
Fafá de Belém em 1976,no começo da carreira,e em 2026 — Foto: José Vidal/Agência O Globo e Divulgação
GERADO EM: 03/06/2026 - 15:48
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
O que para muitas pessoas poderia ter tons dramáticos,os 70 anos não representam nenhum peso negativo para Fafá de Belém,que responde ao tempo com... risadas.
— Eu não sou uma pessoa que liga para essas coisas do tempo que passa. Às vezes não me vejo com essa idade,às vezes morro de rir. Para mim,como se diz na minha terra,“o tempo tem tempo de tempo ser” — afirma ao GLOBO a cantora,que faz aniversário no dia 9 de agosto.
Veja: Chef com estrela Michelin ensina a receita do hambúrguer perfeito,‘sem invencionices’Entrevista: Geraldo Azevedo relembra 60 anos de carreira e diz que não para de compor: ‘Quero dizer muito mais coisas’
Para as comemorações (“Animação é o meu nome”,brinca,falando sério),o plano é começar com o próximo álbum — que,como conta,reúne canções de compositores paraenses e tem uma sonoridade que junta o eletrônico com a percussão,“a raiz”.
— Se eu fosse uma pessoa coerente (risos),se tivesse um estilo,seria “Tamba-tajá” (1976),“Água” (1977),“O canto das águas” (2002) e esse próximo. Se eu tivesse que lançar uma caixa de “resumo amazônico”,seriam esses quatro discos — explica. — Termino cada faixa aos prantos. Me toca muito. Vai ser um disco popular? Não sei.
Trocando de empresário e assinando com um novo selo,Fafá se prepara para começar uma grande turnê a partir de janeiro.
— Eu estou sempre começando. Para mim tudo é novo. Não sento no meu baú e não tenho a sede da onipresença — diz. — Se eu não tenho o que falar,não me desespero. O que me move é a música.

Fafá de Belém em 1976 — Foto: José Vidal/Agência O Globo
Antes do álbum e da turnê,nesta sexta-feira (5),ela encerra as celebrações aos 50 anos de carreira no Circo Voador (onde se apresenta pela primeira vez com um show completo),com participação do mestre Manoel Cordeiro:
— Há coisas que eu faço de graça,e outras que não faço nem por dinheiro nenhum. Um empresário que eu tinha (antigamente) dizia que não se ganhava dinheiro no Circo (Voador). Eu respondia: “Mas eu não quero ganhar dinheiro no Circo,eu quero ser feliz”. E essa felicidade é o que permeia a minha vida.
O que deixa Fafá mais feliz no Brasil de hoje é ver o povo cantando e se divertindo com ela,Gilberto Gil,João Gomes,Ivete Sangalo,Gustavo Lima,Luan Santana... O que a deixa mais triste é “a internet dando voz à ignorância”.

Fafá de Belém — Foto: Divulgação
— Há,em todas as áreas,pessoas sem nenhuma profundidade. Há uma necessidade hoje de ter uma opinião,muitas vezes sem um conhecimento aprofundado dela,e isso é muito perigoso. Você vê pessoas pedindo cancelamentos e apedrejamentos,e isso não é o povo brasileiro — afirma,antes de dar um exemplo:
— Vimos recentemente que essa onda não tem esse poder todo. Clamaram por um cancelamento do Ed Motta por uma “cagada”,uma falta de educação que ele fez e tinha uma plateia lotada cantando junto,porque as pessoas foram por causa da música. Na internet,achavam que podiam acabar com a carreira e com a história dele. Isso é de uma pretensão e de uma arrogância.
— Eu sou uma alma livre,e fico muito feliz de ter mantido essa liberdade em 50 anos de carreira. Sofri inúmeros cancelamentos,isolamentos,classificações e preconceitos (risos). No início eu não entendia,cheguei até a sofrer,mas hoje vejo que é uma história baseada em verdade — conta. — Nunca tive um profissional de marketing para me orientar em qual caminho eu deveria seguir,nunca “me prostituí” para agradar a mídia,mas sempre tracei o meu próprio caminho e apostei em coisas na contramão. O que me emociona é o que eu sei cantar.