
José Luis Gordon,diretor de Desenvolvimento Produtivo do BNDES — Foto: Lucas Tavares/Agência O Globo
GERADO EM: 21/05/2026 - 19:24
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem ampliando o conjunto de instrumentos de apoio às exportações,com atenção especial aos embarques para os Estados Unidos. O país é historicamente o principal destino das vendas internacionais financiadas pelo BNDES,segundo o diretor de Desenvolvimento Produtivo,Inovação e Comércio Exterior do banco,José Luis Gordon.
— Em torno de 20% do que foi apoiado à exportação foi para os EUA — explica.
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A estratégia inclui a ampliação dos recursos de linhas de crédito já tradicionais,como as de crédito pré e pós-embarque,o fortalecimento dos mecanismos de garantia e a criação de novos programas voltados a setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Neste mês,o banco deve abrir as primeiras linhas de crédito no âmbito da segunda etapa do Plano Brasil Soberano. O programa foi criado no ano passado com o objetivo de ajudar as empresas mais afetadas pelo tarifaço dos EUA. Em 2025,foram aprovados R$ 16 bilhões em financiamentos pelas regras do programa. Entre os setores mais beneficiados,estão os setores de alimentos,agroindústria,móveis e bens de capital.
A segunda fase prevê mais R$ 15 bilhões.
— O foco agora são as empresas ainda afetadas pela seção 232 [da lei comercial] dos Estados Unidos — diz Gordon.
A norma americana estipula tarifas de até 50% para produtos como aço,cobre ou alumínio. Para ter direito à linha de crédito do plano,as empresas têm de ter pelo menos 5% de seu faturamento vinculado a exportações para os EUA entre agosto de 2024 e julho de 2025. Além delas,o plano também se aplica a empresas que tiveram suas vendas para o Oriente Médio afetadas pela Guerra do Irã e para “setores estratégicos”.
As taxas de juros do Brasil Soberano variam de 0,94% a 1,41% ao mês. Além da produção voltada à exportação,o dinheiro pode ser usado como capital de giro,na compra de máquinas e em investimentos em expansão ou inovação. Os prazos chegam a 20 anos,com quatro de carência. O programa será financiado em grande parte pelo superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda,além de verbas orçamentárias.
Além do Brasil Soberano,as duas principais linhas de crédito para empresas que exportam para os Estados Unidos são as linhas Exim Pré-Embarque e Exim Pós-Embarque. A Exim Pré-Embarque antecipa recursos de que as empresas precisam para produzir,geralmente com prazos e taxas melhores do que as do crédito corporativo. A condição é que,em até cinco anos,a empresa comprove que a exportação daquela produção foi efetivamente realizada.
Já na modalidade Pós-Embarque,o BNDES paga à vista ao exportador brasileiro e o importador estrangeiro passa a dever ao banco. Neste caso,geralmente com taxa de juros de referência do dólar mais um spread fixo do BNDES,de 0,9% ao ano.
— Todo o recurso do BNDES sempre fica no Brasil em reais para a empresa brasileira,gerando emprego e renda — diz Gordon. — O BNDES nunca financia nenhum país [estrangeiro].
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Segundo ele,o banco já destinou cerca de R$ 50 bilhões a essas duas linhas durante o atual governo.
Um exemplo recente de apoio à venda para os Estados Unidos foi o financiamento de R$ 1,7 bilhão para a exportação pela Embraer de 13 aviões do modelo E-175 para a companhia americana SkyWest Airlines,aprovado no final do ano passado. A operação foi realizada por meio da linha Exim Pós-Embarque — ou seja,o dinheiro foi usado para pagar a compra à Embraer e será reembolsado ao banco,com juros,pela SkyWest. Desde 2023,a empresa já obteve R$ 27,1 bilhões do BNDES,parte desse valor para o financiamento direto da exportação de 169 aeronaves.
Outra empresa com forte atuação no mercado americano,a WEG Exportadora S.A. obteve no ano passado a aprovação de um crédito de US$ 144 milhões,pela linha Exim Pré-Embarque. O valor pode ser contratado em parcelas,até meados deste ano,e a produção financiada tem prazo de embarque de 360 a contar da liberação de cada parcela.
Em março,o BNDES ganhou mais instrumentos de incentivo às exportações com a aprovação do Projeto de Lei 6.139/2023,que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação. Ele eleva o prazo de cobertura do risco comercial de micro,pequenas e médias empresas em operações de exportação de 180 para até 750 dias.


A lei também determina a criação de um portal na internet para a submissão de documentos e acompanhamento de pedidos de crédito. Além disso,uma vez por ano,o BNDES deverá apresentar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o portfólio de projetos.
O FGCE (Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior) ainda ganha um papel de destaque como um instrumento de compartilhamento de risco com o setor privado,permitindo a participação de bancos e seguradoras privadas. A lei determina que,em última instância,a União assumirá a cobertura das garantias emitidas. O limite máximo de exposição será fixado pelo Senado.
Apesar das tarifas impostas pelo governo Trump,os EUA continuam sendo o segundo principal parceiro comercial do Brasil,atrás apenas da China. No primeiro trimestre deste ano,porém,a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu ao menor nível da história: 9,5% ou US$ 7,8 bilhões,uma redução de 18,7% na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do Monitor do Comércio Brasil-EUA,divulgado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).