
Vice-presidente dos EUA,J.D. Vance,durante reunião na Suíça com delegação do Irã: negociações para encerrar guerra no Oriente Médio tem travas e impasses — Foto: Fabrice Coffrini/AFP
GERADO EM: 22/06/2026 - 18:23
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Na manhã seguinte à primeira sessão noturna das negociações retomadas entre os Estados Unidos e o Irã,com o objetivo de transformar uma trégua incompleta em um acordo de paz duradouro,o clima era tão acolhedor quanto a onda de calor que assola a Suíça. Mediadores do Paquistão e do Catar afirmaram na manhã de segunda-feira que o vice-presidente JD Vance e seus homólogos iranianos fizeram "progressos encorajadores" rumo ao objetivo de consolidar um acordo de paz definitivo em 60 dias. Autoridades suíças consideraram o resultado "construtivo".
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Todas as partes saudaram a criação,nas negociações,de dois mecanismos de comunicação destinados a resolver duas questões que atualmente dificultam o processo de paz: os combates no Líbano,apesar do cessar-fogo,e as barreiras à navegação no Estreito de Ormuz.
— Ontem foi um dia muito,muito bom — disse Vance aos repórteres na tarde de segunda-feira. — Fizemos muitos progressos. Conseguimos exatamente o que queríamos fazer.
Ele acrescentou que o Irã prometeu readmitir os inspetores nucleares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA),um órgão de vigilância da ONU,embora o Irã não tenha confirmado isso imediatamente.
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No entanto,outros detalhes sugerem que as discussões nos próximos dois meses ainda podem se mostrar difíceis e que os esforços para chegar a um acordo podem prosseguir aos trancos e barrancos.


A delegação de Teerã,chefiada pelo presidente do Parlamento,Mohammad Bagher Ghalibaf,abandonou as negociações no domingo em protesto contra uma publicação do presidente americano,Donald Trump,nas redes sociais,na qual ele ameaçava retomar os ataques americanos ao Irã caso não se chegasse a um acordo. Posteriormente,eles retornaram.
E numa negociação que deveria resolver questões ainda mais espinhosas,as partes pareciam gastar muito tempo trabalhando em assuntos que já deveriam estar resolvidos.
O prazo de 60 dias,estabelecido pelo memorando de entendimento inicial assinado na semana passada entre Trump e o presidente do Irã,tinha como objetivo permitir que Teerã e Washington resolvessem questões cruciais que ficaram de fora desse primeiro acordo. A questão mais notável,em particular,é a ambição nuclear iraniana. O memorando afirma que o Irã irá reduzir seu estoque atual de material nuclear quase pronto para uso em armas,mas não esclarece como isso ocorrerá ou se o país será impedido de produzir esse tipo de material no futuro.
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Essas questões não foram o foco principal,exceto pela menção de Vance aos inspetores da AIEA,cujo retorno ainda estaria longe de ser uma solução para a questão nuclear.
Em vez disso,as primeiras negociações se concentraram principalmente em dois tópicos que deveriam ser resolvidos: como fazer cumprir um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano e como garantir que o tráfego marítimo,incluindo petroleiros,volte a fluir livremente pelo Estreito de Ormuz .
Israel iniciou a guerra contra o Irã ao lado dos Estados Unidos em fevereiro e não participou do acordo inicial da semana passada. Apesar do acordo prever um cessar-fogo,tanto Israel quanto o Hezbollah continuaram a realizar ataques um contra o outro. O Irã protestou contra os ataques israelenses no fim de semana,afirmando que havia fechado o Estreito de Ormuz — que permaneceu bloqueado durante toda a guerra,elevando os preços globais do petróleo —,embora autoridades americanas tenham afirmado que navios ainda estavam passando pelo estreito.
Mediadores do Catar e do Paquistão,que se juntaram a autoridades iranianas e americanas no Lago Lucerna,disseram na manhã de segunda-feira que as discussões continuariam ao longo desta semana.
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Os mercados financeiros reagiram ao acordo inicial de Trump com o Irã "com uma demonstração clássica de euforia irracional",escreveu Carl B. Weinberg,economista-chefe da High Frequency Economics,uma empresa americana de análise,em uma nota de pesquisa na manhã de segunda-feira. "Esta semana deverá trazer um choque de realidade",observou ele.
Weinberg acrescentou que acreditava que o Irã provavelmente prolongaria as negociações por muito mais de 60 dias — até janeiro de 2029,quando o próximo presidente americano assumirá o cargo. A natureza intermitente das negociações aumentou a incerteza.
Vance tinha uma viagem marcada para a Suíça na noite de quinta-feira,mas cancelou-a no último minuto depois de o Irã ter se retirado em protesto contra os contínuos ataques israelenses no Líbano,disseram diplomatas.
Nada nas declarações dos mediadores ou de autoridades iranianas sugeria que as negociações estivessem caminhando a passos largos para o tipo de capitulação rápida que Trump insinuou ser o desfecho das conversas. Por exemplo,Ghalibaf escreveu nas redes sociais que as "Forças Armadas do Irã estão preparadas para responder" caso Trump ataque o Irã novamente — aumentando a possibilidade de mais guerras.
Ainda assim,os comunicados dos mediadores e anfitriões transmitiram,no mínimo,a sensação de que as negociações conseguiram dar início a um processo diplomático mais tradicional.
O Catar e o Paquistão afirmaram que as discussões levaram à "criação de um mecanismo para futuras conversas técnicas". As autoridades suíças disseram que as partes concordaram com "um roteiro com o objetivo de alcançar um acordo final em 60 dias". "O nosso objetivo",escreveram as autoridades suíças,"é que a nossa diplomacia contribua para a desescalada,a estabilidade e a paz."