
O recifense Vinícius Carapeba e sua tia Alexandra Mello se desfizeram dos ingressos para o jogo das quartas após a eliminação do Brasil — Foto: Rafael Oliveira
GERADO EM: 09/07/2026 - 22:43
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O impacto dos gols de Haaland sobre o Brasil não se limitou às quatro linhas. Que o diga Morten Thorsby: o volante da modesta Cremonese,da segunda divisão italiana,se espantou quando viu a quantidade de jornalistas que aguardavam para as entrevistas da última quinta-feira,antes do treino da Noruega.
— É,de longe,a maior coletiva que já participei.
Antes das quartas de final: Haaland aponta Inglaterra como uma das favoritas e joga pressão no adversárioApreensão: titular da Inglaterra sofre lesão e vira dúvida para jogo contra a Noruega
A classificação inédita para as quartas de final da Copa mudou a rotina da seleção do norte europeu. Muito mais jornalistas,perguntas,câmeras e flashes.
Os impactos foram sentidos no próprio país escandinavo. O aumento no interesse da população fez a empresa de aviação local anunciar voos extras para Miami.
— Se você olhar as cenas na Noruega,isso não é normal. É um momento superespecial — comentou o próprio Haaland.

Haaland concede entrevista para um batalhão de jornalistas,cena pouco comum na rotina da Noruega — Foto: Rafael Oliveira
Miami também já não é a mesma. Nas lojas do Bayside,o popular mercado a céu aberto,a procura por camisas e itens da Noruega aumentou sem que tenham se planejado.
— Da Noruega,só tenho chaveiros — lamentou uma lojista,que ainda viu a demanda por camisas com as cores do Brasil despencar. — Antes da derrota,vendia umas 50 por dia. Agora,três ou quatro.
Enquanto alguns estabelecimentos registraram queda,outros já não têm mais camisas do Brasil disponíveis. É que elas esgotaram,e,com a seleção fora do torneio,os lojistas não repuseram os estoques. Mas ninguém tem do que reclamar.
— A Copa aumentou nossas vendas em cinco ou seis vezes — calcula,satisfeito,Jeffrey Berducido,gerente da Mad About Soccer (Loucos Por Futebol),especializada em camisas:
— Primeiro,em junho,houve muita procura pelas das seleções mais populares,como Brasil,Argentina e Portugal; e as que jogaram aqui em Miami,como Uruguai. Apostamos também nas de Alemanha e Holanda. Mas as eliminações precoces nos prejudicaram. São as que mais temos no estoque. Agora,estamos num momento em que procuram mais pelas que chegaram mais longe. Muita gente vem atrás das de Marrocos e Noruega.

Comércio de Miami registrou incremento nas vendas com a Copa do Mundo — Foto: Rafael Oliveira
Miami não tem no verão o seu período de pico. A temporada de furacões e o calor afastam visitantes. É no outono e no inverno — quando as temperaturas oscilam entre 20ºC e 28ºC — que a cidade recebe a maior quantidade de turistas. Por isso,o movimento extra promovido pela Copa já deixou todos satisfeitos. Menos os brasileiros que se planejaram para assistir in loco ao jogo de amanhã.
Como o recifense Vinícius Carapeba e sua tia Alexandra. Empolgados com a classificação na fase de grupos,eles compraram ingressos para o duelo das quartas. Contavam que o Brasil passaria por Japão e Noruega.
— A gente está meio à deriva — admitiu o torcedor do Sport,que após a eliminação voltou a agir no impulso. — A gente veio ficar em Miami,mas não não vamos mais ao jogo. Estava com a cabeça quente na hora e disse para minha tia vender os ingressos. Agora estou arrependido.

Marcelo Marafon (à esquerda) com o filho Rafael,a esposa Samara e os amigos: grupo de paulistas se programou para ver o Brasil pelas quartas da Copa,em Miami — Foto: Rafael Oliveira
A maioria dos brasileiros que se programaram para ir ao jogo diz que vai torcer pela Inglaterra. Mas nada contra Haaland.
— É porque provavelmente depois vem a Argentina. A gente quer que alguém bom jogue com ela. Chega de só pegar baba — brincou o paulista Marcelo Marafon,que se planejou com antecedência para assistir com o filho Rafael aos jogos da segunda fase,das oitavas e das quartas. — Se não fosse a Argentina,até torcia para a Noruega ir mais longe.