão.

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Alunos do colégio citam outros problemas: segurança e estrutura. Dizem que a instituição tem equipamentos de tecnologia,mas a internet não funciona.

Colégio Estadual Tim Lopes,vizinho do Complexo do Alemão — Foto: Fabiano Rocha

Outros relatos vêm de escolas estaduais da Baixada e do Sul Fluminense. Professores relatam que receberam livros em grande volume,além da necessidade dos alunos. Equipamentos 3D e de realidade virtual também são subutilizados ou sequer têm uso.

— Os livros ficavam no pátio,disponíveis para quem quisesse pegar — diz uma professora de Mesquita,que também notou um aumento expressivo de reformas nas unidades de ensino.

A Secretaria estadual de Educação informou que a distribuição do material didático contempla,além do atendimento aos alunos matriculados,uma reserva técnica destinada a novas matrículas,transferências e reposições ao longo do ano letivo.

Sobre gastos em excesso,foi iniciada uma auditoria administrativa “de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual”. O Executivo diz ainda que passa a adotar medidas como “a definição de um teto de R$ 130 mil,em conformidade com a Lei de Licitações 14.133,para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. Quaisquer obras que ultrapassem esse limite passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas (Emop-RJ)”.

Decisão política

Olavo Nogueira Filho,diretor-executivo do Todos Pela Educação,diz que numa perspectiva esperançosa alguns pilares podem levantar o Rio na educação:

— Primeiro,o Rio já dispõe de recursos suficientes para mudar essa realidade. Em segundo lugar,dá para aprender com vários estados brasileiros que avançaram nos últimos anos,encurtando o caminho e acelerando o passo. A questão-chave,no caso do estado,tem nome e sobrenome: decisão política — diz o especialista.

Como noticiou o colunista Antônio Gois,do GLOBO,o Piauí foi o único estado a registrar melhorias consecutivas,tendo hoje o sexto maior indicador no ensino médio estadual. Enquanto o Rio,que chegou a ocupar a quarta colocação em 2013,despencou para penúltimo lugar nos resultados mais recentes.

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Carla Jucá concorda que exemplos de outros estados brasileiros,além dos primeiros no Ideb (Goiás e Paraná),podem inspirar a gestão fluminense.

O Ceará desenvolveu políticas públicas nos últimos anos que dão bons resultados. A Lei do ICMS para o ensino foi inspirada no estado nordestino. Em 13 anos,foram rateados entre municípios mais de R$ 8,3 bilhões da cota do ICMS para saúde e educação. Entre as unidades da Federação,o estado do Rio foi o último a aderir,há 12 dias. Teca Pontual,diretora-executiva do Instituto João e Maria Backheuser e especialista em gestão educacional,frisa,no entanto,que não se pode aplicar um modelo padrão para todos os municípios fluminenses:

— Municípios pequenos ou da Baixada têm desafios gigantescos. A defasagem (que começa na alfabetização) vai se acumulando nos anos finais. É preciso um trabalho sério com recomposição. Além disso,escândalos [de corrupção] dificultam muito a relação de confiança e legitimidade para que a política seja implementada — diz Teca.

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