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‘IA vai cortar pela metade o custo de novos remédios’, diz executivo de laboratório que desenvolve drogas contra doenças como Alzheimer

Jul 7, 2026 IDOPRESS

Josiel Florenzano,presidente da Lundbeck Brasil,vê com otimismo avanço tecnológico na ciência,que pode reduzir tempo de desenvolvimento e o preço final de medicamentos — Foto: Divulgação/Lundbeck

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 05/07/2026 - 21:23

Inteligência Artificial Revoluciona Desenvolvimento de Medicamentos Neurológicos no Brasil

Josiel Florenzano,líder da farmacêutica dinamarquesa Lundbeck no Brasil,destaca o papel da inteligência artificial (IA) na redução de custos e tempo no desenvolvimento de medicamentos para doenças neurológicas. A IA promete acelerar processos e baratear tratamentos,essenciais para uma população envelhecida. No Brasil,a Lundbeck,focada no sistema nervoso central,realiza parcerias para pesquisas clínicas e vê crescimento no uso de antidepressivos pós-pandemia. Florenzano enfatiza a importância da inovação e da adaptação contínua às novas tecnologias.

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A inteligência artificial (IA) poderá reduzir pela metade o tempo necessário para desenvolver novos medicamentos e já é aplicada nesse sentido pela farmacêutica dinamarquesa Lundbeck,dedicada a males do cérebro como depressão e ansiedade.

É o que diz,em entrevista ao GLOBO,o presidente da filial brasileira,Josiel Florenzano.

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As etapas repetitivas e até os ensaios clínicos devem ficar mais rápidos e baratos,levando a medicamentos mais acessíveis ao consumidor,prevê o executivo,que está há 40 anos no setor e passou por outras farmacêuticas,como Aché e Novartis.

A empresa não abre números por país,mas ele diz que o Brasil segue a tendência mundial pós-pandemia de aumento nas vendas de medicamentos psiquiátricos. O carro-chefe da companhia,única no mundo dedicada somente a tratamentos para o sistema nervoso central,são antidepressivos,todos importados da Europa.

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Josiel Florenzano,em seu escritório na Barra da Tijuca,no Rio: aos 64 anos,ele acumula quatro décadas na indústria farmacêutica — Foto: Divulgação/Lundbeck

A empresa,no entanto,realiza estudos clínicos de novos medicamentos no Brasil em parceria com instituições de pesquisas locais. O grupo dinamarquês centenário acaba de completar 25 anos no país. Destina 20% do faturamento global ao desenvolvimento de novas drogas — o equivalente a R$ 4 bilhões em 2025 — e tem investido mais agora na frente neurológica,na trilha do aumento da longevidade.

Florenzano está otimista com os avanços do setor,principalmente em relação à chegada ao mercado em pouco tempo de novos remédios para epilepsias raras e as doenças de Parkinson e Alzheimer. Aos 64 anos,ele dirige a Lundbeck Brasil no Rio desde a década passada e atribui sua energia para continuar na ativa à curiosidade constante. Ele aprendeu inglês aos 40 anos para migrar da área comercial para a executiva e se diz interessado no momento em leituras sobre as possibilidades da IA.

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No escritório brasileiro,o CEO busca uma relação próxima dos 120 funcionários. Faz questão de ligar para cada um de seu celular na manhã de seus aniversários. Numa empresa que desenvolve soluções para aliviar pacientes com males mentais,o executivo diz ficar atento a iniciativas que possam evitar que seus subordinados precisem usar os antidepressivos ou ansiolíticos que a companha fabrica.

Qual é a importância do Brasil para a Lundbeck?

A Lundbeck tem mais de 100 anos. No Brasil,somos jovens ainda,mas,no nosso ranking global,o país tem ficado entre o oitavo e o nono mais importantes. De cada dez pacientes que tomam antidepressivo no Brasil,três usam um produto da Lundbeck ou (genérico) que tem origem em pesquisa da companhia.

Ou seja,quase um terço dos pacientes que tratam depressão no país tem a pesquisa da Lundbeck por trás. Há outras empresas que também trabalham com o sistema nervoso central,mas a Lundbeck é a única que se dedica 100% a isso. Todos os nossos investimentos e pesquisas estão relacionados a doenças mentais.

Josiel Florenzano,presidente da Lundbeck Brasil — Foto: Divulgação/Lundbeck

Esse é um mercado crescente? Há diferença no Brasil em relação ao mundo?

Percebemos nos anos após a pandemia um aumento significativo do uso desse tipo de medicação. O Brasil seguiu essa tendência global. Com o confinamento em casa,o desemprego,a perda de um ente querido,ficar num ambiente totalmente isolado,fechado do mundo,o medo de morrer,todas essas questões somadas geraram um aumento de doenças da mente,principalmente ansiedade,que,maltratada,pode virar uma depressão.

Houve uma mudança na cultura e na educação sobre essa área,o que tem aumentado não exatamente o índice de doentes,mas de diagnósticos. E,consequentemente,as pessoas estão mais tratadas.

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O envelhecimento da população também influencia?

Com a expectativa de vida aumentando,algumas doenças crescem,e as mentais e neurológicas estão entre elas. Se você pensar em Alzheimer e Parkinson,são doenças tipicamente de idades acima de 60 anos e terão mais incidência. Isso motiva a indústria,a pesquisa,que está está muito relacionada a necessidades ainda não atendidas.

Josiel Florenzano,em seu escritório no Rio: grupo farmacêutico dinamarquês é 100% focado em males do cérebro — Foto: Divulgação

Qual avanço científico nessa área o deixa mais otimista?

Fiz minha carreira na área comercial,não sou um médico ou especialista,mas a maior expectativa que vemos entre os cientistas é na área do Alzheimer. Porque hoje o que a gente tem ajuda a estabilizar ou diminuir a rapidez da evolução da doença,mas não há algo que trate de forma eficaz. Eu diria que daqui a oito,dez anos teremos alguma solução importante nesse segmento.

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Empresas de IA estão lançando sistemas voltados para processos científicos. Como a IA está transformando o setor?

Se tem uma área que está sendo mais beneficiada pela IA na indústria farmacêutica é a de pesquisa e desenvolvimento. Temos usado IA nas áreas comercial,regulatória,administrativa em geral,para treinamento,para nos ajudar na melhora de eficiência. Mas é na área de pesquisa e desenvolvimento onde a gente tem se beneficiado mais,especialmente para a celeridade dos processos.

A pesquisa de um novo medicamento começa analisando centenas de moléculas,demora de 12 a 15 anos. Há hoje a expectativa de que,em breve,esse prazo vai ser reduzido ao menos pela metade. Teremos mais produtos inovadores disponíveis rapidamente no mercado. E o custo possivelmente vai ser cortado pela metade. O impacto do custo da pesquisa vai também para o bolso do consumidor.

Inclusive os ensaios clínicos vão ser acelerados. Se você pensar numa doença rara,encontrar um paciente para incluir no estudo clínico é muito difícil. Mas a IA poderá ajudar até nisso,nessa busca.

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Um país como o Brasil,que não está na fronteira do desenvolvimento da IA,mas tem acesso a essa tecnologia,pode ficar para trás ou,ao contrário,tem agora uma chance de acelerar o desenvolvimento de drogas no país com menor custo?

Acho que temos grandes chances de aumentar nossa eficiência porque,se compararmos (com outros países),já temos muita em algumas áreas,mas temos ineficiências em várias outras. O que vejo de positivo é que instituições e órgãos de governo,como a Anvisa,estão atentos a essa oportunidade de ganhar eficiência no setor com a IA.

O envolvimento da indústria farmacêutica com pesquisa no Brasil é muito benéfico porque traz recursos para universidades e instituições. A Lundbeck tentou por muitos anos trazer pesquisa para o Brasil,mas havia limitações na legislação,que foram revisadas recentemente.

Pela primeira vez,nós temos estudos clínicos no país para epilepsias raras. Temos 107 centros de estudos clínicos rodando hoje no Brasil. Isso nos dá um horizonte positivo em relação ao campo da neurologia,que continua dentro do nosso core business,mas agora saindo um pouco da psiquiatria e avançando mais para neurologia.

A gente está bastante otimista com o segmento de doenças raras porque o governo também tem dado uma atenção muito boa nessa área,ouvindo as empresas do setor sobre como ampliar o acesso.

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Sabemos que o trabalho é hoje uma das principais causas de males mentais. Como gestor de uma equipe de 120 empregados no Brasil,que cuidados o senhor toma para evitar que eles de tornem consumidores de medicamentos da empresa?

Ficamos positivamente surpresos quando fomos agora implementar a parte de saúde mental da NR-1 (norma que rege segurança no trabalho e passou a exigir a gestão de riscos de doenças psicossociais),porque grande parte dos itens mandatórios nós já praticávamos. Por exemplo,atividades de bem-estar e relaxamento na empresa,horário flexível,home office em sistema híbrido,área de convivência no escritório.

Já tínhamos um programa de saúde mental que permite às pessoas ligarem de forma anônima para serem atendidas,além de treinamento constante de comunicação não violenta e combate ao assédio. O assédio moral hoje é um dos grandes causadores de questões mentais nas empresas. São coisas sutis,que vão se acumulando.

Estando numa empresa focada em saúde mental,seria incoerente a gente não trabalhar essas questões com nossos funcionários. Não acredito na separação do indivíduo profissional e pessoal. Não saio para trabalhar,tranco minha porta e falo: problema de casa,fique aí. Somos seres únicos.

Preciso desenvolver uma liderança que entenda as questões individuais,sem ser invasivo na vida pessoal das pessoas. Se uma está com o filho doente em casa,não posso exigir que produza a mesma coisa daquele dia. Quando falo em gestão humanizada,é entender e ajudar o indivíduo.

Aos 64 anos,como avalia sua própria longevidade no mercado. Qual é o diferencial de profissionais mais experientes?

Acho que o principal valor de uma pessoa na minha idade tem que ser a abertura e a capacidade de aprender o novo. Associar a sua experiência com o novo. Posso ajudar em muita coisa,mas se eu não tiver abertura para aceitar e aprender um pouco da IA,por exemplo,vou começar a ficar fora do mercado.

A velocidade das mudanças tem sido muito alta. Eu vejo colegas meus fechados para esses ajustes e eles vão ter que parar mais rápido. Então,é preciso estar aberto à tecnologia,aberto a ouvir os mais jovens. Existe uma expressão em inglês que eu gosto muito: lifelong learning,aprendizado por toda a vida.