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Polícia busca identificar quinto suspeito de espancamento que matou ciclista em Copacabana

Aug 22, 2026 IDOPRESS

Espancamento e morte em Copacabana. Imagens mostram homem agredido depois de ser confundido com ladrão — Foto: Reprodução / TV Globo

A Polícia Civil investiga a participação de uma quinta pessoa na morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira,de 37 anos. Portador de um problema cognitivo,ele foi espancado por um segurança e dois entregadores de aplicativo no último dia 11,ao ser confundido com um ladrão de bicicletas em Copacabana,na Zona Sul do Rio. Principal autor da agressão,e um dos encarregados de fazer vigilância clandestina de uma rua do bairro,Davi Santos Machado chegou a filmar o espancamento com um celular enquanto agredia a vítima com golpes de um cassetete.

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As cenas foram divulgadas em um grupo de conversas de aplicativo usado por entregadores. Já um segundo segurança é suspeito de participar indiretamente do crime ao retirar a bicicleta usada pelo ciclista do local onde ela começou a ser agredida,na Rua Barata Ribeiro. Dos quatro citados,todos já estão presos temporariamente por ordem da Justiça. Dois deles se entregaram,nesta sexta-feira,aos investigadores da 12ªDP (Copacabana),unidade responsável por apurar o caso.

Já o quinto suspeito é um homem de casaco cinza com listras que aparece quando a vítima já estava sendo espancada,num segundo momento,pelo segurança Davi Santos Machado e pelos entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Essas agressões ocorreram na Rua Felipe Oliveira e foram flagradas por uma câmera de segurança.

57 golpes em seis minutos

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A gravação mostra o homem se aproximando do grupo. Em seguida,ele aparece chutando a cabeça do ciclista. Pouco depois,o suspeito vai embora. As imagens mostram que durante seis dos nove minutos de duração do vídeo o ciclista é agredido com 57 pauladas,chutes e socos. Nesta sexta-feira,Felipe se entregou em uma rua da Tijuca,na Zona Norte,aos policiais da 12ªDP. Ele foi levado para a Delegacia Policial de Copacabana.

— A gente deu prioridade a chegar nas pessoas que de fato mataram a vítima. Há outras circunstâncias. Foi um crime bárbaro. Nada vai passar sem ser apurado. Já analisamos e notamos que há um rapaz que vem e chuta a cabeça da vítima. Ele também vai ser alvo da investigação. A gente também quer qualificar essa pessoa. Todas as circunstâncias serão apuradas— disse o delegado Ângelo Lages,da 12ªDP.

Além de Felipe,estão presos os seguranças,Jorge Luiz Ricardo Dias,que não participou do espancamento,mas retirou a bicicleta usada pelo ciclista do local,que pertence a uma irmã da vítima,e Davi Santos Machado. Este último é o homem que aparece em um vídeo desferindo diversos golpes de cassetete em Cláudio Rafael. Já o entregador Ailton José da Silva,que teve a prisão temporária decretada pelo plantão judiciário,se entregou na noite desta sexta-feira.

Jorge prestou depoimento logo após se apresentar na 12ªDP,nesta quinta-feira,ele contou que faz parte de uma equipe de seguranças contratados por comerciantes de uma rua de Copacabana. Segundo o segurança,ele ainda advertiu o colega sobre a ação que vitimou o ciclista,mas Davi teria continuado rindo do que havia acontecido.

A sequência da barbárie

Como as imagens mostram,Machado abordou Cláudio Rafael,que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11,em Botafogo,também na Zona Sul,para passear: ele usava a bicicleta da irmã.Já em Copacabana,o segurança suspeitou que a vítima tivesse roubado a bicicleta e,ainda na Rua Barata Ribeiro,na altura do número 35,encostou-a na frente de uma loja. Logo em seguida,Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua,quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã. Machado,então,o repele usando um porrete de madeira.

Com a mesma arma,o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira,paralela à Barata Ribeiro. Ali,ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento,ele protagoniza as agressões,ajudado pelos dois homens de bicicleta e com mochilas de entregadores. Eles alcançam a vítima primeiro,sentada na escada de um prédio,e parecem cercá-la — até a chegada de Machado,ainda munido do porrete.

Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável. Acusado injustamente de roubo,Cláudio Rafael,que tinha transtornos psicológicos,segundo a família,sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores,que o socam enquanto o seguram. O segurança desfere mais três pauladas,erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão,mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos,contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado,além de dois chutes.

A barbárie continua,com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão. Entre quase seis dezenas de pauladas,Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular. A certa altura,um quarto personagem,um homem de suéter,se aproxima,dá um chute na cabeça do homem e se afasta. Em alguns momentos,Cláudio ergue as mãos,parece implorar,e em outros,tenta se levantar,mas não consegue e rola se contorcendo na calçada. Ele foi deixado ali,agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros. Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h,mas não resistiu.

— Ao analisar as imagens,todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos. São muito fortes — diz o delegado Ângelo Lages,titular da 12ª DP.

Aplicativo lamenta

Em nota,o iFood lamentou a morte de Cláudio Rafael Landeiro e disse que a empresa está colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso."O iFood reforça que qualquer forma de violência é inaceitável e tem tolerância zero com esse tipo de conduta. A empresa adota uma Política de Combate à Discriminação e à Violência,com regras claras para promover um ambiente ético,seguro e livre de violações de direitos para todos os envolvidos: clientes,entregadores e estabelecimentos parceiros. O descumprimento dessas diretrizes pode resultar em medidas que vão desde advertências à desativação permanente da conta",diz a nota.

Segundo a polícia,os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael,que já foram identificados,vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe,meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

O laudo de necrópsia do ciclista mostra lesões múltiplas sofridas pela vítima durante o espancamento. Segundo o documento,Cláudio Rafael teve traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna,além de lesões no baço e no rim esquerdo.

'Sentimento de revolta',define irmã

O ciclista deixou duas irmãs. Uma delas,Fabiane Landeiro,de 25,esteve na 12ªDP,para acompanhar o trabalho da polícia. Ela desabafou e disse estar revoltada com o que aconteceu com o irmão.

— O sentimento é de revolta,injustiça e indignação. O que fizeram com o Cláudio foi tortura. Ele foi agredido ainda caído no chão — disse.

Bryan Rojtemberg,advogado da família,que acompanha o caso na 12ªDP,também esteve na delegacia,nesta quinta-feira. Na ocasião,ele disse que conhecia a vítima desde criança.

— Ele era um menino calmo que ajudava a todos. Foi meu vizinho por muitos anos. O que fizeram com o Cláudio foi uma barbárie.

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