
Peixe-serra encontrado em uma praia. Parente do peixe-guitarra,a espécie está entre as raias-rinoceronte mais ameaçadas do mundo e já é considerada localmente extinta em algumas regiões da costa da África — Foto: Reprodução
GERADO EM: 02/07/2026 - 10:09
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Um animal de aparência curiosa,que combina características de tubarões e arraias,tornou-se símbolo de uma corrida contra o tempo no litoral de Gana,na África Ocidental. O peixe-guitarra,espécie criticamente ameaçada de extinção,vem sofrendo um rápido declínio por causa da pesca e da crescente demanda internacional por suas barbatanas,usadas principalmente no mercado asiático. Para tentar reverter esse cenário,o biólogo marinho Issah Seidu decidiu apostar justamente na ajuda de quem,durante anos,retirou esses animais do mar: os pescadores.
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Embora seja pouco conhecido do grande público,o peixe-guitarra desempenha um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas costeiros. Encontrado em águas rasas,ele cresce lentamente,demora a atingir a maturidade e produz poucos filhotes,características que dificultam a recuperação de suas populações quando a pesca se intensifica. Em Gana,as quatro espécies registradas no país estão ameaçadas,enquanto outras raias-rinoceronte já desapareceram da região.
O avanço da pesca industrial agravou esse quadro. A redução dos estoques de peixes tradicionalmente capturados pelas comunidades costeiras levou muitos pescadores a buscar espécies de maior valor comercial. Nesse contexto,as barbatanas do peixe-guitarra passaram a representar uma fonte de renda atraente,já que podem alcançar preços elevados no comércio internacional.
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Diante desse cenário,Seidu optou por uma estratégia diferente das ações tradicionais de fiscalização. Em vez de tratar os pescadores como responsáveis pelo problema,passou a integrá-los ao trabalho de conservação. Eles recebem treinamento para devolver os animais vivos ao mar quando são capturados acidentalmente,coletam dados sobre as ocorrências e ajudam a identificar áreas importantes para a reprodução da espécie.


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Sri Lanka pede que população capture espécies invasoras de peixes e organiza até torneio — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP


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Ministério da Pesca lançou uma campanha nacional organizando uma competição de pesca em um reservatório no distrito central de Kurunegala — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP
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Mais de 1.000 pescadores foram instruídos a pescar apenas os predadores introduzidos — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP

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Importação,venda e transporte de peixes vivos como cabeça de cobra-gigante foram proibidos a partir de sábado — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP
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Pessoas que já mantêm as raças com nomes assustadores em suas casas ou em aquários particulares também terão três meses para registrá-las junto às autoridades — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP

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Apenas 22 cabeças de cobra pesando entre dois e quatro quilos tenham sido pesadas na competição de melhor pescador — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP
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Autoridades incentivaram competidores a levarem peixes para casa e cozinhá-los,embora essa não seja espécie consumida pelos locais — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP

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Cabeças de cobra-gigante podem crescer até mais de um metro — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP
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Peixes estão se multiplicando rapidamente no reservatório Deduru Oya,ameaçando espécies nativas menores — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP

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Secretário de Ministério diz que não é fácil pegá-los com uma rede,porque eles são muito agressivos e seus dentes são muito afiados — Foto: Ishara S. Kodikara/AFP
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Mesmo com mais de mil 'competidores',apenas 22 animais foram pescados
A iniciativa também procurou enfrentar um dos principais obstáculos à preservação: a dependência econômica da pesca. O projeto passou a incentivar outras formas de geração de renda nas comunidades,como pequenos negócios e atividades agrícolas,para reduzir a necessidade de capturar espécies ameaçadas.
Os resultados começaram a aparecer. Centenas de pescadores aderiram ao programa e deixaram de manter peixes-guitarra capturados em suas redes. Em algumas localidades,as próprias comunidades decidiram abandonar métodos de pesca considerados altamente destrutivos,como o uso de explosivos,produtos químicos e redes capazes de capturar animais de todos os tamanhos.
As informações reunidas pelos pescadores agora ajudam a mapear habitats essenciais para a sobrevivência da espécie. A expectativa é que esses dados permitam criar uma área marinha protegida administrada em conjunto com as comunidades locais,ampliando a proteção não apenas ao peixe-guitarra,mas também a tubarões,tartarugas marinhas e outras espécies vulneráveis.
Apesar dos esforços,o desafio continua grande. O comércio das barbatanas permanece ativo e,embora seja regulamentado por acordos internacionais de proteção à fauna,ambientalistas defendem regras mais rígidas para impedir que a exploração continue colocando a espécie em risco.
Além de reduzir a captura dos animais,o trabalho busca chamar atenção para uma espécie que permanece pouco conhecida fora dos meios científicos. A iniciativa desenvolvida em Gana passou a atrair interesse de pesquisadores e conservacionistas de outros países e reforça a avaliação de que o envolvimento das comunidades pesqueiras pode ser decisivo para evitar o desaparecimento definitivo do peixe-guitarra.