
Centros de bem-estar já incluem técnicas com foco no nervo vago — Foto: Shutterstock
GERADO EM: 29/05/2026 - 16:28
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Não tem muito tempo,ele era apenas um nome técnico nos livros de anatomia,mais restrito ao conhecimento de médicos e outros profissionais de saúde. Agora,o nervo vago vem ganhando as redes sociais e protagonizando conteúdos sobre bem-estar. Já ouviu falar em ativar o próprio nervo vago? Pois a nova onda wellness,uma das áreas que mais cresce no mundo,é exatamente essa: lançar mão de uma série de hábitos simples para estimular o décimo nervo craniano e o mais longo do corpo. “Ele se estende do cérebro até o intestino e funciona como uma via de comunicação,transmitindo sinais ao sistema nervoso central e modulando a regulação emocional,o humor,a ansiedade e as respostas ao estresse”,explica o médico Alexandre Lucidi,mestre em Neurologia e superintendente de clínica do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla,no Rio.
Por meio de técnicas invasivas (com implantes cirúrgicos),a sua estimulação tem aprovação do FDA,agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos,para tratamentos em epilepsia e depressão resistente. Além disso,abordagens não invasivas mostraram,mais recentemente,resultados promissores em transtornos de ansiedade e outras condições neuropsiquiátricas. Foi a partir daí que o interesse se espalhou pelas redes,com diversas hashtags como #estimulacaovagal e #nervovagosempre. Influenciadores o descrevem como um poderoso interruptor escondido para trazer equilíbrio emocional,melhorando,por exemplo,digestão,imunidade,inflamação e estresse. E aparecem fazendo automassagem no pescoço,nas orelhas,gargarejando com vigor,jogando água fria na cabeça,entoando sons graves... Mas será que,de fato,é possível obter benefícios com práticas caseiras?
Especialista em ayurveda e consultora de diversos spas de luxo pelo mundo,a terapeuta Renata de Abreu afirma que sim (veja o quadro ao lado). Ela mora em Miami e acompanha as novidades em torno do assunto nos Estados Unidos: “Algumas práticas foram aplicadas em veteranos de guerra para cuidar de traumas. Ajudam a melhorar a qualidade de vida,mas não há mágica. Precisam ser aliadas a outros hábitos básicos,como restringir as horas no celular,fazer exercícios regularmente e ter boa alimentação”. E chama a atenção para a quantidade de vídeos postados atualmente. “Há muita informação vazia apenas para engajar.”
No auge do sofrimento por conta de sintomas da menopausa,a dentista Mônica Rocha adotou pequenos hábitos,como exercícios de respiração,emissão de sons graves e automassagens no pescoço. “São alguns minutos,mas com constância. Até minha expressão foi melhorando,ficando mais leve. Eu me sinto mais tranquila,bem-humorada,o sono melhorou”,relata.
Centros de bem-estar já incluem técnicas com foco no nervo vago. No CD Welness,inaugurado no fim do ano passado no Shopping Leblon,o ritual “Controle do estresse e do sono” reúne estímulos como contraste da sauna com piscina gelada,crioterapia facial (esfriamento da pele no trajeto face,orelhas,pescoço) e drenagem linfática,além de óleos e músicas para despertar o estado de relaxamento e segurança.
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Para Alexandre Lucidi,o fenômeno nas redes é parte de fundamentos fisiológicos legítimos,mas é acompanhado por uma extrapolação de dados experimentais. “A internet transformou um componente sofisticado da neurofisiologia em uma espécie de ‘botão biológico de reset emocional’”,diz. “Embora algumas intervenções realmente demonstrem efeitos sobre a frequência cardíaca e a percepção de estresse,estão longe de significar que qualquer técnica viral produza neuromodulação clinicamente relevante.”
Autor do livro “O nervo vago”,da editora Sextante,recém-lançado por aqui,o neurocirurgião e pesquisador americano Kevin Tracey corrobora a visão e cita técnicas,entre exercícios respiratórios e exposição ao frio,como eficazes para o bem-estar — só não há provas diretas de que o responsável seja especificamente o nervo vago. Ou seja,é vago.
Quer experimentar?
Cinco práticas para estimular o nervo vago (pela terapeuta Renata de Abreu):
1. Respiração lenta e prolongada (expirar por mais tempo do que inspirar)
2. Meditação entoando sons como “ommm”,que fazem vibração nos ouvidos e na garganta
3. Estímulo com as mãos ao redor e na parte interna das orelhas,descendo até as clavículas
4. Gargarejos