
Indústria brasileira cresce abaixo da média global — Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo/25/03/2025
O Brasil fechou 2025 na vexatória 64ª posição entre 83 países no ranking global que mede o ritmo de expansão da atividade industrial,elaborado pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) a partir de dados da agência da ONU para promoção do desenvolvimento da indústria. Foi a pior colocação desde 2022,quando o país ocupou o 71º lugar. O resultado não surpreende. Como a indústria local cresce abaixo da média global,o Brasil tem lugar quase cativo na metade de baixo da lista.
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Empresários do setor culpam os juros altos pela queda recente no ranking. É verdade que o endividamento inibe o consumo,e o custo do dinheiro penaliza o financiamento ao capital de giro. Mas também é verdade que,além desses fatores conjunturais,a indústria brasileira enfrenta problemas estruturais faz tempo. A manufatura nos países mais avançados se baseia nos ramos de alta tecnologia,onde estão os maiores investimentos em automação,digitalização e sustentabilidade. No Brasil,esses segmentos mais dinâmicos não chegam a um terço da indústria,ante quase 50% nos países avançados.
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Historicamente,a indústria brasileira investe pouco no desenvolvimento de novas tecnologias e apresenta baixa taxa de adoção de tecnologias desenvolvidas fora do país. Por aqui sempre prevaleceu a estratégia de manter tarifas alfandegárias nas alturas para proteger um parque industrial obsoleto. As barreiras podem ter motivado muitos estrangeiros interessados em explorar o mercado interno a se instalar no Brasil,mas também serviram de empecilho a que o país conectasse a produção local às cadeias globais de suprimentos.
Não surpreende que os 25 países mais pobres sejam os que adotam as tarifas mais altas,o dobro da taxa observada em economias de alta renda,segundo relatório recente do Banco Mundial. Economias de renda média-alta são pródigas em subsídios que elevam custos para praticamente todas as demais empresas e se perpetuam como distorção e ineficiência no mercado. Um agravante no caso brasileiro foi a manutenção por décadas de uma estrutura tributária bizantina. Decisões de investimentos eram tomadas levando em conta vantagens nos impostos,não a eficiência da produção.
É possível que,nos próximos anos,uma nova dinâmica ajude a transformar a realidade da indústria brasileira. A implantação da reforma tributária promete no mínimo reduzir as distorções. E o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia criará um ambiente mais propício ao aumento da competitividade. O Brasil tem de intensificar os esforços para abrir mais a economia à competição internacional. O nível baixo de concorrência garante a sobrevivência dos piores e limita o crescimento dos melhores. Claro que uma política fiscal responsável que ajude a baixar os juros também é fundamental. Mas,sem competição para valer,o Brasil seguirá na retaguarda do ranking da indústria global.