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Desvantagem de Haddad preocupa PT, e Flávio tenta colar em Tarcísio com QG de campanha em São Paulo

Jul 8, 2026 IDOPRESS

Tarcísio de Freitas,atual governador,e Fernando Haddad,ex-ministro da Fazenda — Foto: Edilson Dantas/O GLOBO

RESUMO

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GERADO EM: 06/07/2026 - 22:37

Tarcísio lidera em SP e Flávio Bolsonaro busca apoio na capital

A campanha de Lula (PT) enfrenta desafios em São Paulo,com Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderando nas intenções de voto,segundo Datafolha. Flávio Bolsonaro (PL) planeja unir forças com Tarcísio,mudando seu QG de campanha para São Paulo. Uma vitória de Tarcísio no primeiro turno poderia fortalecer a direita,mas analistas veem possível desinteresse de Tarcísio em se envolver profundamente na campanha nacional de Flávio.

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A possibilidade de a corrida pelo governo de São Paulo terminar ainda no primeiro turno — a última pesquisa Datafolha mostrou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 52% das intenções de votos válidos (sem branco e nulo) — já é admitida e vista com preocupação pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Aliados de Flávio Bolsonaro (PL),por sua vez,avaliam que um eventual desfecho sem segundo turno serviria como demonstração de força da direita e esperam que o atual governador se dedique à campanha nacional. O senador aposta na transferência do QG de sua campanha para a capital paulista,prevista para daqui a duas semanas,para passar a ter agendas “casadas” com Tarcísio,o que não aconteceu até o momento.

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Para analistas e políticos que integram as chapas,esse desfecho no maior colégio eleitoral do país tenderia a favorecer o bolsonarismo na disputa presidencial. A leitura,porém,é que isso aconteceria se Tarcísio “entrasse de cabeça” na campanha de Flávio.

A tese é corroborada pelos pleitos recentes. Das três últimas eleições para governador,só a de 2014 foi decidida no primeiro turno. Naquele ano,Geraldo Alckmin,então no PSDB,reelegeu-se com 12,2 milhões de votos. Do primeiro para o segundo turno,o então candidato da sigla a presidente,Aécio Neves,ganhou mais de 6,6 milhões de votos no estado,enquanto Dilma Rousseff (PT) somou 2,5 milhões.

Eleições em São Paulo — Foto: Editoria de Arte

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Equilíbrio de forças

Em 2018,quando houve segundo turno em São Paulo,o ganho de votos dos candidatos à Presidência foi mais equilibrado: Jair Bolsonaro conquistou mais 3 milhões de votos,enquanto Haddad teve 4,8 milhões a mais. Em âmbito estadual,a dobradinha Bolso-Doria levou o então candidato a governador João Doria (PSDB) a pular de 6,4 milhões de votos no primeiro turno para 10,9 milhões no segundo.

Já em 2022,o desempenho de Haddad no estado foi importante para a vitória de Lula contra Bolsonaro,embora o ex-ministro da Fazenda tenha perdido para Tarcísio. Haddad teve 10,9 milhões de votos no segundo turno e pavimentou o caminho para Lula conquistar 11,5 milhões de votos. Apesar de Bolsonaro ter ganhado entre os paulistas,a diferença foi menor do que a de 2018.

A campanha de Lula planeja ao menos repetir a votação em São Paulo de quatro anos atrás e aposta na chapa com quatro ex-ministros para atrair apoio — além de Haddad,a lista inclui Márcio França (PSB),Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Em paralelo,a expectativa é que o vice Geraldo Alckmin (PSB) ajude no interior,onde há maior resistência ao PT. Lula também terá presença constante no estado em agendas. A convenção que chancelará sua candidatura será em São Paulo.

A última pesquisa Datafolha,sinaliza que manter o desempenho será um desafio. Haddad,por exemplo,apareceu com 34% das intenções de votos válidos,ante os 35,7% alcançados por ele nas urnas no primeiro turno de 2022,enquanto Tarcísio somou dez pontos percentuais a mais que os 42,3% dos votos marcados no pleito passado. O instituto ainda não divulgou as intenções de voto da corrida presidencial entre os paulistas.

No campo adversário,a avaliação é que uma eventual vitória de Tarcísio permitiria que o governador deixasse de concentrar esforços na reeleição e passasse a se dedicar à campanha nacional. Na prática,o governador teria mais tempo para viajar,participar de comícios,gravar programas de televisão e mobilizar prefeitos,deputados e lideranças paulistas em favor de Flávio. Outro frente seria Tarcísio ajudar a ampliar a presença do presidenciável em outros estados.

Além disso,uma vitória de Tarcísio na primeira etapa da eleição seria explorada como demonstração de que o eleitorado de direita permanece mobilizado e competitivo.

— A reeleição de Tarcísio no primeiro turno ajuda muito Flávio. Não tenho dúvida que ele vai se engajar na campanha presidencial no segundo turno. Tarcísio é firme — garante o presidente nacional do PL,Valdemar Costa Neto.

Aliado em ‘jogo parado’

A tese do lado petista,é a de que o governador,diante do favoritismo para permanecer no Palácio dos Bandeirantes,faça uma “campanha solo” e não mergulhe no apoio a Flávio para se desgrudar dos desgastes das brigas da família Bolsonaro e do caso “Dark horse”. Segundo um integrante da campanha do PT com trânsito direto com Lula,a aposta é que Tarcísio vai “jogar parado”.

— Flávio virou um elemento radioativo — resume o coordenador da campanha de Lula em São Paulo,Marco Aurélio de Carvalho.

Interlocutores de partidos de centro e até aliados também entendem que uma reeleição confortável de Tarcísio pode produzir o efeito contrário: já de olho na sucessão presidencial de 2030,o governador poderia optar por preservar seu capital político,concentrar-se na administração paulista e limitar sua participação na campanha nacional. Nesse cenário,afirmam esses interlocutores,o apoio a Flávio existiria,mas seria mais protocolar do que operacional,com presença pontual em agendas e manifestações públicas,sem dedicação integral.

Nos últimos meses,Flávio e Tarcísio precisaram explicar o distanciamento entre os dois,materializado na ausência de agendas em conjunto e de postagens de apoio em momentos de crise. O afastamento se acentuou a partir de maio,quando veio à tona o elo entre o senador e o caso Master. Dois meses depois,a aposta do entorno de Flávio é que Tarcísio se reaproxime definitivamente em duas semanas,quando o senador mudará o QG de campanha para São Paulo e terá agendas mais “casadas” com o aliado.

O cientista político Rafael Cortez,sócio da Tendências Consultoria,vê o cenário de resolução no primeiro em São Paulo como mais complicado para o governo Lula,mas pondera que,para a ajuda ser efetiva,a atuação de Tarcísio em prol de Flávio teria de ser explícita desde o início da campanha.

— Vai depender da relação de Tarcísio e Flávio. Eu não apostaria na ideia de que o Tarcísio vai simplesmente abandonar o barco (do bolsonarismo após o primeiro turno). Se o Tarcísio não quiser o vínculo com o Flávio,ele já não vai fazer tanta campanha para ele desde o primeiro turno — diz.

Caso consiga colar sua imagem à de Tarcísio em um eventual segundo turno contra Lula,Flávio seria beneficiada por uma onda que poderá ser explorada tanto em palanques reais como virtuais,afirma o cientista político Rodrigo Prando,da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

— O Flávio vai dizer: "olha,o meu candidato em São Paulo,o candidato que está no meu campo,é tão bom que foi reeleito. E isso comprova que nós temos o melhor projeto". Essa,provavelmente,vai ser a narrativa do Flávio. Com o Haddad derrotado,a mesma coisa não acontece com o Lula. O Lula não vai poder ter o espaço que ele teria num segundo turno (em SP) — afirma Prando. 

Já o cientista político Marco Antonio Teixeira,da Fundação Getúlio Vargas (FGV),defende que uma vitória em primeiro turno de Tarcísio não garantiria a transferência de votos automática para Flávio no segundo turno. A decisão antecipada poderia mesmo levar a uma desmobilização de lideranças conservadores no estado.

— Com a eleição para o governo resolvida,vai ter menos prefeitos se mobilizando. Você não tem os candidatos fazendo palanque,puxando voto,o esforço vai ser menor. Se o governador não se engajar (na campanha de Flávio),e nesse momento ele está distante da campanha nacional,é pior ainda. Hoje,o bolsonarismo precisa ser puxado pelo Tarcísio. É uma relação completamente diferente da última eleição,quando quem puxava Tarcísio era o então presidente Bolsonaro.