
Sede do banco de investimentos Jefferies,em Nova York — Foto: Jeenah Moon/Bloomberg
GERADO EM: 03/06/2026 - 21:38
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É exatamente o tipo de situação que banqueiros de investimento ambiciosos normalmente tentam evitar: quando a SpaceX anunciou os cerca de duas dezenas de instituições financeiras encarregadas de sua oferta pública inicial de ações (IPO),a empresa financeira Jefferies Financial Group ficou notavelmente de fora.
Nos bastidores,porém,investidores com visão pessimista sobre o império de foguetes e redes sociais de Elon Musk — e até alguns executivos da própria Jefferies — enxergam nisso uma oportunidade única.
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Fundos de hedge (operação estruturada que funciona como proteção contra riscos de outra) que não estão convencidos do potencial da companhia de Musk têm procurado a Jefferies para saber se o banco pode estruturar operações de venda a descoberto das ações da SpaceX quando elas começarem a ser negociadas em bolsa,em uma das ofertas públicas iniciais mais aguardadas da história,segundo pessoas familiarizadas com o assunto,que pediram anonimato por se tratar de discussões privadas.

Foguete da SpaceX,próximo à Starbase,no Texas — Foto: Meridith Kohut/New York Times
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A Jefferies,que é o maior banco de investimento dos EUA fora do grupo de instituições participantes da oferta,encontra-se agora em posição singular para organizar esse tipo de operação.
Embora os bancos de Wall Street rotineiramente ajudem clientes a assumir posições tanto favoráveis quanto contrárias a uma ação,advogados costumam ficar desconfortáveis quando uma área da instituição promove as perspectivas de um papel ao mercado enquanto outra auxilia clientes a apostar na sua queda.
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Sem contar como Musk,o bilionário conhecido por seu temperamento imprevisível,poderia reagir se um dos 23 bancos contratados para o IPO da SpaceX ajudasse a estruturar grandes apostas baixistas contra a empresa.
Os bancos disputaram intensamente participação na oferta,que deve alcançar uma avaliação recorde de pelo menos US$ 1,8 trilhão (cerca de R$ 10 trilhões). O CEO da Goldman Sachs,David Solomon,chegou a procurar Musk diretamente por mensagens privadas no Twitter.
Seu banco e o Morgan Stanley acabaram aparecendo no topo da lista de coordenadores da operação,grande o suficiente para gerar cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões) em comissões para os bancos participantes,mesmo com margens excepcionalmente baixas.

O banco americano Morgan Stanley está entre os contemplados — Foto: Michael Nagle / Bloomberg
A Jefferies também era vista como uma forte candidata a conquistar um papel relevante na oferta. A instituição subiu duas posições neste ano e alcançou o sexto lugar no ranking global de coordenação de IPOs. Além disso,vem reforçando sua área de tecnologia com contratações importantes nos últimos anos,incluindo as ex-executivas da Goldman Sachs Becky Steinthal e Stefani Silverstein.
Apesar de terem ficado de fora do IPO da SpaceX — para frustração de alguns dos principais captadores de negócios da casa —,os executivos da área de negociação da Jefferies enxergam uma oportunidade para ampliar suas receitas sem restrições,segundo as fontes. Além de operações vendidas,os traders do banco estão se preparando para ajudar investidores que receberem ações na oferta a revendê-las rapidamente nos dias seguintes à estreia da SpaceX na bolsa,disse uma das pessoas.
Vale lembrar que vendedores a descoberto enfrentaram dificuldades em diferentes momentos para apostar contra empresas de Musk e sua base de acionistas notoriamente fiel. Ainda assim,em Wall Street,construir relacionamentos com alguns dos principais clientes de negociação dos concorrentes pode gerar benefícios muito maiores no longo prazo.