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Expansão de resort do Fasano em destino de turismo de luxo na Itália vira batalha judicial

Jul 7, 2026 IDOPRESS

Fasano Al Mare Beach Club,de propriedade da JHSF,tem causado manifestações diante de tentativa de expansão — Foto: Reprodução / JHSF

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GERADO EM: 05/07/2026 - 21:20

Expansão de Resort Fasano na Sardenha Enfrenta Obstáculos Legais

A expansão do resort de luxo Fasano na Sardenha,Itália,enfrenta resistência local e se tornou uma batalha judicial. A população e ambientalistas pressionaram o governo,que revogou a permissão para o projeto,que incluiria 60 quartos e vilas exclusivas. A decisão de revogação foi considerada uma vitória para a preservação ambiental. A JHSF,dona do empreendimento,está avaliando os próximos passos legais.

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A expansão de um resort de alto luxo do grupo JHSF Fasano na ilha da Sardenha,na Itália,considerado um dos destinos mais exclusivos do mundo,tem colocado ambientalistas e moradores locais numa batalha contra a empresa. Até mesmo o governo federal entrou num embate com a administração local e,após pressão popular,houve revogação da legislação que dava suporte à liberação da expansão.

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A Tavolara Bay,empresa administradora do Fasano Al Mare Beach Club,requisitou em 2025 uma autorização inicial para expandir o empreendimento através da instalação de módulos removíveis no terreno,com 18 m² cada.

O modelo se assemelha à contêineres,que serviriam de quartos. Foram requisitados ainda abertura de passagens através de deques por um bosque dentro do terreno,além de instalação de rede de saneamento e eletricidade para estes novos quartos. A propriedade do hotel fica situada em Cala Finanza,um pequeno vilarejo em Porto San Paolo,no nordeste da ilha italiana,e é composta por uma construção dos anos 1960.

Em imagens disponibilizadas no portal do Fasano,as fotos mostram a residência,além de praia e deque privativos,piscina,quadra de tênis e a conexão com a mata às margens do mar.

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De acordo com manifestantes,a JHSF Fasano possui o controle da sociedade do empreendimento,com 44% do capital. O restante da sociedade é dividido entre empresários italianos e uma holding de Luxemburgo.

O pedido de expansão veio através de um pedido de autorização de Zona Econômica Especial,as ZEEs,criado em 2024 e que visa desburocratizar iniciativas de desenvolvimento na Itália.

Fasano Al Mare Beach Club: veja fotos de resort que criou batalha entre moradores locais e governo

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Fasano Al Mare Beach Club,tem causado manifestações diante de tentativa de expansão — Foto: Reprodução / JHSF

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Propriedade no nordeste da ilha italiana da Sardenha tem praia privativa

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Destino é exclusivo,muito procurado por milionários como destino de férias

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Propriedade possui piscina,quadra de tênis,bosque e praia privativos,além de piscina voltada à baía da região

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Empreendimento tem como dono o grupo brasileiro JHSF

Em entrevista ao jornal italiano L’Unione Sarda,o CEO da BD Capital,um dos investidores do empreendimento,afirmou que a escolha pela ZEE tinha como vantagem,diante do projeto que considera complexo,“a possibilidade de concentrar toda a análise técnica e administrativa em uma única Conferência de Serviços,garantindo maior clareza tanto nos prazos quanto na interlocução entre os órgãos públicos envolvidos”. Em resumo,a inscrição no modelo garantiria coordenação no tratamento do projeto,disse ele.

Liberação foi revogada após pressão popular

Associações da sociedade civil da região contestaram o pedido,afirmando que há três décadas,a legislação da região,como o chamado Plano Paisagístico Regional,não permite a construção de edificações a menos de 300 metros da costa,enquanto o empreendimento do Fasano fica à beira do mar. As entidades afirmam ainda que a preservação da flora local também é imprescindível para a manutenção da identidade da Sardenha,e as construções poderiam impactar o ecossistema.

Um abaixo assinado na plataforma Change.org contrária à expansão do projeto reuniu 105 mil assinaturas.

Mesmo com pareceres contrários,incluindo da região da Sardenha,o empreendimento recebeu o aval do governo italiano para dar seguimento à expansão em fevereiro. No entanto,após intensa cobertura da imprensa e manifestações da população local,a administração da ilha apresentou oposição à decisão nacional,e a autorização foi suspensa.

Em junho,o governo nacional voltou a dar o aval à obra. Mas,no fim do mês passado,a prefeitura do balneário italiano revogou a legislação que dava sustentação à liberação nacional,e o caso foi levado ao Conselho de Ministros.

A instância máxima do executivo italiano decidiu,no último dia 1° de julho,revogar a autorização concedida ao empreendimento. Uma audiência entre o governo local e o nacional estava marcada para a próxima quarta-feira,8 de julho,para tentar resolver o impasse.

“Trata-se de uma grande vitória da legalidade ambiental e do bom senso,embora seja difícil acreditar que a disputa termine aqui”,disse Stefano Deliperi,em um blog que reúne pautas da causa local. Deliperi chefia uma entidade da sociedade civil contrária à expansão do empreendimento e a manutenção da originalidade local.

Alessandra Todde,presidente da Região da Sardenha,comemorou o veredito,afirmando que “o governo tentou decidir em nosso lugar,mas teve de se render aos fatos e dar um passo atrás”.

Profundamente perplexa

A decisão representa uma derrota para a JHSF,que deseja construir no local um empreendimento com 60 quartos e suítes,como informou em comunicado ao mercado brasileiro,onde a companhia é listada,em agosto de 2024. Além disso,a previsão para o complexo era criar cerca de 30 terrenos com vilas exclusivas,além de centro esportivo,restaurantes especiais e um “charmoso e elegante centrinho comercial” com marcas locais e exclusivas estaria presente no local,diz o documento.

Em nota,a JHSF informou que a revogação da Autorização Única n. 74/2026 pelo Chefe do Departamento para o Sul da Presidência do Conselho de Ministros deixa Tavolara Bay Srl profundamente perplexa.

"Desde o início,a empresa agiu de forma totalmente de acordo com as disposições do processo legislativo do procedimento ao qual se dirigiu,a ZES.Como investidores privados,limitamo-nos agora a expressar um grande espanto e profunda preocupação com a incerteza do quadro legislativo",diz o texto.

No momento,a empresa disse que está analisando a situação junto a advogados para entender quais serão os próximos passos e "honrar nossos compromissos de longo prazo".

No Brasil,a empresa é dona de diversos hotéis voltados ao alto luxo. Em Angra dos Reis,no litoral sul do Rio,o Fasano possui uma ilha exclusiva para hóspedes,anexa ao seu golf resort.

Na B3,a companhia vale R$ 7,3 bilhõese acumula valorização nos papéis de 40% em 2026. A JHSF é proprietária do Complexo Boa Vista,situada a uma hora de São Paulo,na cidade de Porto Feliz. No complexo estão a Fazenda Boa Vista,condomínio exclusivo para milionários,e um surf resort da marca Fasano. Perto dali está o Aeroporto São Paulo Catarina,único aeroporto executivo internacional do país,também de propriedade da JHSF.