
Material de campanha do candidato o refere como Neto — Foto: Reprodução
O herdeiro de uma da principal família da política baiana está muito mais Neto do que ACM na disputa pelo Executivo estadual contra o petismo. O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) tem apostado no último nome em materiais de campanha após ter sido derrotado,por pouco,por Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição de 2022. O GLOBO localizou postagens e adesivos da candidatura do descendente do ex-governador Antonio Carlos Magalhães onde a referência ao carlismo sequer aparece,e ele é apresentado apenas como Neto.
Entenda: Eleições têm queda de quase 30% de candidatos; PL lidera registros e PT volta ao top 10‘Bets acabam com o Brasil’,‘não vale a pena ter bet’: Tarcísio e Haddad defendem proibição de aposta online no país
A opção ocorre em meio a um cenário acirrado na disputa baiana,onde ACM Neto e Jerônimo aparecem empatados tecnicamente na liderança em pesquisas de intenção de voto. O carlista busca impedir que o PT vença a sexta eleição seguida para o Palácio de Ondina,mas tem como obstáculo a força do lulismo na Bahia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 72% dos votos no segundo turno no estado.

Anúncio de evento da campanha omite a palavra ACM — Foto: Reprodução
ACM Neto consolidou-se como voz de oposição ao petismo ao iniciar a carreira política na Câmara dos Deputados,no início dos anos 2000,em meio à crise do mensalão. Para a campanha deste ano,ACM Neto contratou o marqueteiro João Santana,que comandou o marketing eleitoral de Lula em 2006 e o da ex-presidente Dilma Rousseff tanto em 2010 quanto em 2014.
O material de campanha do carlista utiliza as cores rosa,azul e branco,e traz na logo a sigla ACM em uma fonte pequena,dando destaque ao Neto. Em materiais de divulgação,há o uso de expressões como “agenda de Neto” e o uso da “#TôcomNeto”.

Quando há a presença do "ACM" em postagens,costuma aparecer em uma fonte menor do que a utilizada em "Neto" — Foto: Reprodução
Para o cientista político Cláudio André de Souza,da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab),há uma estratégia de diminuição do uso de ACM para atrair votos lulistas nesta eleição.
— Diferente de 2022,quando ACM Neto dá largada na campanha com a reedição de um jingle histórico do avô,o candidato agora abandona a perspectiva de reforçar o vínculo com o carlismo. Há o reconhecimento do peso do lulismo como preditor de votos na Bahia — afirma Souza,que completa: — Isso se dá em um contexto no qual ACM montou uma chapa mais inclinada à direita,com a presença do PL.
O uso mais frequente do Neto em destaque ocorreu também durante o segundo turno da eleição de 2022,quando o cenário já desenhava uma disputa apertada contra Jerônimo. O petista teve pouco mais de 52% dos votos no estado.

Material de campanha de ACM Neto antes do primeiro turno (à esq.),em 3 de setembro de 2022,e às vésperas do segundo turno (à dir.),em 17 de outubro de 2022 — Foto: Reprodução
Procurada,a equipe de campanha de ACM Neto não se manifestou.
O carlista evita nacionalizar a campanha baiana para reduzir o impacto do lulismo na eleição local. Há a tentativa de manutenção do foco do debate no campo da segurança pública,diante da piora dos indicadores no estado,interpretada como um calcanhar de aquiles para o governo Jerônimo.
ACM Neto anunciou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na disputa presidencial e descarta uma aliança com Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. O carlista,por outro lado,tem o presidente estadual do PL,João Roma,como candidato ao Senado em sua chapa.
Como mostrou o GLOBO,há um acordo entre a equipe de ACM Neto e os dirigentes do PL sobre a eleição baiana. Foi decidido que o ex-prefeito apoiaria Caiado no primeiro turno,mas haveria a possibilidade de uma união com Flávio em eventual segundo turno contra Lula.