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Notícias do turismo

Duas semanas de Tolerância Zero: fiscalização reduz presença de ambulantes na orla de Copacabana

Aug 3, 2026 IDOPRESS

Calçadões da Zona Sul ficaram livres para os pedestres após operação Tolerância Zero — Foto: Marina Calderon

Cariocas e turistas voltaram a lotar as praias da Zona Sul no veranico do primeiro fim de semana de agosto,e uma cena chamou a atenção de quem caminhava pela orla de Copacabana: os camelôs que até poucas semanas atrás ocupavam calçadas e calçadões praticamente desapareceram. Duas semanas após o início da Operação Tolerância Zero,da Prefeitura do Rio,a reportagem percorreu o trecho entre o Leme e o Arpoador e encontrou uma paisagem diferente da que se via antes da fiscalização permanente. Enquanto moradores e comerciantes licenciados elogiam a redução da "desordem",ambulantes e donos de quiosques reclamam da queda nas vendas e da forma como a operação foi conduzida.

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Lançado em julho,o programa prevê fiscalização permanente entre o Leme e o Leblon para combater o comércio irregular e impedir a reocupação dos espaços públicos. Ao percorrer a orla no sábado,a reportagem não encontrou camelôs trabalhando nos calçadões.

Na Praça Serzedelo Correia,onde funciona uma base da Guarda Municipal,a presença de agentes foi intensificada desde o início da operação. Dona do Bar da Tati,Tatiane Gomes diz que a sensação de segurança mudou.

— Entre 6 e 7 horas da manhã e da noite há troca de turno,e a praça fica cheia de guardas. A gente não tem visto mais tantos ambulantes porque a guarda apreende os materiais.

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O zelador Gabriel Santos também percebeu mudanças na estação Siqueira Campos.

Casal — Foto: Marina Calderon

— Antes eu via vários entrando e saindo do metrô quando chegava ou ia embora do trabalho. Não estou vendo ninguém agora. Acho que ficaram com medo.

Nos quiosques da Avenida Atlântica,porém,a avaliação não é unânime. A gerente de um dos estabelecimentos mais movimentados da praia,que pediu para não ser identificada,afirma que acabou multada durante a operação.

— Tiraram nossa placa de anúncio e fomos multados em R$ 350. Faltou orientação. Não houve preparação,e quem ficou com a multa fomos nós.

No Quiosque Roma,funcionários também criticam os efeitos da fiscalização.

— Camelô não é bandido. Os ambulantes eram o charme de Copacabana. O que atraía o pessoal mais simples era a caipirinha de R$ 7 que eles vendiam. O movimento diminuiu — disse um dos garçons.

Já para Marilene Rodrigues,comerciante licenciada da Feira Arte do Lido,a redução dos ambulantes trouxe alívio para quem trabalha de forma regular.

No arpoador,calcadão ficou livre para os pedestres após a operação Tolerância Zero — Foto: Marina Calderon

— À noite não dava para andar no calçadão. A maioria foi para as feiras livres ou está escondida no Tabajara. Muitos nem são do Rio.

No Arpoador,o contraste era evidente. Enquanto o calçadão permanecia vazio de camelôs,apenas um vendedor de cangas seguia trabalhando na altura da estátua de Tom Jobim,mas já fora dele. Adison Araújo levou a mercadoria para a areia e diz que viu a renda despencar.

— Tá vendo essas árvores? Antes tinha um vendedor ao lado de cada uma delas. Agora não sobrou ninguém. Descemos para a areia e estamos faturando metade. Em dezembro,numa operação dessas,perdi R$ 15 mil em mercadoria — lamentou.

A ausência dos ambulantes também chamou a atenção de quem visitava a praia. No Posto 6,Nicholas Henrique,que veio do Espírito Santo para encontrar a namorada,Ester Dias,de Petrópolis,estranhou a falta dos tradicionais carrinhos de milho.

Comerciante do Arpoador,Adison Araújo viu o faturamento cair pela metade — Foto: Marina Calderon

— Nas praias do Espírito Santo isso é muito comum. Estranhei e comentei com ela. Não sabia que tinham sido retirados depois da operação.

Na região da Ladeira Saint Roman,onde a prefeitura recolheu carrocinhas e passou a mirar depósitos clandestinos usados para abastecer o comércio irregular,comerciantes afirmam que o movimento praticamente desapareceu desde as ações da Seop.

— Os carrinhos continuam guardados lá em cima. O pessoal está esperando a fiscalização aliviar para voltar a trabalhar. Por enquanto está tudo parado — contou um comerciante que preferiu não se identificar.