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Espanha campeã do mundo: E o Brasil, para onde vai?

Jul 21, 2026 IDOPRESS

Haalnd comemora o seu primeiro gol sobre a seleção brasileira na Copa do Mundo — Foto: Jewel SAMAD / AFP

RESUMO

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GERADO EM: 19/07/2026 - 20:47

Espanha é campeã mundial com projeto coeso; Brasil busca identidade.

A Espanha conquistou o título mundial com uma exibição dominante,destacando-se por um projeto de futebol coeso e bem estruturado. O Brasil,por outro lado,precisa encontrar um norte claro,focando na estabilidade e em preencher lacunas na formação de sua seleção. Ao invés de copiar modelos,o Brasil deve construir um projeto próprio e consistente para competir em grandes torneios.

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Conta a história do futebol que campeões ditam tendências. Mais ainda quando esses campeões se consagram numa final tão dominante,e até certo ponto frustrante,porque durante muitos dias se projetou um duelo e,no fim das contas,o que aconteceu em Nova Jersey foi um monólogo futebolístico. Então,sob o ponto de vista brasileiro,cabe tentar entender para onde vamos após o título da Espanha.

Quando os mesmos espanhóis ganharam o mundo em 2010,em meio à brutal dominação do Barcelona de Guardiola,era como se o chamado Jogo de Posição fosse uma referência da “forma certa” de se jogar futebol. Em todos os continentes,surgiram cópias,boa parte delas rascunhos mal desenhados. Mas muitos conceitos daquele time terminaram incorporados ao jogo contemporâneo. Hoje,a lei da ação e reação do futebol já fizera emergirem maneiras eficientes de enfrentar o modelo posicional,até que a Espanha se firma como a melhor seleção do planeta praticando uma releitura desta exata forma de se praticar futebol. Que lição o Brasil tira disso?

O risco é exatamente ter a leitura equivocada do que aconteceu. Nova Jersey não assistiu à comprovação da superioridade do jogo posicional sobre o modelo de aproximações e associações curtas dos argentinos. O que houve foi uma imensa imposição desta Espanha sobre esta Argentina. O futebol não cria modelos infalíveis ou fórmulas prontas,tampouco aposenta modelos. Então,o Brasil não precisa,necessariamente,viver outra febre,outra epidemia de cópias do modelo espanhol. Há mil maneiras de se jogar e ganhar.

O que existiu na construção desta Espanha campeã do mundo,isto sim,foi o que mais falta ao Brasil quando o assunto é seleção: um norte. Há um projeto de futebol em torno da equipe que representou a Espanha no Mundial,após ciclos de Copas mal jogadas em 2014 e 2018,mas que não desfizeram a crença no tipo de futebol que o país abraçou. E,como em todo projeto de futebol bem-sucedido,há os planos e os felizes encontros. O surgimento de Lamine Yamal e Nico Williams,símbolos de um mundo sem fronteiras,de uma Europa multiétnica,multicultural,deu ao jogo de posse e passes o acréscimo do drible,da agressividade perto do gol rival. E,nos últimos três anos e meio,Luis de la Fuente trabalhou com esta equipe de forma estável.

O Brasil não precisa ser a Espanha,jogar como ela. Precisa preencher as lacunas de sua formação,em setores como o meio-campo e as laterais,mas fundamentalmente ter um projeto de futebol estável na CBF,voltado para a seleção,para os grandes torneios.

Quanto à final,ao jogo,a Espanha superou a Argentina em todas as fases e faces da partida. Se os argentinos ameaçavam pressionar,Rodri se colocava como homem livre para distribuir o jogo. Se os meias MacAllister ou Enzo Fernández eram atraídos,Olmo e Oyarzabal esbanjavam leitura de espaços para encontrar a bola. Faltava à Espanha um finalizador,talvez a grande lacuna de sua escola.

Mas a ampla posse,o amplo domínio coletivo,foi levando a Argentina à exaustão. E a expulsão de Enzo Fernández foi o golpe fatal sobre um time que só conseguia resistir,nunca ameaçar. Na prorrogação,16 anos após Iniesta,Ferran Torres fez o gol que voltou a consagrar o jeito espanhol de jogar futebol.