Contate-nos
Notícias do hotel

Regime militar ou dos aiatolás? Guerra provocou mudanças na estrutura de poder iraniana

Jun 25, 2026 IDOPRESS

Homem passa por painel com imagens do aiatolá Ali Khamenei e de seu filho,Mojtaba Khamenei,nos subúrbios ao sul de Beirute; Hezbollah agradeceu ao Irã por incluir o Líbano no acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio — Foto: Anwar Amro/AFP

RESUMO

Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você

GERADO EM: 24/06/2026 - 20:26

Transformações no Irã: Junta Militar Assume Controle Após Guerra

O regime iraniano sofreu transformações significativas desde a guerra provocada por EUA e Israel,que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. Mojtaba Khamenei,seu sucessor,tem poder simbólico,e uma junta radical das Guardas Revolucionárias agora comanda o Irã,negociando em posição de força com Donald Trump. Internamente,a junta não lida com questões domésticas,delegadas ao presidente moderado Masoud Pezeshkian. A guerra reprimiu protestos e gerou mudanças sociais,tornando o regime mais militarista e nacionalista.

O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.

CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO

O sistema de poder do Irã continua supostamente o mesmo,com um líder supremo religioso e outras figuras do clero no Conselho dos Guardiães. Há ainda um presidente eleito pela população em eleições com restrições a candidatos e um Parlamento também escolhido por votação. Ambos sempre cuidaram mais do dia a dia do país,mas estavam abaixo dos aiatolás.

Guga Chacra: O impacto do acordo Trump-Irã para os países do GolfoDiplomacia: Secretário de Estado dos EUA visita aliados no Golfo em busca de respaldo em meio a disputa sobre termos com o Irã

Este modelo,no entanto,sofreu uma profunda transformação desde que os Estados Unidos e Israel decidiram atacar o Irã e matar o então líder supremo,Ali Khamenei,em bombardeio no final de fevereiro. O novo líder supremo,não desfruta do mesmo poder de seu pai. Seu estado de saúde ainda seria grave,ele ainda não apareceu em público e é visto mais como uma liderança simbólica.

Não dá para dizer que alguém seja o ditador do Irã,embora o regime seja ditatorial. Isto é,não há um Saddam Hussein ou um Bashar al-Assad,para usar como exemplo dois célebres ditadores da região que acabaram derrubados. Por este motivo,matar Khamenei não significou o fim do regime,diferentemente do que aconteceu no Iraque e na Síria após a queda de seus ditadores.

Passadas algumas semanas do início da guerra e após ataques matarem outras lideranças como Ali Larijani,formou-se uma espécie de junta para comandar o país na guerra e agora nas negociações. É um grupo de radicais com origem nas Guardas Revolucionárias.

Continuar Lendo

A atual junta que comanda o Irã está empoderada por ter sobrevivido à guerra contra os EUA e Israel. Negocia com Donald Trump em posição de força. Provou no conflito ter a capacidade de fechar o Estreito de Ormuz e atacar aliados americanos no Golfo Pérsico quando bem entender. Fortaleceu mais uma vez o Hezbollah no Líbano contra os israelenses,após o grupo claramente ficar enfraquecido na derrota na guerra de 2024,tendo inclusive de aceitar um governo adversário político em Beirute.

Integram a junta,entre outros que podem ser facilmente substituídos,o ex-prefeito de Teerã e presidente do Parlamento,Mohammad Ghalibaf,com histórico nas Guardas Revolucionárias; Ahmad Vahidi,comandante das Guardas Revolucionárias e conhecido por ser acusado de ter sido o arquiteto dos atentados terroristas contra alvos israelenses e judaicos em Buenos Aires nos anos 1990; e Mohammad Zolghadr,outro veterano das Guardas. Agem por consenso e levam em consideração posições de figuras mais extremistas e de mais moderadas dentro do regime.

Internamente,esta junta não se sente responsável para administrar questões como economia,saúde,educação e transporte dentro do Irã. Esta parte cabe ao presidente Masoud Pezeshkian,de uma linha mais moderada do regime e com pouca voz nas decisões envolvendo a guerra. O conflito também ajudou a conter ao menos momentaneamente os movimentos de protesto pedindo a queda do regime como os do começo do ano,quando ao menos 7 mil manifestantes teriam sido mortos.

Mais Sobre Irã

Na Casa Branca,chefe da Otan abusa de elogios e números para amenizar tensões entre Trump e a aliança militar

Secretário de Estado dos EUA visita aliados no Golfo em busca de respaldo em meio a disputa sobre termos com o Irã

Mesmo antes daquelas manifestações,já havia ocorrido uma liberalização em questões sociais,como uma tolerância maior com mulheres não se cobrirem e eventos como shows de música — longe de dizer que haja liberdade,embora atos pró-governo contem com mulheres sem o véu cobrindo o cabelo,segundo relato do New York Times em Teerã. Portanto,Trump e seu aliado Benjamin Netanyahu não derrubaram o regime,mas ajudaram a transformá-lo,ainda que não na forma como desejavam: hoje é um regime militarista,nacionalista,mais laico e ousado do que o anterior.