
"A frota automóvel do SNQTB e das suas entidades participadas integra atualmente 25 viaturas,adquiridas entre 2023 e 2025,no âmbito do plano definido para o mandato 2023-2027",disse fonte oficial do sindicato,em resposta a perguntas da Lusa.
O SNQTB não esclareceu quantas viaturas foram compradas em cada ano,quantas são da marca Tesla nem os montantes gastos. Segundo informações recolhidas pela Lusa,em 2025 pelo menos mais de dez carros adquiridos foram da marca Tesla.
Segundo a entidade que representa bancários,o investimento relaciona-se com as necessidades identificadas para a organização "com quase duas centenas de trabalhadores,dirigentes,representantes sindicais e colaboradores distribuídos por todo o território nacional" e integra uma estratégia de "proximidade contínua aos sócios,incremento da filiação sindical,reforço da capacidade operacional das equipas e,simultaneamente,racionalização de custos face às soluções anteriores".
"O objetivo é substituir,de forma gradual,soluções dispersas e mais onerosas",disse fonte oficial.
Nas últimas semanas,fontes contactadas pela Lusa disseram que,nos anos mais recentes,as despesas aprovadas pela direção do sindicato têm gerado mal-estar na organização,desde logo a compra de carros.
Segundo as informações obtidas pela Lusa,até início de 2023 o SNQTB não tinha viaturas e só depois foram adquiridos alguns carros de serviço,que eram usados quando necessário. Já no ano passado,o investimento na frota aumentou significativamente.
A atual direção do SNQTB,que tomou posse em outubro de 2023 presidida por Paulo Marcos (presidente desde 2015),tem vindo a perder membros. Dos 11 que compunham a direção inicialmente,mantêm-se oito,após as saídas de Joaquim Casa Nova (vice-presidente da direção) e ainda dos diretores António Rodrigues e Leonor Cunha.
Contactados pela Lusa,Joaquim Casa Nova e António Rodrigues recusaram falar,tendo respondido por mensagem que deixaram a direção em final de setembro de 2025 e remeteram qualquer assunto para a atual direção.
Leonor Cunha também foi parca em palavras mas confirmou divergências: "Deixei de me identificar com a estratégia,o projeto e a equipa",disse.
Já segundo fonte oficial do SNQTB,"as recentes saídas resultaram de decisões pessoais dos dirigentes em causa,que já se encontravam ligados à direção há quase 10 anos --- situação comum em mandatos longos e exigentes". Acrescentou que as saídas não comprometem "a estabilidade,a capacidade de gestão nem a continuidade da ação estratégica do SNQTB".
Quanto à compra de carros,o SNQTB não disse quantos foram comprados em 2025 nem o valor gasto. Detalhou que se tratam de Seat Leon,Skoda Octavia e Tesla Model 3 e que foram selecionados "com base em critérios de eficiência económica,funcionalidade,durabilidade e preocupação ambiental,privilegiando opções com menor consumo e menor impacto ambiental,em linha com os princípios de sustentabilidade que orientam a atuação do SNQTB".
Fonte oficial respondeu que as "viaturas se destinam prioritariamente a uso de serviço,estando afetas a funções permanentes,como deslocações institucionais e acompanhamento de sócios,realizadas por dirigentes e quadros a nível nacional"
A Lusa questionou ainda o SNQTB sobre a diminuição das comparticipações de saúde,ao mesmo tempo que há investimento em frota,uma das preocupações manifestadas à Lusa por críticos da gestão.
Segundo fonte oficial,"a gestão da frota automóvel e a definição das comparticipações de saúde são matérias distintas,decididas em momentos diferentes,com fontes de financiamento próprias e critérios específicos,não podendo ser estabelecida qualquer relação causal entre ambas".
O SNQTB acrescentou que o seu subsistema de saúde é no setor bancário aquele com "o nível mais elevado de apoio aos seus associados e respetivos agregados familiares" e que tem vindo "a reforçar as comparticipações em áreas específicas e prioritárias,como óticas,consultas de dermatologia e apoio à natalidade",isto - referiu - "num contexto de aumento acelerado dos custos na área da saúde".
O SNQTB terminou a vincar a sua "gestão responsável e transparente,orientada para reforçar a proximidade aos sócios,garantir a sustentabilidade financeira da organização e defender de forma consistente os interesses dos trabalhadores do setor financeiro".
Contactado pela Lusa sobre este tema,o presidente do sindicato SICOS (que representa trabalhadores do SNQTB) criticou os gastos em frota quando - considera - enquanto patrão o SNQTB não paga devidamente aos cerca de 100 empregados.
"É de lamentar que o SNQTB recorra à compra de uma frota automóvel quando em simultâneo,ano após ano,argumenta que não tem recursos financeiros para aumentar os salários a não ser pelo valor da inflação ou abaixo",disse Fernando Santos à Lusa.
O SNQTB é um dos sindicatos representativos dos bancários. Por sua vez,também tem empregados a seu cargo (ou seja,é entidade patronal),que são representados nas negociações salariais (e outras) por outros sindicatos,como o SICOS.
O dirigente sindical afirmou ainda que o SNQTB faz "manifestações à porta dos bancos a dizer 'lucros de milhões aumentos de tostões' quando na prática faz o mesmo internamente".
O SNQTB tem 24 mil associados e é o maior sindicato de trabalhadores bancários no ativo,segundo os últimos dados. Em 2025,segundo o último relatório e contas,o SNQTB teve receitas de quase 67,7 milhões de euros. Nos gastos,mais de 52 milhões de euros foram para despesas de saúde.
O resultado líquido em 2025 foi de lucro de 7,3 milhões de euros.