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Trump precisava aparecer na festa do futebol

Jul 9, 2026 IDOPRESS

O presidente da Fifa Gianni Infantino exibe o troféu da Copa para o presidente dos EUA Donald Trump — Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP

RESUMO

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GERADO EM: 07/07/2026 - 21:39

Trump Tenta Anular Suspensão de Jogador Americano na Copa 2023

Donald Trump encontrou uma maneira de se tornar protagonista na Copa do Mundo ao criar polêmica com o árbitro brasileiro Raphael Claus. Após a expulsão de um jogador americano,Trump tentou interferir ligando para Gianni Infantino,presidente da FIFA,pedindo a anulação da suspensão. Essa tática reflete seu estilo de manipulação da realidade e busca de centralidade em eventos globais.

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O presidente americano Donald Trump deu um jeito,arrumou uma encrenca com o árbitro brasileiro Raphael Claus e virou personagem da Copa do Mundo. Puro Trump. Afinal,ele continua dizendo que ganhou a eleição de 2020. É verdade que parou de falar que Barack Obama nasceu na África. No primeiro mandato,produziu 30.573 mentiras ou falsidades,21 por dia. De volta à Casa Branca,seguiu na mesma toada,porque esse é seu estilo,e a encrenca com Claus é um estudo de caso de sua essência.

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Na quarta-feira passada,o centroavante Folarin Balogun pisou no tornozelo do zagueiro Muharemovic,da seleção da Bósnia. Depois de ver o vídeo no VAR,o árbitro Claus expulsou-o do campo. (Balogun disse que aceitava a decisão.) Trump contou que,até então,não sabia o que significava a apresentação de um cartão vermelho,com a consequente suspensão para o jogo seguinte,contra a Bélgica.

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Até aí,seria o jogo jogado,com um torcedor contestando um árbitro. No dia seguinte,o presidente dos Estados Unidos decidiu ligar para Gianni Infantino,presidente da Fifa,pedindo que anulasse a suspensão. Novamente,jogo jogado,pois cartolas adoram pressões de poderosos,e Infantino deu a Trump um inédito Prêmio da Paz depois que ele,com suas guerras,foi esquecido para o Nobel. Conseguiu. De lambuja,estendeu a encrenca às federações de futebol europeias.

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Na segunda-feira,na Casa Branca,Trump assumiu seu estilo. Avançou no tornozelo do árbitro. Sustentou que não houve falta e que,pelos antecedentes,Claus é “muito suspeito”. Puro Trump. Fez a acusação sem uma migalha de argumento.

Mais: mobilizou janízaros da Casa Branca para contestar a honorabilidade de Claus. Não se discute mais a falta de Balogun,nem se exibe o vídeo.

Roy Cohn,o temível litigante dos tribunais americanos,mentor do jovem empresário Donald Trump,ensinava:

— Não me diga o que diz a lei. Diga-me quem é o juiz.

Os juízes,àquela altura,eram Infantino e alguns cartolas da Fifa. Bingo. (Em setembro,chega às livrarias americanas uma biografia de Cohn,com o seguinte título: “Um canalha americano”.)

A realidade paralela,que Trump cultiva e manipula,explica a encrenca. O mundo vive a festa de uma Copa. A cerimônia inaugural do certame teve mais audiência que a ida do presidente ao sopé do Monte Rushmore,onde estão esculpidos na rocha os rostos de quatro de seus antecessores. Ele precisava entrar naquela festa.

Entrou defendendo um atleta negro e admirado,parte de uma seleção festejada. Com o Brasil eliminado,falou-se mais de Trump que da malcriação de Neymar com o goleiro norueguês. Trump não sabia o que significava um cartão vermelho,não tem noção do que vem a ser um impedimento e talvez ache que a meia-lua da grande área seja um enfeite,onde poderiam pôr seu retrato. Conseguiu entrar na festa da Copa,por poucos dias.

Na noite de segunda-feira,sem telefonemas,os deuses do futebol decidiram. Com Balogun em campo,a seleção americana foi mandada para casa.

Futebol,jogado dentro das quatro linhas,ainda é coisa séria.