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Defender o SUS é exigir reforma

Apr 17, 2026 IDOPRESS
SUS ainda se organiza com a lógica da urgência e atendimento episódico — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

SUS ainda se organiza com a lógica da urgência e atendimento episódico — Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

RESUMO

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GERADO EM: 16/04/2026 - 20:25

Reformas Urgentes no SUS: Eficiência e Tecnologia para Avançar

Defender o SUS é mais que um slogan; é exigir reformas para melhorar sua eficiência. Embora seus princípios de universalidade e equidade sejam corretos,há um abismo entre a teoria e a prática. Problemas como filas,desorganização e falta de recursos precisam ser resolvidos. Reformas essenciais incluem fortalecer a atenção primária,melhorar o financiamento e integrar a gestão digitalmente. Essas mudanças são cruciais para enfrentar desafios como o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas.

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Defender o SUS não é repetir um slogan. Não é fazer reverência automática a uma bandeira. É levar a sério uma decisão civilizatória inscrita na Constituição de 1988: a saúde é direito de todos e dever do Estado. O artigo 196 não fala em favor,caridade ou privilégio. Fala em direito fundamental. E,por isso,defender o SUS não pode significar apenas preservá-lo no discurso. É exigir que funcione melhor.

O problema do SUS nunca foi a grandeza de sua ambição. Ao contrário. Poucos países ousaram construir um sistema universal em uma sociedade tão desigual quanto a brasileira. Seus princípios seguem corretos: universalidade,integralidade,equidade,descentralização,regionalização e participação social. O erro está em outro ponto: no abismo entre a arquitetura constitucional e a experiência real de quem depende do sistema. É nesse abismo que a defesa do SUS precisa deixar de ser retórica.

A precariedade não é abstração. Está na fila que não anda,no exame que demora,na consulta especializada que nunca chega,na cirurgia adiada,na peregrinação entre serviços. Está também na desorganização do percurso do paciente,que muitas vezes entra na rede sem saber quem o acompanha,quem decide e quem responde. Não basta dizer que o SUS é essencial. Isso é verdade,mas é insuficiente. Um sistema essencial também pode ser ineficiente. E,quando isso acontece,o prejuízo recai sobre quem tem menos alternativas.

O país tampouco pode continuar debatendo saúde pública como se o maior problema fosse apenas o colapso eventual da urgência. O Brasil envelheceu,mudou seu perfil epidemiológico e convive cada vez mais com doenças crônicas que exigem cuidado contínuo,prevenção,monitoramento e coordenação. Ainda assim,boa parte da estrutura assistencial continua organizada para responder mal e tardiamente a episódios isolados. O resultado é previsível: pacientes desassistidos,agravamentos evitáveis,internações desnecessárias e custos maiores. Diabetes,câncer,doenças cardiovasculares,neurológicas e respiratórias crônicas respondem por 50% das mortes prematuras no Brasil entre pessoas de 30 a 69 anos. Esse dado revela que o país já não pode organizar sua saúde pública apenas com base na lógica da urgência e do atendimento episódico. A realidade exige continuidade,monitoramento e coordenação do cuidado.

Por isso,a primeira reforma indispensável é fortalecer de fato a atenção primária. É ali que hipertensão,diabetes,doença renal,mental e outras condições podem ser acompanhadas antes de se tornarem tragédias clínicas e orçamentárias. Um SUS orientado pela atenção primária reduz dano,evita desperdício e organiza o cuidado. Um SUS sem essa centralidade apenas empurra o paciente de um ponto a outro da rede.

A segunda reforma é a do financiamento. Não existe sistema universal sólido sustentado por recursos instáveis,insuficientes ou mal alocados. Em 2025,o orçamento federal do SUS foi estimado em R$ 233,3 bilhões,e as emendas parlamentares destinadas à saúde somaram R$ 26,o equivalente a 11% desse total. São cifras expressivas,mas que não encerram a discussão nem resolvem a baixa qualidade do gasto. Gastar mais é necessário em muitos pontos. Mas gastar melhor é indispensável. O dinheiro precisa fortalecer prevenção,coordenação do cuidado,redes regionais e capacidade assistencial permanente.

A terceira reforma é digital e administrativa. Não faz sentido manter um sistema nacional operando como um mosaico de informações desconectadas. A integração de dados clínicos,o compartilhamento seguro de informações e a interoperabilidade entre serviços não são luxo tecnológico. São requisito básico de eficiência. Um prontuário nacional efetivamente integrado,com respeito à privacidade,reduziria exames repetidos,melhoraria diagnósticos,daria continuidade ao tratamento e diminuiria perdas.