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Governo Lula espera reunião com representante de Comércio dos EUA nesta semana para discutir tarifaço

Jun 8, 2026 IDOPRESS

Mauro Vieira,ministro das Relações Exteriores,que deve conversar com americanos nesta semana — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

RESUMO

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GERADO EM: 04/06/2026 - 17:40

EUA Reconstroem Tarifas Globais com Foco em Direitos Humanos

Após a Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas globais de Trump,o governo busca reconstruí-las usando direitos humanos como justificativa. Novas tarifas de 10% a 12,5% visam 59 países e a UE,alegando falta de combate ao trabalho forçado. Especialistas apontam que a medida serve mais como barreira comercial do que proteção aos direitos humanos,enquanto a estratégia enfrenta críticas e elogios.

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O governo Lula conta com uma reunião por videoconferência nesta semana com o representante de Comércio dos Estados Unidos,Jamieson Greer,para discutir as novas tarifas ao país. Devem participar os ministros Marcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).

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O encontro seria dentro do grupo de trabalho que foi acertado na reunião de 7 de maio na Casa Branca entre os presidentes Luiz Lula Inácio da Silva e Donald Trump para discutir questões tarifárias.

Na quarta-feira da semana passada,Vieira conversou com Greer à margem da reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),em Paris.

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— Conversamos,ele disse que estavam tendo ótimas conversas com o Brasil. Eu disse que é do nosso interesse manter conversas sobretudo depois dos anúncios,dos laudos,dos relatórios finais das duas investigações sobre a seção 301.Ele disse que estava pronto para continuar a conversa e que sempre o diálogo tinha sido muito bom — disse o ministro das Relações Exteriores.

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N a semana passada,os EUA divulgaram dois relatórios sobre investigações conduzidas com base na Seção 301,da Lei de Comércio. Na primeira delas,anunciada na terça-feira,o governo Trump sugeriu um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros,em um processo sobre práticas comerciais que considera desleais,que vai do uso do Pix,passando por questões de propriedade intelectual,a decisões judiciais e desmatamento. O relatório pondera que determinados atos,políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos EUA com o país.

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No dia seguinte,Washington anunciou a proposta de uma tarifa de até 12,5% a 60 países por supostas falhas relacionadas ao “trabalho forçado”,o que significaria que o Brasil,por exemplo,não impede a entrada de produtos no país que desrespeitam essas regras. O relatório também aponta irregularidades no país em segmentos específicos. O movimento foi interpretado por economistas e especialistas em comércio exterior como uma tentativa de Trump de reerguer seu “muro tarifário” depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou em fevereiro as taxas de importações que haviam sido anunciadas pelo republicano em 2025.

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Integrantes do governo brasileiro avaliam que será mais fácil reverter,por meio de negociações com autoridades americanas,a eventual taxação de 25% sobre produtos brasileiros do que a de 12,5% anunciada nesta quarta-feira.

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O entendimento é que,como a sugestão de taxação relativa a trabalho forçado atinge países inclusive alinhados aos Estados Unidos como a Argentina,seria difícil obter um acordo para livrar o Brasil. Há ainda um entendimento que o governo Trump usa essa taxação para recompor sua política tarifária após a decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro deste ano de derrubá-las.

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Essa taxação relacionada ao trabalho forçado,porém,pode servir de argumento nas negociações para impedir a aplicação da tarifa de 25%. Na mesa de negociação,os representantes do governo podem dizer que o país já está submetido à tarifa de 12,5% e não precisaria de uma nova taxação.