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Sob pressão de funcionários, Correios freiam plano de reestruturação: entenda o impasse na estatal

Jul 11, 2026 IDOPRESS

O plano de reestruturação era a contrapartida ao aval do Tesouro para um empréstimo de R$ 12 bilhões; estatal busca ainda outros R$ 7 bilhões — Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

RESUMO

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GERADO EM: 09/07/2026 - 21:42

Correios Suspendem Plano de Reestruturação Após Pressão dos Funcionários e Ameaça de Greve

Sob pressão dos funcionários,os Correios suspenderam parcialmente seu plano de reestruturação,que incluía fechamento de agências e corte de gratificações,após ameaça de greve. O plano,essencial para a obtenção de empréstimos e recuperação financeira,enfrenta desafios,aumentando a desconfiança sobre a capacidade da estatal de sanar suas finanças e o risco de os custos recaírem sobre os cofres públicos. A suspensão visa abrir espaço para diálogo com os trabalhadores e avaliar distorções no plano.

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Apresentado no ano passado como contrapartida ao aval do Tesouro para um empréstimo de R$ 12 bilhões,o plano de reestruturação em curso nos Correios foi parcialmente interrompido neste mês.

A estatal suspendeu o fechamento de agências,a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que exercem atendimento ao público e a adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas. A decisão foi tomada devido à ameaça de greve dos servidores.

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A suspensão das medidas previstas no plano ocorre no momento em que a empresa,comandada por Emmanoel Rondon,busca um novo empréstimo,agora de R$ 7 bilhões,como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões,e o rombo deve ser ainda maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026,o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Para especialistas ouvidos pelo GLOBO,a decisão alimenta a desconfiança sobre a capacidade da estatal de efetivamente sanear suas finanças.

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Diálogo com servidores

Em nota,os Correios argumentam que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores possam apontar possíveis distorções no plano. “A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão,permitindo que as demais iniciativas previstas no plano de reestruturação tenham continuidade”,afirmou. Estão mantidas,por exemplo,a venda de imóveis e outras ações de contenção de despesas.

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A suspensão temporária foi proposta em carta a sindicalistas. Insatisfeitos com as medidas do plano de reestruturação,os representantes dos trabalhadores haviam indicado que começariam uma paralisação na última terça-feira. Depois do aceno da direção dos Correios,recuaram e só mantiveram o estado de greve,que permite à categoria cruzar os braços a qualquer momento,caso haja descumprimento dos termos da negociação pela empresa.

“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada,propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no plano de reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026,ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”,diz a carta,à qual O GLOBO teve acesso. O documento é assinado por Rondon e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações.

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No período da suspensão,segundo o documento,serão avaliados e debatidos novos fechamentos,com “análise técnica,institucional e social das situações apresentadas”.

‘Afeta a credibilidade’

Da mesma forma,foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas realizadas em junho. Por fim,a direção se comprometeu a interromper a retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e ao de Quebra de Caixa (pago a quem lida com dinheiro),com a reavaliação dos benefícios que já foram encerrados.

Das ações paralisadas,uma das mais relevantes para a recuperação financeira da empresa é o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Das mil unidades que a estatal pretendia encerrar,com previsão de economia de R$ 2,1 bilhões,foram fechadas 256 até agora.

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A medida é importante também porque o novo programa de demissão voluntária (PDV),a ser anunciado em breve,será exclusivamente voltado às unidades que serão fechadas,que têm,ao todo,7 mil funcionários.

No primeiro PDV deste ano,houve frustração. A meta era de 10 mil,mas somente 3.075 funcionários aderiram,o que representou uma economia de cerca de R$ 700 milhões,bem abaixo do objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora,a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Com relação à busca de novas receitas,a empresa,por sua vez,vem avançando em parcerias.

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O especialista em finanças Daniel Pecanka de Andrade,mestre em Administração pelo Insper e pela Nova School of Business and Economics,afirmou que a decisão da direção da empresa de suspender parte do plano de reestruturação traz desconfiança em relação à capacidade de cortar efetivamente gastos:

— É preciso fazer um plano de reestruturação forte e consistente. Não adianta começar e suspender,porque isso afeta a credibilidade e dificulta mais a operação.

Ele sugere medidas além do corte de gastos,como separar as unidades de negócio,para ter clareza de onde a atividade é menos lucrativa e,se for o caso,subsidiá-la de forma transparente:

— Esse é o caso da universalização do serviço — destacou Pecanka,acrescentando que as parcerias podem ajudar,principalmente se forem fontes de novas receitas e de melhoria da eficiência.

Risco para cofres públicos

Para o economista Armando Castelar,pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre),a suspensão parcial do plano de reestruturação enfraquece a estratégia dos Correios para reduzir os prejuízos e aumenta o risco de que o custo da crise recaia sobre os cofres públicos,já que os financiamentos contam com garantia do Tesouro Nacional:

— Já era um desafio grande com o plano. Se as medidas não são implementadas,não só o prejuízo aumenta,mas toda a negociação para conseguir esse empréstimo adicional fica mais difícil. O sintoma maior é o fato de a empresa estar conseguindo implementar apenas uma fração do plano de reestruturação. Já havia dúvidas se seria suficiente,dado o tamanho do prejuízo,mas,se só um quarto ou um terço do plano está sendo implementado,a conta não fecha.

Manoel Pires,coordenador do Centro de Política Fiscal e Orçamento do FGV Ibre,também avalia que o plano original estava abaixo do desejável:

— O ajuste a ser feito é muito grande,e as medidas anunciadas ficaram bastante aquém do resultado esperado.