
Parque Glória Maria,o antigo Parque das Ruínas,em Santa Teresa — Foto: Divulgação
GERADO EM: 08/07/2026 - 20:43
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Moradores de Santa Teresa protocolaram duas iniciativas institucionais voltadas à proteção permanente do Parque Glória Maria,conforme noticiou o jornalista Ancelmo Gois,de O GLOBO. O grupo,formado por mais de 20 moradores apresentou ao Ministério Público uma representação solicitando a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) um requerimento de abertura do processo de tombamento do conjunto histórico,arquitetônico,paisagístico e cultural do parque.
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As duas iniciativas,segundo os moradores,são resultados de mais de vinte anos de tentativas de diálogo com a Secretaria Municipal de Cultura,na busca por soluções para compatibilizar a utilização do equipamento público com sua vocação original,sua infraestrutura e as características do entorno,localizado em Zona Residencial 1 (ZR-1),em uma rua sem saída e residencial. Os moradores defendem a construção de um modelo de gestão cultural sustentável,capaz de promover o equilíbrio entre preservação do patrimônio histórico,programação cultural de qualidade,proteção da paisagem,segurança dos frequentadores,infraestrutura disponível e respeito às características urbanísticas e ambientais do entorno.
A decisão de recorrer simultaneamente aos dois órgãos ganhou força após a constatação de que apesar de o parque ser um dos equipamentos culturais mais conhecidos da cidade não possui tombamento estadual. Criado pelo Decreto Municipal nº 12.471,de 24 de novembro de 1993,o então Parque das Ruínas nasceu com objetivos expressamente definidos: preservar,proteger e recuperar o patrimônio cultural e paisagístico da área e a ambiência urbana,além de oferecer espaços verdes e livres para lazer.
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O equipamento cultural foi inaugurado em 1997,com o nome de Parque das Ruínas,e consolidou-se como um dos principais centros culturais de Santa Teresa. Seu avará de licenciamento autoriza atividades de exposição artística e teatro,estabelecendo expressamente que são "vedados incômodos e prejuízos à vizinhança". Embora o Parque tenha sido concebido como um equipamento cultural voltado à preservação do patrimônio,à contemplação e à realização de atividades compatíveis com essa vocação,os moradores afirmam que,há muitos anos,parte da programação passou a se distanciar dessas diretrizes,com a realização de muitos eventos incompatíveis com sua estrutura,sua finalidade e as características do entorno,se queixam os moradores.
— O que está em discussão não é um evento específico. Estamos discutindo o futuro de um equipamento cultural histórico e o modelo de gestão que queremos para ele. O Parque nasceu para preservar um patrimônio. Agora é o próprio patrimônio que precisa ser preservado. O que defendemos é um modelo de gestão cultural sustentável,capaz de promover o equilíbrio entre preservação do patrimônio,respeito às características urbanísticas de Santa Teresa e qualidade de vida da comunidade que ajudou a criar esse parque — argumenta o Daniela Kvassay,moradora e porta-voz do grupo.
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Para os moradores,programações que atraem centenas ou milhares de pessoas sem considerar as limitações físicas do parque,da rua e do bairro acabam produzindo impactos que extrapolam os limites do equipamento,afetando a mobilidade,a conservação das ruínas,a segurança,a paisagem urbana e a qualidade de vida da comunidade. Segundo Kvassay,as duas iniciativas possuem caráter complementar.
— Enquanto o Ministério Público poderá avaliar mecanismos para compatibilizar a utilização do parque com sua finalidade e com as características do entorno,o processo de tombamento permitirá ao Inepac analisar a adoção de instrumentos permanentes de proteção do conjunto histórico,paisagístico e cultural do Parque Glória Maria.