
Há também uma capela,onde a família imperial participava de missas no século XIX — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
GERADO EM: 14/07/2026 - 15:41
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Os corredores da Santa Casa de Misericórdia,no Centro,podem levar a destinos diferentes dos departamentos médicos pelos quais a instituição é conhecida desde a fundação,em 1582. Logo na entrada,o pé-direito alto e as colunas de mármore chamam a atenção. Há uma escultura do padre José de Anchieta,idealizador da instituição no Brasil,e um lustre dourado exuberante,herança daquele tempo. Os olhos percorrem cada detalhe,passando pelo térreo e andares seguintes,todos em reforma desde março,quando uma nova direção assumiu para traçar o futuro da irmandade. O passado,entretanto,permanece num extenso acervo,que deverá ser aberto ao público em breve. A data,para ser definida,depende do fim das obras,feitas com recursos de doações e com a participação em editais de incentivo à cultura.
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Entrada da Santa Casa de Misericórdia,no Rio — Foto: Ana Branco / Agência O Globo


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Há também uma capela,onde a família imperial participava de missas no século XIX — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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No Salão Nobre,há telas e pinturas religiosas,além de um altar — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

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No segundo andar da Santa Casa,é possível encontrar retratos de doadores antigos — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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Maria Telma de Oliveira está catalogando peças do Museu da Farmácia,na Santa Casa — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

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Desde março,espaço passa por reformas estruturais — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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Fachada da Santa Casa de Misericórdia,no Rio — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

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No local,há uma série de serviços de saúde disponíveis a preços acessíveis à população — Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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Desde março,irmandade passa por reformas estruturais
O imóvel da Santa Casa,localizado na Rua Santa Luzia,é,por si só,um convite à visita. Com cerca de 61 mil metros quadrados,abriga,por exemplo,uma capela usada quase exclusivamente pela Família Imperial no século XIX. Os detalhes dourados estão presentes por toda parte,das paredes ao teto,intensificando-se no altar. Há também uma claraboia esculpida,por onde a luz do sol passa e ilumina com suavidade o pequeno santuário. A ideia é que missas voltem a acontecer ali aos domingos,porém restritas,devido à capacidade limitada a 18 assentos.
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O salão nobre também merece destaque. Localizado no segundo andar,onde todo o sinteco está sendo revitalizado,o cômodo é composto por uma extensa mesa com 20 lugares,usada atualmente para reuniões da instituição. Além dela,há um pequeno altar com a imagem de Jesus,uma tela da Santa Ceia e pinturas dos 12 apóstolos intercaladas entre as janelas. Do lado de fora,o corredor é repleto de retratos daqueles que,ao longo dos séculos,doaram fortunas à irmandade.
Mais afastada do acervo religioso,uma sala no térreo guarda o que será o Museu da Farmácia. Já em fase de catalogação de frascos,ferramentas e substâncias,o local é um retrato da produção de remédios e insumos de época — e mais parece cenário de novela das seis. Ao lado dela,será inaugurada a farmácia do Hospital da Santa Casa,iniciativa já aprovada pela Vigilância Sanitária,como ressalta a direção-geral da irmandade. Os remédios,estocados por lá,serão apenas para uso de pacientes.
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O planejamento de valorização histórica do local está sendo feito pelo novo trio de gestores voluntários,nomeados para os cargos em março por Francisco Horta,atual provedor da irmandade. O médico Ricardo Cavalcanti,que assumiu como diretor-geral do Hospital da Santa Casa,é professor e coordenador da Unirio e presidente do Instituto Carlos Chagas. Com ele,trabalham os advogados Mauricio Osthoff,responsável pelo departamento jurídico da instituição,e Juliana de Simone,diretora-geral da Santa Casa.
— A Santa Casa já foi uma referência em saúde no Rio de Janeiro. Com o passar dos anos,foi se deteriorando,contraiu dívidas. Nossa missão é recuperar seu valor perante a sociedade,voltar com o legado de excelência e modernizar o que for possível dentro do imóvel que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — explica Cavalcanti,ligado há mais de 40 anos à instituição.
Além de ampliar a referência histórica da Santa Casa,os gestores estão em busca de novas parcerias público-privadas,principalmente na parte de ensino. A proposta é trazer alunos de medicina para fazer pesquisas e clinicar no hospital que,em 1856,chegou a ser sede da Escola de Anatomia,Medicina e Cirurgia,embrião da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No século XX,o espaço também foi usado pelas faculdades de Medicina da Souza Marques e da Gama Filho.
— O DNA da Santa Casa sempre foi a educação. Eu mesmo estudei aqui. Era como um centro de treinamento,onde havia uma boa troca entre alunos,professores e pacientes. Então,a gente pretende investir ao máximo em parcerias,mostrar para as universidades que temos estrutura para atender estudantes e realizar projetos — completa Cavalcanti.
Atualmente,há seis especializações no hospital: Cirurgia Plástica,Cirurgia Geral,Clínica Médica,Oftalmologia,Ginecologia e Psicologia Oncológica.
A reforma na irmandade também inclui a instalação de catracas eletrônicas para controle e segurança de pacientes,profissionais e visitantes,assim como a implementação de um centro de diagnóstico por imagem,com aparelhos de raios X,ultrassom,mamografia,densitometria óssea,tomografia e ressonância magnética. Uma empresa parceira fará a instalação dos equipamentos em até 90 dias,explica o diretor-geral da unidade.
Atualmente,cerca de 13 mil pacientes são atendidos por mês na Santa Casa,que oferece acesso a mais de 30 serviços de saúde. As consultas têm valores entre R$ 100 e R$ 150 e podem ser agendadas de segunda a sexta,das 13h às 16h. O horário de atendimento,contudo,é por ordem de chegada,a partir das 7h30.
A Santa Casa mantém o caráter beneficente herdado da irmandade portuguesa,de 1498,baseado nas “14 obras de caridade”,regidas por São Mateus. No Rio,a instituição foi a principal unidade de saúde por séculos,atendendo,inicialmente,marinheiros,escravizados e desamparados. Para fazer doações e saber sobre visitas,o contato é pelo e-mail [email protected].