
Flávio Bolsonaro em reunião de obreiros da Assembleia de Deus - Belém — Foto: Reprodução
GERADO EM: 07/04/2026 - 23:23
O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO
Enquanto o governo e o PT catam cavaco quanto ao momento para começar a confrontar Flávio Bolsonaro,partem da direita as maiores dores de cabeça para o projeto de franquia familiar empreendido por Jair Bolsonaro a partir da Papudinha. Pelo menos duas pré-candidaturas questionam a escolha do filho Zero Um para suceder ao pai inelegível: Ronaldo Caiado,que tenta abocanhar votos daqueles que acham Flávio radical demais,e Renan Santos,que ataca o flanco oposto do senador,falando àquela fatia do eleitorado que se identifica com o discurso antissistema.
Até aqui,as pesquisas mostram pouco espaço para o crescimento de nomes que tentam evitar que já se imponha no primeiro turno a polarização estabelecida em 2018 e repetida em 2022,entre lulopetismo e bolsonarismo.
Mas a entrada em cena desses nomes disputando a atenção dos eleitores que rejeitam Lula obriga os filhos de Jair a gastar tempo em debates estridentes via redes sociais e a combater acusações pesadas de corrupção,rachadinha e conluio com escândalos como o do Banco Master — tudo aquilo que a esquerda ameaça fazer,mas ainda não conseguiu entabular na forma de uma estratégia de comunicação minimamente coesa.
Uma das maiores preocupações dos apoiadores de Flávio é estabelecer uma trégua com setores das igrejas evangélicas que também andaram meio atritados com o clã,por discordar da condução do ex-presidente e da escolha do filho como sucessor. Dirigentes do PL se preocupam com a guerra nada velada entre os filhos de Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle,que tem muito mais ascendência sobre lideranças evangélicas do que os enteados que a desautorizam publicamente a cada oportunidade.
Outro foco de atenção é o agronegócio,setor fundamental para a estruturação dos palanques bolsonaristas no Centro-Oeste e no Sul,principalmente,mas também em estados cruciais,como São Paulo e Minas Gerais. Caso o PSD leve até o fim a disposição de lançar o ex-governador de Goiás,Ronaldo Caiado,existe a chance de que ele seja visto como opção mais sólida por expoentes importantes desse segmento econômico. Isso poderia abalar a credibilidade do candidato do PL e dividir votos que,até aqui,são creditados a ele nas pesquisas.
Também pesa sobre os ombros de Flávio a atuação do irmão Eduardo,que desertou para os Estados Unidos e,de lá,não consegue passar um dia sem criar confusão. A última quase custou ao pai a prisão domiciliar provisória que obteve pelo agravamento do seu quadro de saúde.
Cobrado pelas trapalhadas que continua a promover,Eduardo já não esconde a amargura pelo fato de,com seus gestos tresloucados,ter deixado a candidatura presidencial escorrer pelos dedos e cair no colo do irmão. Passou a dizer nas redes sociais que,em uma família,sempre existe um que se “sacrifica” pelo todo.

Todas essas arestas e todos os questionamentos,tanto pela direita mais institucional quanto pela extrema direita que tenta mimetizar Javier Milei,só mostram as fragilidades de Flávio,que o PT e a esquerda não parecem saber como confrontar.
O esfacelamento do bolsonarismo em seu estado de origem,o Rio de Janeiro — com denúncias que vão do uso da máquina em campanhas ao envolvimento explícito com o crime organizado,passando por negócios com o Master no Rioprevidência —,passa ao largo dos discursos de Lula e de seus aliados no Congresso.
A entrada na disputa de nomes de direita que precisam primeiro fustigar o filho de Bolsonaro para ter alguma esperança de tirá-lo do segundo turno não deixa de ser um alento para Lula no momento em que ele parece sem repertório,time e tática para sair das cordas onde está desde o início do ano. Só que a terceirização da disputa política tem alcance e prazo limitados.