
Governadora de Pernambuco,Raquel Lyra — Foto: Reprodução Instagram Raquel Lyra / @mivafilho
A governadora de Pernambuco,Raquel Lyra (PSD),começou a campanha à frente do adversário João Campos (PSB) nas pesquisas,depois de mais de um ano em desvantagem. Na missão de derrotar o ex-prefeito do Recife,que é filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes,conta com o poder do cargo: nos últimos meses,conseguiu converter a aprovação ao governo em intenções de voto.
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O PSB de João,afirma a governadora,“se ensimesmou no poder” e passou a se achar “dono do povo” antes da vitória dela,em 2022. Para a atual campanha,embora ressalte parcerias institucionais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),Raquel Lyra evita nacionalizar o debate,na contramão do que o concorrente tem feito. A fim de escapar de uma declaração de voto presidencial,vende-se como “pernambucanista”.
Uma das eleições estaduais mais acirradas do país,a disputa pelo governo de Pernambuco estreia a série de entrevistas do GLOBO com os principais candidatos nos maiores estados do país.
A senhora tem feito acenos a Lula desde o início do ano passado,apesar do apoio dele a João Campos (PSB). Espera uma postura mais neutra do presidente no estado?
O que temos construído desde o início do mandato são parcerias. Pedi que qualquer eventual disputa eleitoral não atrapalhasse o que poderíamos construir pelo estado,e ele deixou claro que trabalharia conosco. Pernambuco sofreu muito em governos anteriores ao brigar com presidentes. Essa relação que construímos se tornou de confiança. Lula colocou à disposição seus ministros e tivemos entregas reais na vida da população.
Lula chegou a gravar um vídeo com Campos neste início de campanha,e levantamentos internos mostram crescimento dele quando associado ao petista. Como pretende neutralizar isso? Vai declarar voto no petista?
Vou continuar fazendo o que sempre fiz: falar de Pernambuco,dos desafios e das entregas. Batemos recorde de geração de empregos e de redução da criminalidade. O futuro do estado passa,sim,por construir pontes. O presidente Lula,neste momento eleitoral,tem uma parceria partidária,mas Pernambuco não tem dono. Sou grata a ele e seus ministros,mas estamos lançando aqui um neologismo: sou pernambucanista.
Outra questão é o fato de o PSD ter Ronaldo Caiado como presidenciável. Vai recebê-lo em Pernambuco ou dar bolo nele quando visitar o estado?
Minha entrada no PSD não se deu do dia para a noite. Gilberto Kassab (presidente da sigla e vice de Caiado) me deu liberdade para construir o partido no estado,filiamos 80 dos 184 prefeitos. O que está em jogo é a liberdade que ele me deu,e essa liberdade me permite considerar que,neste momento,o mais importante é cuidar de Pernambuco.
A que atribui seu crescimento nas pesquisas,depois de Campos liderar com folga por muito tempo? Foi o clássico uso da máquina?
Não se trata de uso da máquina. Em três anos e meio,avançamos mais que nos oito anos do governo que nos antecedeu (Paulo Câmara,do PSB). Geramos mais empregos de carteira assinada que nos 12 anos anteriores. Estamos recuperando a infraestrutura de Pernambuco: estradas,portos,aeroportos. Entregamos resultados sem o vale-tudo político. Tivemos um mesmo partido (PSB) por muito tempo entranhado no poder,se achando dono do povo.
Esse discurso não é contraditório pelo fato de a senhora ser filha de um ex-governador,João Lyra Neto,que foi vice do pai do seu rival,Eduardo Campos,do PSB?
Eu vi esse estado funcionar e deixar de funcionar. O que vivemos em Pernambuco foi um projeto que se ensimesmou em se manter no poder,mas o povo decidiu mudar ao eleger uma prefeita do interior,de Caruaru. Experimentou uma mulher.
A saúde é o maior problema do estado,segundo ouvido em pesquisa Quaest,e a senhora é acusada pela oposição de reduzir investimentos. É seu principal gargalo?
Pegamos a saúde completamente sucateada. O que acontece nos hospitais não é fruto de um ano ou dois de governo,e sim de um longo abandono. Mas não é verdade que estamos reduzindo investimentos. Ao contrário: estamos batendo recorde ano a ano com reformas,requalificação,materiais novos. Tem muita falácia sobre o tema.
Outra crise recente envolveu a acusação de espionagem de um secretário da prefeitura do Recife,então comandada por João Campos. Houve aparelhamento da polícia?
Sou governadora do estado,procuradora,fui delegada da PF. Eu jamais ordenaria ou determinaria qualquer tipo de condução da polícia nesse sentido. Qualquer desvio de conduta pode e precisa ser apurado.
As pesquisas indicam uma eleição apertada. Qual será o fator decisivo?
Ao longo de três anos e meio,arrumamos a casa; o estado estava sem capacidade de investimento algum. Tomamos decisões difíceis e duras,porque não sou mulher de fazer atalhos,mas estamos fazendo o estado voltar a ser protagonista de sua história. É claro que não está tudo perfeito,mas entregamos muito. É uma campanha de amor contra o ódio,com muita propagação de fake news e um nível muito baixo de discussão.
O que configura esse “ódio”?
Fizeram CPIs e pedidos de impeachment,mesmo eu sendo uma governadora honesta,trabalhadora e que entrega,que não está aqui para se satisfazer do poder. Denunciei ao Tribunal Regional Eleitoral o uso de robotização,com indícios muito claros da existência de um gabinete do ódio com perfis para divulgar fake news sobre mim. Nossa campanha vem judicializando isso.