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No centenário de morte de Gaudí, a celebração do sonho da Sagrada Família

Jun 7, 2026 IDOPRESS

Sagrada Família: Obra-prima inacabada do arquiteto catalão ganhou o posto de igreja mais alta do mundo,com a instalação da cruz sobre a Torre de Jesus Cristo,em fevereiro — Foto: MANU QUINTERO / AFP/ 4-6-2026

Principal cartão-postal de Barcelona (e um dos maiores do mundo),a Basílica Sagrada Família poderá ser vista,em breve,livre dos guindastes e andaimes que acompanharam a construção de suas 18 torres por mais de um século. Embora ainda estejam previstas obras até ao menos o início da próxima década,a instalação,em fevereiro,de uma cruz sobre o topo de sua torre central,dedicada a Jesus Cristo,foi encarada com um dos marcos finais dos trabalhos,dando à igreja o título de mais alta do globo,com 172,5 metros.

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As comemorações da conclusão (ao menos simbólica) dos 144 anos das obras terão seu momento mais importante com a missa solene celebrada pelo Papa Leão XIV,em cerimônia em que abençoará a Torre de Jesus Cristo,marcada para quarta-feira,data do centenário da morte de Antoni Gaudí (1852-1926),arquiteto por trás desses e outros projetos icônicos da cidade,como a Casa Batlló,o Parque Güell e a Casa Milà (La Pedrera).

Mais que destacar a edificação ou o gênio por trás dela,a cerimônia celebrará a devoção do arquiteto catalão à fé católica e ao pensamento modernista. Ao assumir a Sagrada Família,em 1883,um ano após o arquiteto Francisco de Paula del Villar iniciar a construção,Gaudí alterou radicalmente o projeto neogótico original,transformando a igreja no que seria a síntese mais perfeita das paixões que guiaram sua obra: a arquitetura,natureza e religião.

Interior da nave da igreja,com sua abóbada hiperboloide: inspiração na natureza — Foto: Thomas COEX / AFP

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O interior da nave,com sua abóbada hiperboloide,traz da natureza a inspiração das árvores e das florestas,com os pilares em formas de troncos encimados por estruturas como galhos,fechando o teto como a junção das copas. A observação dos fenômenos naturais guiavam não só a estética como a prática,uma vez que preferia fazer seus projetos em três dimensões à planificação dos desenhos. No Museu da Sagrada Família,é possível ver algumas de suas maquetes remanescentes — parte delas foi destruída em 1936,durante a Guerra Civil Espanhola,quando a igreja foi vandalizada — e o uso de modelos tridimensionais invertidos,no qual a força da gravidade moldava as estruturas que seriam erguidas em sentido oposto. Com correntes penduradas pelas extremidades,Gaudí observava as possibilidades do arco parabólico catenário (que distribui por igual o peso e as tensões de tração da construção),até então utilizado para edificações mais simples,como pontes suspensas,em seus projetos de maior escala.

Antoni Gaudí aos 26 anos: catalão assumiu a construção em 1883,transformando o templo em síntese de suas paixões: arquitetura,natureza e religião — Foto: Divulgação

Quase um século e meio depois de seu início,a obra-prima de Gaudí nos chega como prova da persistência não só das técnicas e materiais,mas da crença em um sonho que só poderia ser inteiramente testemunhado pelas gerações que sucederiam seu autor. Dedicado inteiramente ao projeto desde 1914,o arquiteto chegou a ver a obra concluída até o campanário dedicado ao apóstolo Barnabé,em 1925. No ano seguinte,aos 73 anos,foi atingido por um bonde ao atravessar a Gran Via de les Corts Catalanes,morrendo três dias depois (pelo aspecto descuidado das roupas e por não portar documentos,apenas itens como o livro dos Evangelhos e um rosário,chegou a ser internado como um sem-teto). Vivendo seus últimos anos como um católico fervoroso,o “Arquiteto de Deus” pode virar santo,tendo seu processo de beatificação em curso,após ter sido reconhecido como “Venerável” pelo Papa Francisco,em abril de 2025.