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São Paulo perde área verde, e novos projetos buscam reverter tendência

Jun 5, 2026 IDOPRESS

O Parque da Fazenda da Juta,no bairro de Sapopemba,inaugurado em janeiro em São Paulo — Foto: Sergio Barzaghi/Secom/SVMA

RESUMO

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GERADO EM: 04/06/2026 - 19:28

Expansão urbana ameaça áreas verdes em São Paulo; novos projetos buscam equilíbrio

São Paulo enfrenta perda de áreas verdes após uma expansão significativa até 2020. Nos últimos anos,a capital viu sua cobertura vegetal urbana cair para 5.915 hectares. A gestão atual propõe novos parques e projetos como "Vagas Verdes" para transformar estacionamentos em áreas arborizadas. ONGs também contribuem com iniciativas de reflorestamento em escolas,visando equilibrar crescimento urbano e sustentabilidade.

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A falta de áreas verdes é um problema crônico na maior cidade do país. Para piorar,nos últimos cinco anos,os esforços de ampliação da vegetação sofreram um retrocesso. Novos projetos propostos pela prefeitura,pelo poder legislativo e por ONGs,porém,buscam reverter essa perda em São Paulo de maneira criativa.

Desde a virada do milênio,a capital paulista vinha ampliando sua área urbana vegetada,de 4.152 para 6.802 hectares até 2020,segundo o projeto MapBiomas de mapeamento por satélite. A partir de então,a cidade tem perdido cobertura verde. Em 2024,o número já tinha caído para 5.915 hectares (um hectare equivale a pouco mais que um campo de futebol).

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Essa queda ocorreu sobretudo na gestão Ricardo Nunes (MDB),iniciada em 2021. Após ser reeleito,em 2023,o prefeito anunciou medidas para criar áreas arborizadas. Em um folheto distribuído neste mês,a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA) diz ter plantado mais de 400 mil árvores na cidade e implementado 12 bosques urbanos em cinco anos.

Entre as ações que a prefeitura mais se esforça em comunicar está a criação de parques,como o da Fazenda da Juta,em Sapopemba,e o Parque do Bixiga,no Centro,que teve projeto aprovado em abril e está em obras.

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— A coisa mais importante que temos hoje é a implantação de parques — diz a urbanista Tamires Oliveira,chefe de gabinete da SVMA. — Já foram 15 parques criados,e,no domingo agora,a gente vai inaugurar mais um,o Parque da Mooca.

Muito do que a prefeitura promoveu no setor foi em 2025,ano ainda não coberto pelos dados municipais do MapBiomas. Para entender por que os satélites veem a área verde de São Paulo diminuir enquanto a prefeitura promove medidas de ampliação,de todo modo,é preciso olhar também para propriedades privadas e para a mudança de cobertura de solo nas áreas públicas que não são parques.

— Infelizmente,o que a gente vê na atual gestão é que,em diferentes projetos,a cobertura vegetal não é uma preocupação — diz Rodrigo Iacovini,diretor-executivo do Instituto Pólis,de pesquisa socioambiental urbana. — A gente vê projetos como o do túnel da Avenida Sena Madureira,na Vila Mariana,que estava prevendo desmatar,e o do incinerador de lixo que vai ser construído na expansão de um aterro sanitário em São Mateus,que prevê derrubada de 63 mil árvores.

A prefeitura,afirma que quando a contagem é feita em áreas públicas,a cobertura vegetal está melhorando. É difícil ler a tendência nas áreas particulares,que pode ter sido influenciada pelo período de intensa especulação imobiliária e atividade acelerada de incorporadoras e construturas do último quinquênio.

Imagem de simulação digital do projeto vencedor para criação do Parque do Bixiga — Foto: SVMA/Democratic Architects

Os projetos do túnel e do incinerador,no centro expandido e no extremo da Zona Leste,enfrentam contestações e ainda não saíram do papel,mas encapsulam o problema histórico de equilibrar a demanda por infraestrutura na cidade com seu impacto ambiental.

— Em São Mateus,o projeto está em processo de licenciamento,e inclui as medidas compensatórias exigidas para que se autorize a supressão das árvores — diz Oliveira,da SMVA. — A ideia é que não só as compensações fiquem na região de São Mateus e Cidade Tiradentes,que vão ser mais afetadas,mas também a ampliação de equipamentos públicos e outras medidas.

No caso do túnel,a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) revisou o projeto e diz que deve reduzir a quantidade de árvores derrubadas,prevendo recomposição em outros trechos de via pública na Vila Mariana.

Estacionando árvores

Em meio ao desafio de aumentar a área verde,a Câmara Municipal introduziu uma ideia que pode ajudar. O projeto batizado de “Vagas Verdes”,concebido por vereadores da oposição e aprovado em abril,prevê a criação de canteiros com árvores em trechos de rua que,hoje,servem como estacionamento público.

Da mesma forma com que bares e restaurantes podem se cadastrar para criar “parklets” com mesas e cadeiras,moradores e comerciantes poderão demandar a redesignação dessas vagas para se transformarem em vegetação. A vereadora Renata Falzoni (PSB),uma das autoras da proposta,diz esperar um impacto grande,depois que a lei for sancionada e regulamentada.

— Se todas as vagas de estacionamento em vias públicas pudessem ser convertidas em vagas verdes,São Paulo praticamente dobraria sua área verde urbana — diz a parlamentar. — A estimativa é que a cidade possua entre 1,5 e 2 milhões de vagas,ocupando uma área entre 22,5 e 30 km².

Oliveira,da SVMA,diz que a ampliação das áreas verdes precisa de soluções diversas e afirma que a prefeitura está buscando plantar em áreas alternativas. Segundo ela,parques como o do Bixiga e da Juta eram demandas históricas. No caso do primeiro,a área pleiteada teve de ser comprada do Grupo Silvio Santos.

— O Bixiga ficou anos e anos sem uma conclusão,até esta gestão chegar a um acordo como o grupo — conta a chefe de gabinete.

Para criar o parque,foram adquiridos 11 mil metros quadrados por R$ 65 milhões. Segundo a SVMA,esta gestão investiu R$ 489 milhões na compra de áreas que devem ser destinadas a parques,várias na periferia,que são as maiores. O efeito disso na cobertura vegetal da cidade,contudo,ainda depende de algumas dessas áreas serem restauradas,o que leva algum tempo.

Escola-floresta

Com o poder público não dando conta da demanda de ampliação da área verde da cidade,organizações da sociedade civil tem buscado atuar para compensar essa carência.

Um projeto que tem crescido é da ONG Formigas-de-Embaúba,quem tem atuado,sobretudo,em espaços disponíveis encontrados dentro de áreas de escolas públicas da periferia.

Numa mistura de projeto de reflorestamento com educação ambiental,técnicos da entidade usam a ajuda de crianças e professores para plantar mudas.

Uma das primeiras "miniflorestas" que o grupo criou,sete anos atrás,já formou uma mata densa dentro do Centro Educacional Unificado (CEU) de Campo Limpo,na Zona Sul.

Estudantes reunidos na mini-floresta plantada por crianças no CEU Campo Limpo — Foto: Formigas-de-Embaúba/Tuane Rodrigues

Até agora,a organização já conseguiu reproduzir a fórmula em outras 52 áreas públicas,a maioria delas escolas,formando mais de 50 pequenos bosques,com tamanhos entre 150 m² e 1.500 m² cada um,ou cerca de 30 mil árvores plantadas.

— A gente utiliza uma técnica bem específica de plantio,diferente daquela arborização convencional mais espaçada. Nos espaços que conseguimos a gente planta as mudas mais próximas uma da outra,e com uma diversidade muito grande,de quase 100 espécies de árvores em cada mini-floresta — conta Rafael Ribeiro,cofundador e diretor da ONG. — A ideia é que essa variedade reflita o que era esse nosso bioma nativo aqui de São Paulo,a mata atlântica com transição para o cerrado.

Em meio ao mar de prédios no Centro,pouca gente sabe que São Paulo é um município tem mais de 50% de área florestada. Quase toda essa mata,fica nos extremos das zonas Sul e Norte,em unidades de conservação ou em terreno rural (por isso não entra na conta do MapBiomas sobre vegetação urbana). É consenso entre especialistas que o desafio da cidade é fazer com que a sua vegetação não só aumente,mas seja mais bem distribuída no futuro.