
Donald Trump cumprimenta espectadores a caminho da inauguração da Biblioteca Presidencial Theodore Roosevelt em Medora,Dakota do Norte — Foto: Saul Loeb/AFP
GERADO EM: 01/07/2026 - 15:28
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
A esposa do presidente americano Lyndon Johnson (1963-1969) era proprietária de um lucrativo grupo de comunicação. George W. Bush fazia parte do conselho de administração de uma empresa petrolífera enquanto seu pai ocupava a Casa Branca. Hunter Biden recebeu pagamentos de uma empresa ucraniana de gás natural enquanto Joe Biden era vice-presidente. Porém,não há paralelo com o caso de Donald Trump,que no primeiro ano de mandato faturou US$ 2,2 bilhões por meio de empresas — incluindo US$ 1,4 bilhão em receitas provenientes de negócios com criptomoedas,beneficiados por suas ações como presidente.
Mandato lucrativo: Trump fatura US$ 2,2 bilhões em 2025,e atividade privada levanta questionamentos sobre conflito de interesses com o cargoParceira crucial do Trump 2.0: Suprema Corte aumentou poder do Executivo de forma inédita
Historiadores e pesquisadores apontam que a regra geral entre presidentes americanos tem sido se afastar de negócios empresariais,mesmo levando prejuízo,para não configurar conflito de interesse. Trump e sua família fizeram o oposto: criaram novos empreendimentos,e não parecem se esforçar para esconder qualquer benefício alcançado.


A Casa Branca e a família Trump têm rejeitado questionamentos sobre os ganhos do presidente. As alegações de conflito de interesse têm sido rebatidas com o argumento de que os dois filhos mais velhos de Trump,Eric e Donald Jr.,administram as operações da família. É uma mudança marcante de postura,mesmo em comparação ao primeiro mandato.
Continuar Lendo
Quando Trump chegou a Washington em 2017,ele e a família concordaram em não fechar novos contratos internacionais,cientes de que isso poderia alimentar acusações de que estariam lucrando com o mandato. Ainda assim,surgiram questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse devido a gastos de governos estrangeiros e lobistas em hotéis de Trump e em outros estabelecimentos pertencentes à sua família.
— No primeiro mandato fizemos tudo o que era imaginável para evitar qualquer aparência de conduta imprópria e,francamente,fomos atacados da mesma forma — disse Eric Trump no fim de 2024,pouco antes da eleição,argumentando que a Presidência havia custado ao pai "uma fortuna".
Os filhos de Trump de fato administram as operações empresariais da família,mas o presidente é o beneficiário dos fundos fiduciários criados após sua primeira eleição,e continua lucrando com as atividades empresariais. A maioria dos ex-presidentes da era moderna vendeu empresas e mesmo participações em negócios e ações individuais antes de assumir o cargo.
George W. Bush (2001-2009) vendeu sua parte no time de beisebol Texas Rangers,enquanto Jimmy Carter (1977-1981) transferiu a administração de sua produção de amendoim para um administrador independente.
Depois do assassinato de John F. Kennedy e da chegada de Lyndon Johnson à Casa Branca,sua esposa,Lady Bird Johnson,transferiu suas emissoras de rádio e televisão para um grupo administrado por um advogado e um executivo do setor de radiodifusão.
Mesmo quando filhos ou irmãos de presidentes realizaram negócios — em uma escala muito menor do que Trump — esses episódios tiveram forte reação pública. James Roosevelt,filho de Franklin D. Roosevelt (1933-1945),foi coproprietário de uma companhia de seguros que vendia apólices para empresas americanas e órgãos do governo enquanto ele trabalhava como assessor do pai. Depois que a revista The Saturday Evening Post e o jornal The New York Times publicaram sobre os negócios,o filho do presidente deixou o cargo no governo.