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Lula deve levar a Trump discurso de combate ao 'crime do andar de cima', e aliados falam em trunfo eleitoral

May 6, 2026 IDOPRESS
O presidente do Brasil,Luiz Inácio Lula da Silva,e o dos Estados Unidos,Donald Trump,durante reunião bilateral na Cúpula da Asean em Kuala Lumpur,na Malásia,no último domingo (26) — Foto: Ricar

O presidente do Brasil,Luiz Inácio Lula da Silva,e o dos Estados Unidos,Donald Trump,durante reunião bilateral na Cúpula da Asean em Kuala Lumpur,na Malásia,no último domingo (26) — Foto: Ricardo Stuckert/PR

RESUMO

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GERADO EM: 05/05/2026 - 22:02

Lula e Trump debatem crime organizado e caso Ricardo Magro nos EUA

O presidente Lula pretende discutir com Donald Trump o combate ao "andar de cima" do crime organizado durante sua visita aos EUA. O caso do empresário Ricardo Magro,acusado de sonegação fiscal,será um ponto-chave,visto como trunfo político para Lula em meio a crises internas. A cooperação com os EUA no combate ao crime transnacional e a classificação de facções brasileiras como terroristas também estarão na pauta.

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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que o petista deve tratar do combate ao “andar de cima” do crime organizado com o presidente americano Donald Trump em visita aos Estados Unidos nesta semana. O Planalto tem tratado o enfrentamento do crime organizado e do crime financeiro no país como uma bandeira eleitoral. Nesse contexto,integrantes do governo dizem que inevitavelmente o nome do empresário Ricardo Magro,dono da Refit,deve ser levado à mesa pelo brasileiro,já que a atuação dele foi discutida entre os dois líderes em conversa no ano passado. 

Na avaliação desses aliados do petista,uma sinalização de eventual cooperação para prisão de Magro seria um trunfo político importante para Lula,num momento em que ele enfrenta uma crise com o Congresso e aparece numericamente atrás de seu adversário nas eleições.

Magro é considerado o maior devedor contumaz do país. Ele foi alvo da Polícia Federal no fim de novembro numa operação contra esquema de sonegação fiscal. Ele é acusado de dar calote de R$ 26 bilhões nos cofres públicos ao sonegar impostos. 

Magro virou um exemplo concreto para dar visibilidade à gestão petista no combate ao crime organizado. Ele e a empresa negam as irregularidades.

O presidente brasileiro já tratou de Magro em conversa anterior com Trump,no ano passado. Em evento no Planalto,em dezembro,o petista afirmou que conversou com o americano sobre “um dos grandes chefes do crime organizado”,sem citar nominalmente o empresário. O presidente da República relatou ter dito a Trump que se os EUA quiserem ajudar o Brasil no combate ao crime organizado,eles poderiam fazer isso “prendendo logo esse aí”.

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Aliados dizem que isso deverá ser discutido novamente na conversa prevista para ocorrer nesta quinta-feira,nos EUA. 

O vice-presidente,Geraldo Alckmin,afirmou em entrevista à GloboNews,nesta terça,que “não tem dúvidas” que o empresário será citado. Ele disse ainda que Lula deverá levar à mesa com o americano a ideia de firmar um acordo de cooperação para enfrentar as organizações criminosas transnacionais.

— Podemos fazer muita parceria nessa área,controle de fluxo financeiro,investigação,é um tema extremamente relevante. Estamos no caso,por exemplo,do combustível. Além de pegar a ponta do crime organizado,[estamos] indo em cima dos grandes promotores desse crime,envolvendo refinaria,importação de produtos,navios,comércio exterior. Esse é um tema importante que vai estar na mesa. EUA e Brasil podem fazer um trabalho em conjunto de combate ao crime organizado transnacional. Isso vale para tudo: combustível,droga,arma — disse Alckmin.

Ao ser questionado especificamente sobre Magro,Alckmin disse que isso será debatido também,sem citá-lo nominalmente.

— Mas não tenha dúvidas. Sem estar personalizando,essa é uma área gravíssima. Pela primeira vez,houve o enfrentamento para valer e pessoas foram presas,bens bloqueados e salvou o setor de combustível no Brasil,que estava totalmente dominado por grupos econômicos que só trabalhavam para sonegar. Enriquecimento ilícito,através de sonegação de impostos,e de fraudes nos produtos — disse o vice-presidente.  

Um auxiliar de Lula minimiza o destaque que pode ser dado ao empresário da Refit na conversa entre os dois líderes e afirma que o objetivo do governo brasileiro com essa cooperação é buscar coibir o crime organizado como um todo.

Outro assunto que deverá ser discutido na conversa dos dois líderes é a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas,algo que o governo brasileiro busca impedir. Integrantes do Executivo alertam para os riscos que isso,caso concretizado,poderá gerar na economia brasileira e à soberania nacional.

Além do combate ao crime organizado,os dois presidentes devem discutir temas como a guerra promovida contra o Irã,o tarifaço sobre exportações brasileiras e a exploração de minerais críticos,de interesse do governo americano.

Devem acompanhar Lula na visita aos EUA ministros como Dario Durigan (Fazenda),Mauro Vieira (Relações Exteriores),Márcio Elias Rosa (Indústria) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública),além do diretor-geral da Polícia Federal,Andrei Rodrigues.  

Estratégia do Planalto

O governo tem explorado ações de combate do crime organizado e crime financeiro,focando o “andar de cima”,como uma das bandeiras do terceiro mandato do petista. A avaliação é que esse tema tem respaldo em parte da sociedade e contribuí para melhorar índices de popularidade do governo. Esse tema faz parte de estratégia adotada pelo Planalto desde o ano passado,somado à retórica de que o governo Lula é “contra o sistema”.

Aliados de Lula defendem que o petista use esse encontro com Trump também para tentar demonstrar que ele tem prestígio internacional,num momento em que enfrenta a maior crise com o Congresso Nacional nesse terceiro mandato. Com a visita aos EUA,Lula quer mostrar que ainda tem força política. Apesar disso,há receio entre auxiliares do petista sobre qual será a postura adotada por Trump,já que o americano é considerado imprevisível.

Na semana passada,deputados e senadores impuseram duas derrotas expressivas a Lula: a rejeição histórica de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF),pelo Senado; e a derrubada do veto presidencial sobre o projeto de lei da dosimetria de penas,que poderá beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Diante desse cenário,a oposição ao petista passou a dizer que “o governo acabou” e que o presidente será até o fim do ano “um pato manco”,termo usado para se referir a chefes do Executivo em fim de mandato com baixo capital político.

Aliados do presidente da República ainda se dividem sobre qual deve ser o tom adotado pelo governo na reação ao Congresso. Pessoas que estiveram com Lula nos últimos dias afirmam que o chefe do Executivo orientou integrantes da articulação política a não "esticar a corda" neste momento com o presidente do Senado,Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nesse cenário,caberia à militância petista e a parlamentares aliados irem para o embate mais incisivo com setores do Congresso.

Governistas falam em diversos fatores que contribuíram para a derrota de Messias no Senado,mas apontam como um dos principais o receio da cúpula do Congresso com o avanço de investigações que atingem parlamentares,a exemplo do escândalo do Banco Master. Há uma avaliação entre petistas que é preciso reforçar a associação de políticos da oposição e do centrão com o banqueiro Daniel Vorcaro,numa tentativa de desgastar essas figuras. Um dos termos que aliados de Lula têm usado é “Bolso Master”,numa associação do escândalo com o clã Bolsonaro.

Governistas dizem que essa estratégia pode ajudar a melhorar a popularidade do governo. Após a derrota de Messias no Senado,pesquisas internas que circulam no Planalto indicaram uma melhora na avaliação da gestão petista. Um dos pontos que levou a isso,na avaliação desses políticos,foi o fato de governistas terem associado a derrota do chefe da Advocacia-Geral da União à tentativa de frear o avanço das investigações do caso Master.