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Os riscos da guerra para os cristãos do sul do Líbano e Israel

Jul 10, 2026 IDOPRESS

Socorristas inspecionam veículo atingido por ataque israelense em Nabatiyeh,no sul do Líbano — Foto: Abbas FAKIH / AFP

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GERADO EM: 08/07/2026 - 21:04

Cristãos no Sul do Líbano Desmentem Pedido de Anexação por Israel

O artigo explora a situação dos cristãos no sul do Líbano em meio a tensões com Israel,destacando a declaração controversa de Netanyahu sobre um suposto pedido de anexação por vilas cristãs,o que foi desmentido pelas lideranças locais. Os cristãos libaneses,integrados em um país com forte identidade nacional,são frequentemente usados em narrativas políticas,mas mantêm-se fiéis ao Líbano,resistindo a influências externas,seja de Israel ou do Irã.

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Ao contrário da maior parte dos países do Oriente Médio,o Líbano tem uma expressiva minoria cristã que representa cerca de 40% da população. Detentores por consenso de alguns dos cargos mais importantes do país,como o de presidente e o de comandante das Forças Armadas,além de metade do Parlamento,os seguidores do cristianismo dessa nação levantina muitas vezes são usados por diferentes atores na região para avançarem suas narrativas.

Aponta relatório da ONU: Ataques de Israel deixam 11 mil prédios destruídos no sul do Líbano e prejuízo pode chegar a US$ 1,4 biEm declaração conjunta: Líderes do G7 pedem ‘cessar-fogo imediato’ no Líbano para consolidar acordo entre EUA e Irã

O grupo xiita Hezbollah gostava,em um passado não muito distante,de celebrar sua aliança com alguns partidos cristãos libaneses como o Movimento Patriótico Livre,do então presidente Michel Aoun,e o Marada,de Suleiman Frangieh. Israel,nos anos 1980,era aliado da Falange,de Bashir Gemayel. O objetivo de todos seria mostrar ao Ocidente que contam com o apoio dos cristãos,o que poderia atrair simpatia de governos ou ao menos de certos setores de nações ocidentais.

A última ação neste sentido foi a de Benjamin Netanyahu. O premier israelense,em entrevista à Fox News,afirmou que lideranças de vilarejos cristãos do sul do Líbano teriam pedido para serem anexados por Israel para ficarem,segundo ele,protegidos do Hezbollah. A declaração do primeiro-ministro visava provavelmente atingir um público conservador americano,hoje dividido em relação a Israel. Os evangélicos seguem em sua maioria firmes no apoio aos israelenses. Mas algumas figuras do Maga (o movimento de Trump),como Tucker Carlson,acusam os israelenses de perseguirem cristãos palestinos e libaneses. Neste texto,não entrarei na questão dos cristãos da Palestina,que são historicamente árduos defensores de uma nação palestina independente,assim como os muçulmanos palestinos. O foco será nos cristãos do Líbano.

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Imediatamente após a afirmação de Netanyahu,todas as lideranças dos vilarejos cristãos do sul do Líbano acusaram publicamente o primeiro-ministro israelense de mentir. Provavelmente,o líder de Israel realmente não disse a verdade. Buscar proteção de Israel talvez até possa ter acontecido em casos isolados. Inclusive,nos anos 1980 e 1990,uma milícia cristã chamada Exército do Sul do Líbano era aliada de dos israelenses. Mas nem na época e tampouco agora cristãos libaneses pediriam para ser anexados por Israel. Isso não existe.

Independentemente de serem cristãos maronitas,greco-ortodoxos,melquitas,armênios ou muçulmanos sunitas,xiitas e drusos,todos os libaneses têm um orgulho gigantesco de serem do Líbano. Sabem de seus defeitos,mas isso não diminui o amor pelo país dos cedros. Mesmo alguns da segunda ou terceira geração da diáspora,como este colunista,mantêm viva esta ligação. Jamais um libanês iria querer ser parte de Israel. Podem divergir sobre o futuro Líbano,sobre o Hezbollah e até se aliar aos israelenses,sírios ou aos iranianos. Mas sempre como libaneses.

Não há singularidade ou excepcionalidade dos libaneses nessa questão. Muitos brasileiros podem admirar outras nações,mas sempre vão querer ser do Brasil. O mesmo se aplica a todas as outras nacionalidades do mundo. A declaração de Netanyahu,na verdade,aumenta o risco para esses cristãos do sul do Líbano,que podem ser acusados de traidores por seus adversários,quando na verdade querem apenas viver em paz nas suas terras ancestrais,com os interesses libaneses,e não iranianos ou israelenses,em primeiro lugar.