
Milly Alcock como Kara em 'Supergirl' — Foto: Divulgação / Warner Bros. Pictures
Após fazer sua estreia no novo universo cinematográfico da DC Comics com uma breve participação em “Superman” (2025),a prima do Homem de Aço,Kara Zor-El,chega aos cinemas hoje com um filme só seu: “Supergirl”.
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Vivida por Milly Alcock,conhecida do grande público pelo trabalho como a jovem Rhaenyra Targaryen na primeira temporada de “A casa do dragão”,Kara é uma jovem que,ao contrário do primo Clark (David Corenswet),tem dificuldades de se adaptar à vida na Terra após a destruição de seu planeta-natal,Krypton. Ela,então,passa os dias farreando em diversos cantos do universo,principalmente em planetas com o sol vermelho,em que não tem poderes e pode,entre outras coisas,embebedar-se.
Assim como sua personagem,Milly conta que também festejou tomando uns drinques ao descobrir que interpretaria a super-heroína.
— Tive uma reunião com Peter Safran (co-CEO da DC Studios) no fim de 2023. Ele me disse que tinha este filme,“Supergirl”. Meses depois,eu estava na Austrália,de volta em casa,e recebi uma ligação pedindo para mandar um teste de vídeo. Fiz isso. Dez dias depois,eu estava em Atlanta,fazendo um outro teste. Uma semana depois,James Gunn (o outro co-CEO) me mandou um Whatsapp com uma reportagem anunciando que o papel era meu — lembra a atriz australiana,de 26 anos,ao GLOBO durante passagem pelo Rio no início do mês. — Literalmente,foi uma mensagem no Whatsapp. Não me ligaram,me pareceu quase sem importância. Estava de volta à Austrália. Recebi a mensagem e falei: legal! Foi empolgante,mas é uma coisa assustadora. Então,comprei a champanhe mais barata do mercado e fiquei bêbada com minhas amigas.
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O longa é uma adaptação de “Supergirl: Mulher do amanhã” (Panini,2022),HQ de Tom King ilustrada e colorida pelo casal de brasileiros Bilquis Evely e Matheus Lopes. A dupla,por sinal,não é a única relação do projeto com o Brasil. “Supergirl” tem roteiro escrito por Ana Nogueira,que,como o próprio nome entrega,tem raízes brasileiras.

Filme 'Supergirl' está previsto para chegar aos cinemas em junho de 2026 — Foto: Divulgação/Warner Bros
— Meu pai é brasileiro. E ele foi a única pessoa da família dela a se mudar para os Estados Unidos. Então,metade de minha família vive no Brasil. Vinha muito ao Brasil quando criança. Passávamos o Natal aqui a cada dois anos — conta Ana,de 41 anos,conhecida pelo trabalho como atriz na série “Diários de um vampiro”. — Passei minha lua de mel no Brasil,porque queria mostrar o país ao meu marido (o ator da Broadway Nick Blaemire). Brasil é uma grande parte de minha vida.
“Supergirl” marca a estreia de Ana no universo DC após anos da roteirista trabalhando em outros projetos dentro da gigante dos quadrinhos. Ela chegou a trabalhar no texto de um filme da “Supergirl” ainda com Sasha Calle,que viveu a personagem em “The Flash”,antes do universo DC receber um reboot pela nova direção da empresa. Ela também esteve envolvida com o roteiro de um possível novo filme da “Mulher-Maravilha”.
Na trama do novo projeto,Kara tem a vida de farras interrompida pelo envenenamento de seu cachorro,Krypto,pelo temido Krem (Matthias Schenaerts). Ao lado da pequena Ruthye (Eve Ridley),que também busca se vingar do vilão após a morte dos pais,a Supergirl viaja por planetas em busca de Krem e do antídoto para salvar seu doguinho. O elenco conta ainda com Jason Momoa no papel do clássico anti-herói da DC,Lobo.
Ao contrário de muitos filmes do gênero,em que os super-heróis estão sempre salvando a Humanidade,aqui temos uma garota salvando seu doguinho. Ana acredita que isso torna o filme mais fácil de se conectar com o público.
— Às vezes,algo tão grande como salvar o mundo se torna meio abstrato,difícil de se conectar,de se relacionar. Queríamos que a coisa mais importante na história fosse essa personagem e precisávamos manter o foco nela. O cachorro simboliza tanta coisa para ela. O planeta e a família que perdeu e tudo o que conheceu. Sentimos que são coisas pelas quais as pessoas passam,obviamente em uma escala maior. Normalmente,o seu cachorro não é envenenado — conta a roteirista.

Roteirista Ana Nogueira,americana filha de pai brasileiro,lança "Supergirl" no Rio de Janeiro — Foto: Divulgação / Warner Bros. Pictures
Milly concorda,mas esclarece: para Kara,Krypto é o mundo.
— Penso que no fim das contas todos nós existimos em nossa própria compreensão de mundo. Para Kara,Krypto é seu mundo. Vemos que quando ela adota o Krypto,é como um renascimento de sua mãe. Penso que ele é uma representação de todo lugar que ela já esteve e todas as pessoas que ela já amou — explica a atriz. — Ela não está literalmente salvando o mundo,mas está simbolicamente salvando o seu mundo. E é o único poder que controlamos em nossas vidas.
O diretor Craig Gillespie,também australiano e conhecido pelos trabalhos em “Eu,Tonya” (2017) e “Cruella” (2021),lembra que foi este elemento mais conectável que o deixou empolgado com o projeto.
— Não é sobre salvar o universo. É sobre algo muito conectável. No seu próprio universo,o que é importante para você. São as pessoas,são os animais. Você se descobre em suas prioridades — aponta o cineasta,de 58 anos.
Craig conta que desde o início do projeto,quando ainda estava sendo entrevistado para a função de diretor,ele sempre fez questão de deixar clara sua visão da história.
— Eu recebi o roteiro e fiz uma reunião com James e Peter. Eles estavam em Atlanta filmando “Superman”. Eu amei o roteiro. Eles estavam conversando com outros diretores também,mas,para mim,foi importante mostrar exatamente o que eu queria fazer. Se eles gostassem,ótimo. Se não gostassem,tudo bem. Você não quer ser pego no meio do caminho fazendo um filme diferente — diz o diretor. — Apresentei 120 imagens,dei meu pitch. Disse que gostaria que ela ficasse boa parte do filme sem o uniforme da Supergirl. E funcionou. Felizmente,eles tinham visão parecida com a minha. Estamos aqui.